Futuro

Sem termo para acabar (daí a expressão tempo indeterminado), é impossível prever qual o tempo da paralisação do futebol brasileiro. Se a medicina, que acertou tudo até agora sobre comportamento do coronavírus, prevê o aumento da incidência partir da próxima semana, é possível afirmar que abril e maio estão  absorvidos pela paralisação.

A decisão de restrição social para combater a influência do vírus foi tomada pela prevenção. Quando o critério é prevenir, não há risco de erro no ato. No caso, o que tem que ser feito, está sendo feito. Mas, irá alcançar tamanha gravidade pelo projeção imediata, a própria medicina não estará confortável para praticar o ato de liberação, sem ter a absoluta certeza de que o povo ganhou a guerra contra coronavírus. 

O ato de levantamento das restrições exige uma responsabilidade incomum dos agentes médicos e estatais. É certo que as restrições sociais nunca serão afastadas em um único ato. Metódica como é a boa medicina, a restrição será diminuída por etapas, de acordo com números da curva de queda de doentes e da diminuição do risco de infecção.

A consequência para clubes sem autossuficiência (e, no Brasil são poucos) será tamanha, que o futebol brasileiro terá que se adaptar com a realidade que a maioria não quer enfrentar. 

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O Estadual acabou?

Quando afirmo que Hélio Cury, presidente da Federação Paranaense de Futebol, é um elefante em uma loja de cristais, ele não gosta. Mas, não há outra metáfora para explicar o seu comportamento passivo diante dos apelos da medicina para que, em razão do coronavírus, o convívio pessoal alcance o máximo de restrição. A última rodada da fase de classificação do Estadual, que não deveria ser jogada, só o foi sem torcida, mais por influência estatal do que uma decisão do cartola. 

Foi a entidade presidida por Hélio Cury, a última do futebol brasileiro, a suspender o Estadual por tempo indeterminado. A demora sugere que Cury queria esgotar todos os recursos para não paralisar o torneio. Talvez, ao contrário: esgotar todos os recursos com a esperança de encontrar um para o Estadual continuar sendo jogado. Talvez, usando a metáfora do elefante, ofendo o elefante. No Oriente, entre os seus significados, estão a de paz e de prosperidade.

Entendo, que a paralisação do Estadual por tempo indeterminado, vai obrigar a Federação Paranaense de Futebol declará-lo como encerrado.

Não há como adaptar o calendário interno com o nacional e o sul americano. Considerando que a maioria dos classificados formou o time só para a empreitada estadual, não é justo obrigá-la a renovar pelo período mínimo de lei (3 meses), com o risco ser eliminada em um jogo. 

Há, ainda, a situação do Athletico. O fato de ter jogado com um time aspirante a 1.ª fase, não o obriga a adotá-lo para a fase seguinte. Com o direito de não exercer essa faculdade, pode e deve recusar a cumulação de jogos do Estadual com os do seu calendário nacional (Copa do Brasil e Brasileirão) e internacional (Libertadores).

Se Hélio Cury tiver o mínimo de sensibilidade, é capaz de sair da loja, sem quebrar um único cristal. Para isso, tem que declarar o Estadual como encerrado por força maior. O título e os rebaixados tornam-se irrelevantes diante dessa força. 

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