Depois de percorrer os principais investimentos de renda fixa, a Jornada do Investidor entrou no universo dos fundos de gestão ativa. Agora, o foco está nos fundos de ações, uma alternativa para quem deseja participar do crescimento das empresas sem precisar selecionar cada companhia individualmente.
Ao investir diretamente na Bolsa, a pessoa precisa estudar empresas, analisar balanços, acompanhar resultados e decidir quando comprar ou vender. No fundo de ações, esse trabalho é delegado a uma equipe profissional. Os dois caminhos podem contribuir para a construção de patrimônio. A escolha depende do conhecimento, do tempo disponível e da disposição para acompanhar o mercado.
O problema começa quando o investidor escolhe um fundo apenas porque ele apareceu entre os mais rentáveis, foi indicado pelo gerente ou ocupou uma boa posição em algum ranking. Resultados passados podem chamar a atenção, mas não explicam a estratégia nem garantem o desempenho futuro.
O que acontece dentro de um fundo de ações?
Um fundo de ações não é apenas uma cesta de empresas. As gestoras contam com profissionais especializados em diferentes setores, como bancos, varejo, indústria, tecnologia, energia e infraestrutura.
Essas equipes analisam modelos de negócios, resultados financeiros, concorrentes, perspectivas de crescimento e riscos. Quando identificam uma oportunidade, cabe ao gestor decidir se a empresa entrará na carteira e qual será o peso daquele investimento.
Na prática, o cotista contrata uma equipe para escolher os negócios que passarão a compor parte de seu patrimônio. Em troca, paga taxa de administração e, em alguns casos, taxa de performance. Por isso, é razoável esperar que a gestão entregue um diferencial em relação a alternativas mais simples e baratas, como os ETFs que acompanham índices de mercado.
Entretanto, nem todos os fundos conseguem superar seus indicadores de referência. Alguns gestores apresentam bons resultados durante longos períodos, enquanto outros se beneficiam apenas de um cenário favorável. Avaliar a gestão, portanto, é tão importante quanto observar a rentabilidade.
Quatro estratégias que mudam o comportamento do fundo
Fundos classificados na mesma categoria podem investir de maneiras muito diferentes. Entre os estilos mais comuns estão:
– Value investing: busca empresas consideradas boas, mas negociadas abaixo do valor estimado pelo gestor.
– Growth investing: prioriza companhias com elevado potencial de crescimento, ainda que seus preços pareçam altos pelos indicadores tradicionais.
– Dividendos: concentra a carteira em empresas capazes de distribuir lucros de maneira recorrente, atraindo quem valoriza geração de caixa e renda.
– Small caps: investe em empresas menores que ainda possuem espaço para crescer. O potencial pode ser maior, mas os riscos também aumentam.
Essas diferenças ajudam a explicar por que dois fundos respeitados podem apresentar resultados completamente distintos no mesmo período. Um desempenho inferior ao mercado não prova, isoladamente, que a gestão perdeu qualidade: a estratégia pode estar atravessando um ciclo desfavorável.
Cinco perguntas antes de investir
Mais importante do que procurar o fundo que mais subiu recentemente é entender o que está sendo contratado. Antes de investir, vale responder:
– Qual é a filosofia do gestor? Descubra que tipos de empresas ele procura e quais critérios orientam suas decisões.
– O histórico é consistente? Observe o comportamento do fundo em períodos diferentes, especialmente durante crises e quedas da Bolsa.
– Quais são os custos? Taxas de administração e performance reduzem o retorno do cotista e precisam ser justificadas pelo trabalho entregue.
– A carteira combina com seu perfil? Um fundo de small caps pode ser inadequado para quem busca menor oscilação, mesmo que seja bem administrado.
– Você consegue permanecer investido? Fundos de ações podem enfrentar períodos prolongados de queda. A estratégia precisa ser compatível com seus objetivos e horizonte de longo prazo.
Gestão profissional oferece vantagens, mas não elimina riscos
A gestão especializada proporciona praticidade, diversificação e acesso a análises que dificilmente seriam reproduzidas pela maioria dos investidores individuais. Também evita a necessidade de acompanhar cada empresa separadamente.
Em contrapartida, o cotista paga pelos serviços, perde o controle sobre a escolha das ações e continua exposto às oscilações da Bolsa. Gestores profissionais também cometem erros e podem passar por períodos de desempenho abaixo do esperado.
Por isso, delegar não significa deixar de compreender. O investidor não precisa analisar todas as empresas da carteira, mas deve conhecer a filosofia, os riscos e o comportamento esperado do fundo.
Para o empresário, escolher o gestor também é analisar um negócio
O empresário já utiliza uma lógica semelhante ao avaliar uma sociedade, uma aquisição ou um novo projeto: não observa somente o faturamento. Considera geração de caixa, qualidade da administração, vantagens competitivas, riscos e capacidade de crescimento.
Um gestor de ações realiza esse exercício diariamente ao selecionar as empresas da carteira. Ao escolher um fundo, portanto, o empresário não está apenas comprando cotas: está contratando uma equipe para decidir quais negócios poderão integrar seu patrimônio.
A experiência empresarial pode ajudar nessa avaliação, mas é indispensável separar os recursos de longo prazo do dinheiro necessário à operação. Capital destinado a salários, impostos, fornecedores e emergências da empresa não deve ficar exposto às oscilações de um fundo de ações.
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Afinal, é melhor escolher um gestor ou investir sozinho?
Os fundos podem fazer sentido para quem deseja participar do mercado acionário, mas não possui tempo, conhecimento ou interesse para analisar empresas individualmente. Já quem gosta de estudar negócios e acompanhar resultados pode preferir construir a própria carteira.
Não existe uma resposta válida para todos. O erro não está em delegar a gestão ou investir diretamente, mas em colocar dinheiro em uma estratégia que não se compreende ou que não pode ser mantida durante os diferentes ciclos do mercado.
No vídeo abaixo, apresento com mais detalhes o trabalho dos gestores, os principais estilos de fundos de ações e os critérios que podem ajudar você a decidir entre delegar a escolha das empresas ou assumir pessoalmente essa responsabilidade. Não esqueça de se inscrever no canal.
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