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Centro São Lourenço

Binário da discórdia

Foto: Felipe Rosa.
Maria Luiza Piccoli

Uma semana após a inauguração do novo binário de Curitiba que liga o bairro São Lourenço ao Centro, por meio das ruas Nilo Peçanha e Mateus Leme, as opiniões entre motoristas, comerciantes, pedestres e moradores da região, estão divididas.

Viabilizado com o objetivo de desafogar o trânsito, o binário tem sete quilômetros e alterou o fluxo não apenas nas vias principais, mas também nas paralelas e transversais, que agora estão mais movimentadas.

Além do novo sentido das ruas, a alteração afetou os percursos de 15 linhas de ônibus que cortam o trecho. A mudança confunde usuários do transporte coletivo, uma vez que alguns pontos de parada foram deslocados para outros lugares. A diarista Nilse dos Santos Souza, 59, pega o ônibus Nilo Peçanha todas as segundas e quartas-feiras para chegar ao trabalho. Ela afirma que ainda não se acostumou com a novidade que inclui também o nove nome dado à linha. “Era Nilo Peçanha. Agora virou Parque Tanguá. O ponto mudou de lugar e está uma confusão só. Mesmo sabendo das modificações estou ‘me batendo’ para acostumar”, afirma.

Nilse ainda não se acostumou com as mudanças. Foto: Felipe Rosa.

Nilse ainda não se acostumou com as mudanças. Foto: Felipe Rosa.

Entre motoristas as opiniões variam. Ricardo Souza, 39, é morador do bairro Ahú e trafega diariamente pela Nilo Peçanha ­ sentido centro – no trajeto para chegar ao trabalho. Ele reclama do aumento do tempo médio em trânsito após a instalação do binário. “Antes eu levava cerca de 8 minutos pra chegar ao trabalho. Agora não faço em menos de 20. O fluxo afunila e para, principalmente na esquina com a Carlos Pioli. Nos horários de pico a situação complica muito”, reclama. Já para a dentista Evelyn Ramos, 50, que transita todos os dias pela Rua Mateus Leme, os pontos positivos do novo binário são mais evidentes que os negativos. “O trânsito desafogou muito no sentido São Lourenço. Utilizo a via para voltar do trabalho e ficou melhor para trafegar e atravessar”, diz. O único ponto que, segundo ela, merece mais atenção, é a rotatória que recebe a convergência das ruas Mateus Leme, Nilo Brandão e João Gava ­ situada nas proximidades do Parque São Lourenço. “Além do ponto receber o fluxo das vias transversais que cruzam a Mateus Leme, o local fica próximo a uma escola. Nos horários de saída dos alunos a via fica praticamente intransitável”, frisa.

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Os reflexos da instalação do novo binário não afetam somente os motoristas que percorrem as vias alteradas, mas outras ruas importantes do perímetro – como a Avenida Cândido de Abreu – no Centro Cívico. O tráfego na via ­ que já não era dos menos movimentos – ficou ainda mais congestionado após as mudanças. A advogada Isabel Pereira, 29, que não utiliza o binário, mas se locomove pela Cândido de Abreu diariamente, sentiu a diferença. “De repente o trânsito começou a piorar e eu não entendia o porquê. Aí me lembrei do binário e me dei conta que parte desse fluxo pode estar vindo da Mateus Leme, que agora só vai sentido bairro”, afirma.

Segundo a superintendente de trânsito de Curitiba, Rosângela Batistella, as dúvidas entre os motoristas na fase inicial do projeto devem se solucionar aos poucos, conforme forem se habituando aos novos trajetos. “Até que todos se acostumem leva um tempo. Os aplicativos de GPS também estão em adaptação, e logo não haverá mais tanta confusão. Nós temos acompanhando diariamente a situação nas ruas Mateus Leme e Nilo Peçanha e as melhorias advindas do novo binário são visíveis já nas primeiras semanas”, afirma.

Deu prejú!

Entre comerciantes da região, no entanto, os benefícios do novo binário não são tão aparentes assim. Simone da Silva Araújo trabalha em um açougue situado na Rua Nilo Peçanha. De acordo com ela, a extinção das vagas de estacionamento na via prejudicaram o comércio. “Antes os clientes podiam estacionar aqui na frente ou na rua lateral. Depois do binário tudo virou faixa amarela e ninguém mais para. Nosso movimento caiu cerca de 20% e se não fosse o serviço de entrega a domicílio nós já teríamos fechado as portas”, revela.

