1995, Domingo de Páscoa.

Era para viver uma Páscoa como se deve vivê-la como um fundamento da fé cristã.  Já não trabalhava mais no rádio. Depois de vivê-lo intensamente durante 26 anos, tomei outro rumo, limitando-o à advocacia e à Tribuna do Paraná.

Sem ser exprimido por horários, executei todas as minhas obrigações de Páscoa:  como filho, fui ver meus pais; como católico, fui à missa da Igreja das Mercês, como marido e pai, depois de brincar de coelhinho, fui almoçar no Madalosso com Eliane e minhas meninas Nicole, Camila e Betina.

Era um domingo de Atletiba, e já tinha decidido que não iria ao Couto Pereira.  Despedaçado, restara ao Furacão a camisa, a história, e a sua torcida em época de desalento.  Na quinta feira, havia almoçado com o amigo Paulo César Carpegiani, então treinador do Coritiba. Depois do seu sorriso de um segundo, aconselhou-me: “Não vá. Vai ficar triste”

Só que eu não sabia, que Deus havia me indicado como testemunha para assistir a divisão da história do meu clube. De surpresa, os amigos Ênio Fornea Júnior e Paulo Abage foram me buscar. De repente, parecia que uma mão divina estava me empurrando para o lado esquerdo das sociais do Couto Pereira.

Estava tão consciente das diferenças, que não levei para o Couto Pereira, nem mesmo o direito que tem o torcedor, que é da ilusão.

Mal começou, já estava 2 a 0, com dois gols de Brandão. Não sei se era de medo ou se era de vergonha de uma goleada, recolhi-me entre os dois amigos. E antes do final do primeiro tempo, veio o terceiro, de Jetson. 

Quando Alex entrou no inicio do segundo tempo, juntando-se ao indiscutível Ademir Alcantara e a Brandão, anunciou-se o pior: a humilhação.  Nem o gol do Furacão (Pádua), rendeu a mínima esperança. É que Alex e Ademir Alcântara juntos, era o futebol como arte, em estado puro.  Brandão e China(contra) completaram os 5 a 1. 

Vi a torcida do Furacão indo embora, carregando as suas bandeiras e a sua tristeza.  Vi os coxas, tomando o rumo da casa, carregando os 5 a 1, como um troféu.

A alegria e a tristeza, às vezes, nos tornam cegos.  Mas, como fui sem ilusão, vi na saída da social do Couto, um senhor esquisito pelos tamanhos e gestos, de nome Mário Celso Petráglia, aos gritos no telefone. 

Quando saímos do Couto, as nossas vidas no futebol, as vidas de Atlético e Coritiba, nunca mais seriam as mesmas. 

+ Leia mais do Mafuz

+ O silêncio de Petraglia
+ Sicupira, Jackson, Kleber ou Alex Mineiro, quem foi o maior artilheiro?