Certa vez, o presidente Mario Celso Petraglia, homenageou o imortal Jackson do Nascimento, ídolo dos anos 40, como “o maior artilheiro da história do Athetico”. Sem compreensão, a homenagem provocou uma questão: como Jackson, se Sicupira fez 157 gols? A escolha teria sido baseada na proporção de jogos, gols e tempo de clube.

Está nas redes sociais, uma resenha analítica do torcedor atleticano Alexandre Meyer, de uma matéria do GloboEsporte.com, sobre os maiores artilheiros da história do Athletico, com base em números proporcionais de jogos e gols marcados.

Eis, o resumo dos três maiores: 

Sicupira: 9 temporadas, 157 gols, 17,44 por temporada;

Jackson: 10 temporadas, 143 gols, 14,30 por temporada;

Kléber: 4 temporadas, 124 gols, 31 por temporada

Então, adotando-se como referência a matemática baseada na proporcionalidade, o maior artilheiro do Furacão de todos os tempos não é Sicupira e não é Jackson. É Kleber Pereira, o “Incendiário”, com a impressionante marca de 31% por ano, quase o dobro de Sicupira, e mais que o dobro de Jackson.

Jackson foi o artilheiro do time que eu origem ao apelido de Furcão. Foto: Arquivo/Gazeta do Povo

A lembrança desse fato me foi provocada pelo terceiro episódio da série “Isto é futebol”, da Amazon. Com as perdas e ganhos do Bayenr de Munique como motivo central, a matéria, com a análise do ex-goleiro Oliver Kahn e matemáticos, conduz a duas conclusões: no futebol, o elemento imprevisível, que é tratado como acaso, está presente em todos os jogos, e é mais influente que qualquer esquema tático na solução de um jogo, só superado pelos atributos individuais do jogador.

E a outra conclusão é a irrelevância das estáticas baseadas na proporção, prevalecendo os números cheios e a importância do momento de cada um. 

De fato, no futebol, os números com base na proporcionalidade ignoram circunstâncias relevantes. No caso especifico do “maior artilheiro da história do Athletico”, não se consideram o número de partidas, mas de temporadas. Sicupira e Jackson, embora jogassem dez anos pelos Furacão, jogaram próximos de 50% dos jogos que Kleber jogou em quatro anos.

Em média de gols por temporada, Kleber reina absoluto. Foto: Arquivo/Gazeta do Povo

E mais: se Jackson comandou o irresistível time que criou a identidade de “Furacão”, Sicupira, a exceção dos times de 1970 e de 1972, quase morreu de solidão.  

Como o futebol é resultado, entendo que, mesmo em uma equação de números proporcionais, é necessário considerar a importância do gol e o seu o resultado. Bem por isso, afirmo que o “maior artilheiro do Athletico” é Alex Mineiro. Perguntarão: como, se Alex jogou cinco temporadas, 65 gols, 13% por temporada.

Não são pelos números, mas pela importância dos gols do título brasileiro de 2001: São Paulo (1), Fluminense (3), São Caetano (3) e São Caetano (1).

Com oito gols em quatro partidas, que resultaram no único título do Brasileirão do Furacão, a matemática criada por Alex Mineiro é simples: oito gols em quatro partidas e um título nacional equivalem a 100%. Nem as teorias de Euclides e Arquimedes desmentem essa equação.

Alex Mineiro fez menos gols que os concorrentes, mas os mais importantes da história do Athletico. Foto: Albari Rosa/Arquivo