Simone reclama da extinção das vagas de estacionamento. Foto: Felipe Rosa.

Simone reclama da extinção das vagas de estacionamento. Foto: Felipe Rosa.

Comerciantes da Mateus Leme também percebem a queda no movimento. Para Daiane Meira, 26, que é caixa em um mercado situado na via, os clientes acabam optando por estabelecimentos que façam parte da rota diária. “Muita gente parava aqui porque era mais prático. Já “estava no caminho”. Agora quem segue sentido Centro não vai dar uma volta só pra vir aqui”, lamenta. Outra reclamação da lojista é a travessia no local, que piorou depois da unificação do sentido da rua. “Sem sinalização a gente praticamente tem que se jogar pra conseguir atravessar”, reclama.

Leia mais! Binário da Mateus Leme melhorou o trânsito?

Mauro Alfredo Woellner também é comerciante na região. Para ele, as mudanças têm aspectos positivos e negativos a serem considerados. “Para mim piorou a questão de visibilidade. As pessoas acabam passando muito rápido e não notam o estabelecimento. Um fator que observei ter melhorado, no entanto, é questão de ruído. Acredito que a alteração no trajeto dos ônibus deixou a rua bem mais silenciosa”, afirma.

Mauro ressalta que os motoristas passam e não percebem mais os comércios. Foto: Felipe Rosa.

Mauro ressalta que os motoristas passam e não percebem mais os comércios. Foto: Felipe Rosa.

Para solucionar as questões relativas à travessia em alguns pontos e melhorar o fluxo em trechos que ainda sofrem com congestionamentos, a Secretaria de Defesa Social e Trânsito estuda promover alterações no binário. De acordo com a superintendente de trânsito de Curitiba, Rosângela Batistella, as medidas devem ser anunciadas oficialmente essa semana. Entre as alterações previstas estão o alargamento da Rua Roberto Barrozo – que deve receber uma terceira faixa ­ e a diminuição do limite de velocidade no radar da esquina da Rua Orestes Beltrami com a Nilo Peçanha. O local fica próximo a uma escola, e a redução da velocidade no ponto, segundo Rosângela, melhoraria a travessia de alunos em horários de entrada e saída. Além disso, ruas transversais também deve receber nova sinalização. “Esses projetos estão em fase de elaboração e devem ser estudados junto à Secretaria de Obras. Ainda não existe prazo para as alterações acontecerem, mas tão logo haja aprovação, serão viabilizadas”, diz.

No que diz respeito à restrição de estacionamento na Nilo Peçanha, Rosângela afirma que a medida foi adotada em prol da coletividade para melhor fluidez dos veículos. “Infelizmente não há formas de agradar a todos. As vagas foram eliminadas para facilitar o trânsito, que há tempos era motivo de reclamação e dor de cabeça para quem transitava pelas vias”, finaliza.

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Maria Luiza Piccoli

Maria Luiza Piccoli

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43 Comentários em "Binário da discórdia"


Pensador
Pensador
41 minutos 10 segundos atrás

Fiquei sabendo em primeira mão,Que quem gere o ippuc são os mesmos do d.i.f do atlético. Não me surpreendi ,afinal os resultados são parecidos.

gilson gonçalves
gilson gonçalves
1 dia 4 horas atrás

Pergunto. Quanto gastou? Superfaturado com certeza. TCE vai aprovar sem ressalvas. Povo enganado mais uma vez.

gilson gonçalves
gilson gonçalves
1 dia 4 horas atrás

Ficou pela metade, mal planejado, estranho, coisa de amador, acho que foi planejado por algum comissionado, sem experiência em transito.

