A etapa inicial de testes da vacina para a malária termina no fim do ano. Quem garante é o professor de Patologia da Universidade de Nova York, Vítor Nussenzweig, um dos maiores especialistas em malária do mundo, que está desenvolvendo uma vacina para a doença. O pesquisador esteve ontem em Curitiba, onde realizou uma conferência no Instituto de Biologia Molecular do Paraná (IBMP), no Tecpar.

Nussenzweig trabalha há mais de trinta anos no desenvolvimento da vacina em parceria com sua esposa, Ruth Nussenzweig. Até o fim do ano, o pesquisador quer ter completado o que ele chama de fase 1 do teste prático da vacina. Essa etapa consiste em injetar em voluntários proteínas do parasita Plasmodium falciparumque, que ficam alojadas no mosquito anófele, transmissor da doença. Essas proteínas estimulam a imunidade do organismo – no caso, antígenos da superfície da hepatite B.

“Nessa fase temos de ver se o organismo, quando provocado, produz anticorpos”, diz. Os testes devem ser realizados em Baltimore, nos Estados Unidos, e na Escócia. Com os resultados em mãos, Vítor e Ruth devem passar ao desenvolvimento da segunda fase, que consiste na verificação da toxicidade da vacina.

A terceira fase é a da consolidação da vacina. Segundo o pesquisador, nessa etapa aumenta-se o número de voluntários para tornar possível a aprovação da vacina pelos comitês de médicos de ética.

O professor viajou ontem para São Paulo onde seria homenageado em um Congresso de Transfusão de Sangue por seu trabalho de pesquisa em esterilização de sangue contra a doença de chagas. Nussenzweig tem 74 anos e se formou na Universidade de São Paulo (USP).