Tesouro IPCA+ vale a pena? Entenda como proteger seu dinheiro da inflação no longo prazo

Imagem criada a partir de canva.com

É possível investir durante anos, ver o saldo da conta aumentar e, ainda assim, perder poder de compra. Essa situação parece contraditória, mas acontece quando a rentabilidade obtida não consegue superar a inflação.

Esse é um dos conceitos mais importantes para quem pretende construir patrimônio. Não basta observar quanto um investimento rendeu nominalmente; é necessário entender quanto desse rendimento realmente representou aumento do poder de compra. É justamente nessa discussão que entra o Tesouro IPCA+, um título público bastante utilizado em estratégias de longo prazo.

Antes de entender o investimento, entenda a inflação

Inflação é o aumento generalizado dos preços ao longo do tempo. Seus efeitos aparecem de maneira bastante concreta no cotidiano: supermercado, combustível, aluguel, plano de saúde, escola, restaurantes e diversos outros produtos e serviços ficam mais caros.

Imagine que uma pessoa tenha conseguido rentabilidade de 10% em determinado período, enquanto a inflação ficou em 8%. Embora seu extrato mostre crescimento de 10%, seu ganho real foi muito menor, próximo de 2%, desconsiderando outros fatores como impostos.

É por isso que, principalmente quando falamos em objetivos para daqui a dez, vinte ou trinta anos, olhar apenas para a rentabilidade nominal pode levar a uma percepção equivocada sobre a evolução do patrimônio.

Leia também: Capítulo 5 – Tesouro Prefixado vale a pena? Ele pode fazer você ganhar muito — ou virar uma armadilha

Como funciona o Tesouro IPCA+?

Assim como acontece nos demais títulos do Tesouro Direto, ao investir no Tesouro IPCA+ você está emprestando dinheiro ao Governo Federal. A diferença está na forma como a remuneração é determinada.

O título combina a variação do IPCA, índice utilizado como referência para a inflação oficial brasileira, com uma taxa fixa contratada no momento da aplicação.

Se determinado título oferecer IPCA + 7% ao ano, por exemplo, o investidor que permanecer até o vencimento terá a correção pelo IPCA acrescida da taxa real contratada, conforme as regras do título.

Em uma simplificação para facilitar o entendimento, se a inflação fosse de 5%, a rentabilidade nominal ficaria próxima de 12%; se a inflação fosse de 9%, ficaria próxima de 16%. O cálculo efetivo não é uma simples soma aritmética, mas o exemplo ajuda a compreender a lógica: a remuneração possui uma parcela vinculada à inflação e outra de ganho real.

Essa característica faz do Tesouro IPCA+ uma alternativa especialmente interessante para quem está preocupado com a preservação do poder de compra no futuro.

Quando o Tesouro IPCA+ pode fazer sentido?

Existem alguns objetivos para os quais essa característica pode ser bastante útil:

– Aposentadoria: quem está acumulando recursos para utilizar daqui a algumas décadas precisa considerar que R$ 10 mil no futuro provavelmente comprarão muito menos do que R$ 10 mil compram atualmente.

– Construção de patrimônio: uma taxa real contratada permite planejar parte da carteira buscando crescimento acima da inflação ao longo dos anos.

– Independência financeira: quem pretende futuramente utilizar os rendimentos do patrimônio para financiar seu padrão de vida precisa proteger esse patrimônio da perda de poder de compra.

– Objetivos de longo prazo: projetos com horizonte distante podem se beneficiar da combinação entre proteção inflacionária e rentabilidade real.

Para empresários, existe ainda outro aspecto relevante. Grande parte do patrimônio de muitos empreendedores já está concentrada na própria empresa, um ativo sujeito a riscos operacionais, econômicos e de mercado. Construir paralelamente uma carteira diversificada, incluindo ativos com proteção contra a inflação, pode reduzir essa concentração patrimonial.

Mas atenção: Tesouro IPCA+ também pode cair

Este talvez seja o ponto que mais surpreende quem está começando.

O Tesouro IPCA+ é renda fixa, mas seu preço pode oscilar bastante antes do vencimento devido à marcação a mercado. As mudanças nas taxas de juros negociadas pelo mercado alteram diariamente o preço dos títulos.

Se as taxas oferecidas pelo mercado aumentarem depois da sua compra, o preço do título que você possui poderá cair. Se as taxas diminuírem, o movimento pode acontecer na direção contrária.

Isso significa que alguém que compre um Tesouro IPCA+ com vencimento distante pode abrir a corretora meses depois e encontrar um saldo inferior ao valor esperado. Caso mantenha o título até o vencimento, entretanto, permanece válida a lógica de remuneração contratada na aquisição. O risco aparece principalmente quando existe necessidade de vender antecipadamente.

Quando o Tesouro IPCA+ pode não ser adequado?

O primeiro exemplo é reserva de emergência. Recursos destinados a imprevistos precisam priorizar liquidez e estabilidade, porque ninguém sabe quando precisará utilizá-los. Colocar a reserva em um título longo sujeito a oscilações pode obrigar o investidor a vender justamente durante uma desvalorização.

Outro erro é escolher o título simplesmente porque aparece uma taxa de “IPCA + 6%”, “IPCA + 7%” ou qualquer outro percentual considerado atraente. Antes de investir, é importante analisar:

– o vencimento do título e quando você pretende utilizar o dinheiro;

– o objetivo daquele recurso dentro do planejamento financeiro;

– a possibilidade de precisar resgatar antes do vencimento;

– a participação desse investimento dentro da carteira;

– sua capacidade de conviver com oscilações sem abandonar a estratégia.

Quanto mais distante o vencimento, mais relevantes podem ser essas oscilações durante o percurso.

Proteção do patrimônio também faz parte de investir

O Tesouro IPCA+ não deve ser analisado apenas pela rentabilidade que aparece na plataforma de investimentos. Sua principal característica está na possibilidade de combinar proteção contra a inflação com uma taxa real de retorno para quem leva o título até o vencimento.

Construir patrimônio exige mais do que fazer o saldo crescer. Exige compreender quanto esse patrimônio será capaz de comprar no futuro.

Por isso, para objetivos de longo prazo, a pergunta não deveria ser somente “quanto meu dinheiro vai render?”, mas também “quanto poder de compra esse dinheiro terá quando eu precisar dele?”.

Se quiser se aprofundar no tema, no vídeo abaixo explico detalhadamente como funciona o Tesouro IPCA+, a proteção contra a inflação, a marcação a mercado e os cuidados que você precisa considerar antes de investir.

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Meu nome é Marlon Roza, sou seu Amigo de Negócios

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