Joao
Joao
2 dias 9 horas atrás

NG QER FAZER nda, qdo o greca ninja faz os p no rab reclama

Joao
Joao
2 dias 9 horas atrás

A polícia devia da uma geral toda semana nos mendigo e n ficar sentado drento da viatura. Tem mto foragido, sem documento vivendo como santinho d doacao

Joao
Joao
2 dias 9 horas atrás

O greca é ninja. Tá certo. Tem q mandar os mendigo pra sp/ rj e melhorar s cidade abandonada a 16 ano

Carlão
Carlão
2 dias 22 horas atrás

Penso que o Greca deveria ser “humilde”, admitir o erro e voltar atrás(embora ache difícil, porque ele não conhece essa palavra), a vida de quem mora próximo ao parque tanguá virou um verdadeiro inferno, tanto para ir ao centro como para voltar.

A Gabardo
A Gabardo
2 dias 17 horas atrás

O Greca é muio mal assessorado pelo pessoal “ultrapassado do IPPUC”, esse tempos eu questionei ele porque ele por não aproveita as obras para dimensionar as ruas x calçadas de forma coerente, existe muitas ruas com enormes calçadas compartilhando a rua estreita. Coisas simples que poderiam melhorar, mas ele simplesmente ignorou a minha opinião, comentou que calçada é importante, como se eu tivesse solicitado para retirar a calçada, nada haver. Mas ele não quer enxergar ou o pessoal do IPPUC finge que esta tudo certo..

A Gabardo
A Gabardo
3 dias 18 horas atrás

Lendo alguns comentários, não entendo o motivo das reclamações, a rua Mateus Leme estava um verdadeiro inferno com pista dupla, o trânsito não “andava”! Com o binário vai ter um pequeno fluxo, mas é necessário investir pesado naquele perímetro, talvez a construção de trincheiras nos principais cruzamentos, viadutos que possam ligar avenidas, só com investimento para melhorar, por enquanto é uma obra para ganhar “folego”, esta longe de resolver o problema de congestionamento na região.

Carlão
Carlão
2 dias 22 horas atrás

Talvez vc não entenda por morar no outro lado da cidade e não venha sentindo na pele esse verdadeiro inferno criado pelo teu prefeito.

A Gabardo
A Gabardo
2 dias 17 horas atrás

Entendo perfeitamente, faltou o nosso prefeito investir em obras para fazer o resto da avenida andar, eu moro no outro lado e tem uma avenida chamada Mario Tourinho, sentido parque Barigui, é o mesmo problema, fizeram o Binário, mas não fizeram trincheira nos principais cruzamentos, antes do Barigui tem duas via rápida que corta avenida, fica uma “torneira de avenidas” segurando o trânsito, é nitidamente errado..

Paulo
Paulo
3 dias 10 horas atrás

Para resolver, o caminho não é trincheira nem viaduto (veja exemplos pelo mundo). A saída é limitar o uso do carro para transporte individual. Bolsão de estacionamento ao redor do centro. Transporte público e outros modais, como carros alugador por hora, taxi, aplicativo, VLT… É muito carro para pouca rua.

A Gabardo
A Gabardo
2 dias 17 horas atrás

Paulo, eu também sou a favor do VLT e outros modais coletivos, mas eu acho muito difícil um dia sair do papel, os cara não tem culhão para fazer uns 50km de VLT, então melhor partir para uma trincheira, viaduto, este pelo menos pode sair do papel..

Paulo
Paulo
1 dia 11 horas atrás

Pois as alterntivas são mais baratas e viáveis que viadutos e trincheiras, elém de não destruirem a vida da cidade (não criam áreas mortas)

Paulo
Paulo
3 dias 22 horas atrás

Binário na contramão de tudo o que é sensato. Transporte coletivo, comercio local, ciclovia e pedestre sacrificados em favor do transporte individual e do automóvel. Parabéns aos “especialistas” que construíram duas rodovias dentro do perímetro urbano de Curitiba

A Gabardo
A Gabardo
3 dias 20 horas atrás

Sai fora baitola, se não gostou é uma boa oportunidade para ir embora, quanto menos gente na cidade, melhor!

Paulo
Paulo
3 dias 10 horas atrás

Ah Gabardo. Muito inteligente. O colega apresenta uma idéia e você só sabe dizer isso? Vai lá, diz para a gente porque o carro para transporte individual é uma boa alternativa? Vergonha, hein. Vira gente!

Joao
Joao
5 dias 39 minutos atrás

Sp é logo ali, é só pica a mula e vortá

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