Vale a pena investir em dólar por meio de um fundo cambial?

Imagem de https://kaboompics.com/ por pexels.com

O dólar está presente no preço de combustíveis, equipamentos, softwares, matérias-primas e viagens internacionais. Mesmo quem nunca comprou a moeda americana sente seus efeitos no orçamento ou na empresa. Para o investidor, porém, a questão não deveria ser apenas se o dólar vai subir ou cair, mas qual papel uma moeda estrangeira pode desempenhar na proteção do patrimônio.

Os fundos cambiais oferecem uma maneira de obter essa exposição sem comprar notas, abrir uma conta no exterior ou realizar operações diretamente no mercado de câmbio. Eles também encerram a etapa da Jornada do Investidor dedicada aos principais fundos de gestão ativa. Nos próximos capítulos, a série avançará para os investimentos ligados ao agronegócio, começando pelos Fiagros.

Como o fundo acompanha o dólar?

Um fundo cambial procura acompanhar a variação de uma moeda estrangeira, normalmente o dólar em relação ao real. Isso não significa que o gestor simplesmente compre e armazene dinheiro em espécie. A carteira costuma utilizar contratos futuros, derivativos e outros instrumentos ligados ao câmbio.

Se o dólar valorizar 10%, o fundo tende a apresentar resultado próximo dessa variação, descontadas as taxas, os custos e eventuais diferenças operacionais. O mesmo vale na direção contrária: quando a moeda recua, a cota do fundo também pode cair.

Por isso, o fundo cambial não é equivalente à compra de dólar físico. Quem adquire a moeda para viajar ou pagar uma despesa internacional precisa efetivamente dos recursos em dólares. Já quem aplica em um fundo procura exposição financeira ao comportamento do câmbio dentro da carteira.

Cinco forças que movimentam o dólar

Tentar prever diariamente a cotação é difícil porque o dólar responde a acontecimentos brasileiros e internacionais. Entre os principais fatores estão:

– Juros nos Estados Unidos: quando os títulos americanos passam a oferecer retornos mais atrativos, parte do capital internacional pode deixar outros mercados e voltar para os Estados Unidos, fortalecendo o dólar.

– Juros brasileiros: uma Selic elevada pode atrair investidores estrangeiros interessados nos rendimentos oferecidos no país, aumentando a procura por reais.

– Inflação: a perda persistente do poder de compra reduz a confiança em uma moeda e pode provocar pressão sobre o câmbio.

– Risco fiscal e político: dúvidas sobre dívida pública, equilíbrio das contas e estabilidade institucional influenciam a disposição dos investidores para manter recursos no país.

– Fluxo internacional de capital: crises, conflitos e mudanças na percepção global de risco podem provocar entradas ou saídas de dinheiro mesmo sem alterações relevantes na economia brasileira.

Essas forças se relacionam e nem sempre apontam na mesma direção. É possível, por exemplo, que boas notícias internas sejam anuladas por um movimento internacional de busca por segurança.

O erro de investir depois que o dólar dispara

Um comportamento se repete em diferentes ciclos: o dólar sobe, ganha espaço no noticiário e desperta o interesse de quem não possuía nenhuma exposição à moeda. O investimento é realizado depois de uma valorização expressiva, motivado pela expectativa de que a alta continuará indefinidamente.

Quando a cotação recua e o assunto perde destaque, o mesmo investidor vende com prejuízo. Nesse caso, a decisão não nasceu de uma estratégia de diversificação, mas da tentativa de adivinhar o próximo movimento do mercado.

O dólar também atravessa períodos de valorização e desvalorização. Por isso, um fundo cambial não deveria ser escolhido como resposta imediata ao medo ou à euforia.

Quando a exposição cambial pode ser útil?

O fundo pode contribuir para reduzir a dependência exclusiva da economia brasileira e do real. Também pode fazer sentido para quem possui objetivos futuros em moeda estrangeira, como viagens, estudos ou outros projetos internacionais.

Outra possibilidade é utilizá-lo como uma camada de proteção em uma carteira diversificada. Isso não significa concentrar grande parte do patrimônio no dólar, mas reconhecer que diferentes ativos reagem de maneiras distintas aos ciclos econômicos.

Por outro lado, o fundo cambial não deve substituir a reserva de emergência. Sua cotação oscila e pode apresentar resultado negativo justamente quando o dinheiro for necessário. Também não é uma alternativa completa à diversificação internacional, pois a exposição ao câmbio não equivale a investir em empresas e economias de outros países.

Quatro pontos para comparar antes de investir

Antes de escolher um fundo, o investidor precisa verificar:

– Estratégia: quais instrumentos são utilizados para acompanhar a moeda?

– Taxa de administração: quanto do resultado poderá ser consumido pelos custos?

– Liquidez: qual é o prazo para conversão das cotas e pagamento do resgate?

– Aderência ao câmbio: o histórico mostra que o fundo acompanha adequadamente a variação pretendida?

Fundos da mesma categoria podem entregar resultados ligeiramente diferentes em razão dos custos e das operações adotadas pela gestão.

Para as empresas, câmbio também é gestão de risco

O empresário pode estar exposto ao dólar mesmo sem perceber. Contratos de software, equipamentos importados, insumos industriais e preços internacionais afetam custos, margens e decisões de investimento.

Antes de procurar um fundo cambial, a empresa precisa mapear essa exposição. Uma companhia que possui despesas dolarizadas enfrenta um risco diferente daquela que recebe receitas de exportação. Em alguns casos, o dólar mais alto aumenta custos; em outros, amplia o faturamento convertido para reais.

A exposição cambial do patrimônio pessoal também não deve ser confundida com o caixa operacional. Recursos destinados a salários, impostos, fornecedores e capital de giro exigem segurança e previsibilidade compatíveis com os compromissos da empresa.

Leia também: Capítulo 15 – Quer investir em fundos de ações? Veja quando vale a pena escolher um gestor

Proteção não é aposta

O fundo cambial pode fazer sentido como instrumento de diversificação, proteção ou preparação para uma despesa futura em moeda estrangeira. O que ele não oferece é uma maneira segura de prever o dólar ou enriquecer rapidamente.

Mais importante do que tentar descobrir a cotação de amanhã é construir um patrimônio menos dependente de uma única moeda e de um único cenário econômico.

No vídeo abaixo, explico como os fundos cambiais acompanham o dólar, quais fatores movimentam a moeda e o que deve ser avaliado antes de incluir essa proteção na carteira.

Quer mais insights sobre o mundo dos negócios e investimentos? Me siga no Instagram @marlon.roza

Meu nome é Marlon Roza, sou seu Amigo de Negócios

Siga a Tribuna no Google, e acompanhe as últimas notícias do estado do Paraná!
Seguir no Google