Vida Marinha

Aquário no PR a 700 km da praia usa sal de Israel para reproduzir oceano

Foto: Divulgação/AquaFoz.

A 700 quilômetros do litoral mais próximo, o AquaFoz transforma água doce em mar através de uma operação minuciosa que já consumiu 80 toneladas de sal importado. Um verdadeiro laboratório marinho no coração do Paraná.

Manter animais marinhos tão longe do oceano não é tarefa simples. No aquário de Foz do Iguaçu, a solução encontrada foi produzir o próprio mar dentro da estrutura, através de um processo que combina água doce com sal marinho especial, importado diretamente de Israel.

A escolha do sal não é por acaso. O produto israelense apresenta alto grau de pureza e composição balanceada de minerais e oligoelementos, características essenciais para sistemas marinhos de grande porte. Sais comuns disponíveis no mercado brasileiro simplesmente não dariam conta do recado.

“O produto é importado de Israel por apresentar alto grau de pureza e uma composição balanceada de minerais e oligoelementos, características consideradas essenciais para sistemas marinhos de grande porte. Sais comuns disponíveis no mercado muitas vezes não possuem o equilíbrio químico necessário para garantir a saúde e o bem-estar dos animais”, pontua o biólogo-chefe do aquário, Rafael Santos.

Divulgação/AquaFoz.

Desde o início da operação até janeiro de 2026, o AquaFoz já produziu cerca de 3,5 milhões de litros de água salgada. Para alcançar esse volume impressionante, foram necessárias aproximadamente 80 toneladas do sal israelense. Os pedidos são feitos periodicamente, considerando todo o planejamento logístico de compra e transporte até Foz do Iguaçu.

Manter o equilíbrio desse oceano artificial é um dos principais desafios da operação. O trabalho envolve uma verdadeira força-tarefa multidisciplinar, com biólogos, veterinários e tratadores que monitoram diariamente parâmetros como salinidade, pH, temperatura e dureza da água, além de acompanhar o comportamento, alimentação e condição corporal dos animais.

A manutenção dos tanques também exige atenção especial. Parte do trabalho é realizada por mergulhadores da própria equipe, que descem regularmente para limpar os acrílicos das estruturas, realizar a sifonagem do substrato e, em alguns casos, alimentar os animais diretamente. Em paralelo, profissionais técnicos monitoram equipamentos como bombas, compressores e filtros que mantêm todo o sistema funcionando ininterruptamente.

Atualmente, o AquaFoz abriga aproximadamente 300 espécies de animais, distribuídas entre ambientes de água doce e salgada. Do total, mais de 120 são espécies marinhas que dependem diretamente da estabilidade química da água para sobreviverem tão longe de seu habitat natural.

Com a operação ainda em fase inicial, o consumo de sal pode variar conforme as necessidades. A estimativa da equipe técnica é que entre 20% e 30% do volume total dos tanques seja renovado mensalmente, um procedimento essencial para manter a qualidade da água e garantir as condições ideais para toda essa vida marinha florescer em pleno interior paranaense.

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