Não são poucos os meus defeitos. Mas a incoerência não está entre eles, o que já ajuda a amenizá-los. Há tempo escrevi que não deveria haver oposição a Mário Celso Petraglia na eleição de 2019. E o motivo não era só meu, mas de todos – em especial dos fatos.

Sem concorrência, a chapa CAPGIGANTE foi aclamada. Os conselheiros escolhidos pelo dono do Furacão foram eleitos. E, eleitos, vão eleger os dirigentes que Petraglia escolher. Entre eles, o próprio Petraglia, em uma espécie de auto-escolha. Parecendo buscar do rei Luís XIV, da França, o absolutismo, bem que poderia já ter declarado: “O Athlético sou eu”.

A aclamação em uma instituição popular não significa necessariamente uma vontade unânime. No caso do Athletico foi uma circunstância política, provocada apenas pela indisposição de quem poderia se opor, por um sentimento de união ou unanimidade.
A história conta que os grandes líderes, em um dado momento, submetiam a sua popularidade ao crivo do povo. Churchill tinha ganho a II Guerra Mundial e foi submeter a sua popularidade ao povo inglês. Perdeu.

Bem que Petraglia poderia ter testado a torcida do Athlético. Sem oposição formal, sem nenhuma resistência contrária, poderia ter mantido a eleição para saber qual é a exata dimensão de seu valor junto à torcida. Preferiu que o estatuto fosse usado. Uma aclamação que poderia ser pelo calor da alma da arquibancada acabou sendo por uma circunstância política e pela frieza da lei.

Mas, por lá atrás eu ter incentivado uma eleição sem oposição, entendo que a questão é outra: Petraglia foi aclamado pelo que faz há 23 anos ou pelo que o Furacão ganhou a Sul-Americana e a Copa do Brasil?

As arquibancadas só têm memória passada, só memória da última noite de vitória.
Se Petraglia não recuar, e aceitar ser o presidente, irei perguntar e responderei: ainda em recuperação de uma enfermidade que quase o levou a óbito, acumular a presidência de fato e de direito seria um ato de heroísmo?