Capítulo 5 –
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Quando uma criança nasce, pensar na faculdade parece algo distante. As preocupações estão na escola, nas despesas da casa e nas necessidades dos próximos anos. O problema é que quinze ou vinte anos passam e, quando chega o momento de pagar uma graduação, um intercâmbio ou outro projeto educacional, muitas famílias descobrem que começaram a se preparar tarde demais.
Não se trata apenas de juntar dinheiro. Os custos da educação também mudam ao longo dos anos e a inflação reduz o poder de compra dos recursos acumulados. Guardar determinada quantia hoje sem considerar quanto ela valerá no futuro pode criar uma falsa sensação de segurança.
É justamente para objetivos educacionais de longo prazo que foi criado o Tesouro Educa+, título público do Tesouro Direto que permite acumular recursos durante determinado período para, posteriormente, transformá-los em pagamentos mensais.
Como funciona o Tesouro Educa+?
A lógica é relativamente simples e pode ser dividida em duas etapas.
Na primeira, ocorre a acumulação. O investidor realiza aportes ao longo dos anos enquanto constrói os recursos necessários para o objetivo escolhido. Na segunda, chega o período de utilização: o Tesouro Educa+ passa a realizar pagamentos mensais durante cinco anos.
Essa característica combina com a própria natureza das despesas educacionais. Uma faculdade, por exemplo, dificilmente representa uma única conta. Existem mensalidades, materiais, transporte, alimentação e uma série de outros gastos distribuídos ao longo dos anos.
Por isso, antes de investir, é importante pensar em três informações: quando o dinheiro será necessário, quanto aproximadamente será preciso naquele período e quanto será possível investir regularmente até lá.
A proteção contra a inflação faz diferença
Outro ponto importante está na rentabilidade. O Tesouro Educa+ possui remuneração vinculada ao IPCA acrescida de uma taxa fixa contratada na aquisição do título.
Imagine, apenas para facilitar o entendimento, um título oferecendo IPCA + 6% ao ano. Isso significa que sua remuneração possui uma parcela relacionada à inflação e outra correspondente à taxa real contratada, caso o investimento seja mantido conforme suas condições.
Essa estrutura é particularmente relevante para um objetivo distante. Se uma família pretende pagar uma faculdade daqui a quinze anos, pouco adianta acumular dinheiro se os custos educacionais crescerem e o patrimônio não conseguir preservar seu poder de compra.
Esse é um erro frequente no planejamento financeiro: pensar apenas no valor que será acumulado e esquecer de analisar quanto esse dinheiro efetivamente poderá comprar no futuro.
Começar cedo pode diminuir muito o esforço necessário
O tempo talvez seja uma das maiores vantagens de quem começa a planejar a educação dos filhos ainda durante a infância.
Quanto maior o prazo, mais tempo os aportes e seus rendimentos possuem para contribuir para a formação do patrimônio. Quem deixa para pensar na faculdade quando o filho já está próximo do vestibular terá poucos anos para acumular praticamente todo o recurso necessário.
Por isso, algumas atitudes ajudam na organização:
– Defina o objetivo: faculdade, intercâmbio, especialização ou outro projeto educacional podem exigir valores e prazos diferentes.
– Estime o custo futuro: não utilize apenas os preços atuais. Considere que esses custos provavelmente serão diferentes quando chegar o momento de utilizar o dinheiro.
– Estabeleça aportes periódicos: transformar o investimento em parte do orçamento familiar reduz a dependência de grandes aportes no futuro.
– Revise o planejamento: renda familiar, custos educacionais e objetivos podem mudar. O plano também precisa ser atualizado ao longo dos anos.
Essa lógica serve, inclusive, para empresários. É comum encontrar empreendedores extremamente atentos ao faturamento, às vendas e aos investimentos da empresa, mas sem uma estratégia igualmente estruturada para o patrimônio familiar. O negócio pode ser uma importante fonte de riqueza, mas não deveria ser a única resposta para todos os objetivos futuros da família.
Tesouro Educa+ também pode oscilar
Existe, entretanto, um cuidado importante. O Tesouro Educa+ é renda fixa, mas isso não significa que seu preço permanecerá estável durante todo o período.
O título sofre marcação a mercado. Mudanças nas taxas de juros e nas condições econômicas podem fazer seu valor oscilar antes do período de recebimento. Em títulos de prazo longo, essas oscilações podem ser relevantes.
Por isso, o Educa+ não deveria ser confundido com reserva de emergência. Dinheiro destinado a imprevistos exige elevada liquidez e estabilidade, enquanto o Tesouro Educa+ foi pensado para um objetivo específico de longo prazo.
Também não faz sentido investir apenas porque a taxa oferecida naquele momento parece atraente. Prazo, objetivo, capacidade de realizar os aportes e possibilidade de precisar antecipadamente dos recursos precisam fazer parte da decisão.
Leia também: Tesouro IPCA+ vale a pena? Entenda como proteger seu dinheiro da inflação no longo prazo
Educação também precisa entrar no planejamento financeiro da família
Talvez a principal contribuição do Tesouro Educa+ seja incentivar uma mudança de comportamento: transformar uma despesa futura previsível em um objetivo financeiro que pode começar a ser construído hoje.
Sabemos que os filhos crescerão. Sabemos que educação terá custos. Ainda assim, muitas famílias deixam essa preocupação para quando a conta estiver próxima de chegar.
O Tesouro Educa+ não substitui planejamento, disciplina e constância, tampouco é a única alternativa disponível para construir recursos destinados à educação. Ele é uma ferramenta que pode fazer sentido dentro de uma estratégia de longo prazo.
Quanto antes esse planejamento começar, maior será o tempo disponível para construir o patrimônio e menor tende a ser a pressão financeira quando o futuro finalmente chegar.
Se quiser se aprofundar no tema, no vídeo abaixo explico detalhadamente como funciona o Tesouro Educa+, suas fases de acumulação e recebimento, a proteção contra a inflação e os cuidados que devem ser considerados antes de investir.
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