Existem empresas que vendem, possuem clientes, mantêm funcionários ocupados e terminam todos os meses com uma agenda cheia de problemas para resolver. Vistas de fora, parecem negócios em movimento. Quando analisamos os números, entretanto, descobrimos que o faturamento pouco evoluiu, a margem continua apertada, os mesmos problemas aparecem todos os meses e o empresário permanece envolvido em praticamente todas as decisões.

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Essa situação é mais comum do que parece e ajuda a explicar por que trabalhar muito não significa necessariamente crescer. Uma empresa pode executar centenas de tarefas diariamente sem que essas atividades estejam conduzindo o negócio para algum lugar específico.

É justamente nesse ponto que o planejamento estratégico deixa de ser um documento corporativo e passa a ter impacto direto sobre o crescimento da empresa.

Planejamento estratégico começa pela definição de onde a empresa quer chegar

Imagine duas empresas que faturam R$ 200 mil por mês. A primeira estabelece que pretende chegar a R$ 300 mil mensais nos próximos 12 meses, preservando determinada margem de lucro e aumentando a participação de uma linha específica de produtos. A segunda deseja apenas “vender mais”.

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As duas querem crescer, mas somente uma transformou essa intenção em direção.

Um bom planejamento precisa definir objetivos suficientemente claros para orientar decisões. Isso envolve analisar a situação atual da empresa, estabelecer onde ela pretende chegar e determinar quais caminhos serão utilizados para percorrer essa distância.

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Quando uma empresa me contrata para desenvolver seu planejamento estratégico, por exemplo, uma das primeiras etapas do trabalho é justamente compreender o cenário atual do negócio antes de estabelecer qualquer meta. Analisamos números, estrutura, processos, vendas, pessoas, posicionamento e os principais gargalos para, a partir desse diagnóstico, definir objetivos e construir os caminhos necessários para alcançá-los.

Sem essas definições, oportunidades aparecem e são aceitas sem critério, novos projetos são iniciados, investimentos são realizados e departamentos estabelecem suas próprias prioridades. A empresa permanece ocupada, mas não necessariamente avança.

Cinco pontos ajudam a transformar estratégia em crescimento

Planejamento estratégico não precisa significar dezenas de páginas que serão apresentadas em uma reunião e esquecidas durante o restante do ano. Na prática, alguns elementos precisam estar muito bem definidos:

– Diagnóstico: antes de definir o futuro, é necessário compreender o presente. Faturamento, lucratividade, carteira de clientes, produtos, capacidade operacional, equipe, processos e posicionamento ajudam a revelar onde estão os principais gargalos e oportunidades.

– Objetivos: crescer quanto, em qual prazo e de que maneira? “Aumentar as vendas” é uma intenção. Aumentar o faturamento de R$ 200 mil para R$ 300 mil mensais em 12 meses, preservando determinada margem, já permite começar a construir um plano.

– Prioridades: uma empresa possui recursos limitados, incluindo dinheiro, pessoas e tempo. Por isso, não consegue executar dez grandes estratégias simultaneamente com a mesma qualidade. Planejar também significa decidir o que não será prioridade naquele momento.

– Indicadores: aquilo que foi planejado precisa ser acompanhado. Faturamento, margem, geração de oportunidades, conversão, ticket médio, produtividade, custos e outros indicadores permitem verificar se a estratégia está produzindo os resultados esperados.

– Plano de ação: objetivos precisam chegar à operação. Cada iniciativa deve possuir responsáveis, prazos e entregas. Caso contrário, o planejamento permanece no campo das boas intenções.

A estratégia precisa chegar até cada departamento

Outro problema aparece quando somente o empresário conhece os objetivos da organização.

Se a empresa pretende crescer 30%, por exemplo, o comercial precisa entender o que isso representa em vendas, oportunidades e conversão. O marketing precisa saber quanto deverá contribuir para geração de demanda. A operação precisa avaliar se possui capacidade para atender o aumento esperado. O financeiro precisa projetar necessidade de caixa, investimentos e impacto sobre a margem. A liderança precisa compreender quais pessoas, competências e estruturas serão necessárias.

É dessa maneira que uma meta empresarial deixa de ser apenas responsabilidade do dono e passa a orientar toda a organização.

Inclusive, esse é um dos trabalhos que realizo durante a construção de um planejamento estratégico: não basta definir aonde a empresa pretende chegar; é necessário desdobrar a estratégia para que cada área compreenda qual contribuição precisa entregar para que o objetivo global seja alcançado.

Sem esse desdobramento, cada departamento pode trabalhar corretamente dentro de sua própria lógica e, ainda assim, a empresa como um todo apresentar resultados ruins.

Leia também: Sua equipe não entrega resultados? 5 erros de liderança que podem estar impedindo o crescimento da empresa

Planejamento não significa tentar prever tudo

Alguns empresários resistem ao planejamento porque o mercado muda. Clientes mudam, concorrentes aparecem, juros oscilam, tecnologias avançam e acontecimentos externos podem alterar completamente determinadas premissas.

Tudo isso é verdade, mas justamente por existir incerteza a empresa precisa de direção e acompanhamento.

Planejar não significa prever exatamente o que acontecerá nos próximos 12 meses. Significa definir uma direção com as informações disponíveis, acompanhar os resultados e corrigir a rota quando a realidade mostrar que alguma hipótese estava errada.

Por isso, planejamento estratégico precisa ser acompanhado periodicamente. Indicadores devem ser analisados, iniciativas podem ser interrompidas, prioridades podem mudar e novas oportunidades podem entrar no plano.

Por que algumas empresas crescem e outras permanecem travadas?

Não existe uma única explicação. Produto, mercado, capital, vendas, liderança, pessoas e execução influenciam diretamente os resultados. Entretanto, empresas que crescem de maneira consistente normalmente desenvolvem uma capacidade importante: transformar objetivos em prioridades, prioridades em ações e ações em indicadores que possam ser acompanhados.

Quando essa estrutura não existe, o empresário tende a administrar olhando principalmente para os problemas que aparecem naquele dia. O urgente ocupa o espaço do importante e decisões estratégicas são constantemente adiadas.

Uma empresa pode sobreviver durante bastante tempo dessa maneira. Crescer de forma consistente, porém, torna-se muito mais difícil.

O planejamento estratégico muda o jogo justamente porque cria uma referência para as decisões. Quando todos sabem onde a empresa pretende chegar, quais são as prioridades e como o resultado será medido, o trabalho diário deixa de ser apenas execução e passa a fazer parte de uma direção definida.

No final, o crescimento empresarial não depende apenas da quantidade de esforço colocado no negócio, mas da capacidade de fazer esse esforço caminhar na direção certa.

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Meu nome é Marlon Roza, sou seu Amigo de Negócios