O humorista Maurício Manfrini, 50, afirma que foi surpreendido, como muitas pessoas pelo mundo, com a explosão de casos do novo coronavírus, no início do ano, que forçou a adoção de medidas restritivas, como o isolamento social e a imposição do “lockdown”. Dirigido por Roberto Santucci, “No Gogó do Paulinho” seria lançado em 9 de março no circuito brasileiro, mas foi adiado em duas ocasiões.

Essa seria a segunda experiência de Manfrini nos cinemas -a primeira foi com “Os Farofeiros” (2018). Mais de oito meses depois, o ator terá uma nova oportunidade para mostrar Paulinho Gogó, o típico malandro carioca criado há 25 anos e que fez sucesso no programa A Praça É Nossa (SBT) com o bordão “Quem não tem dinheiro conta história!”.

“As coisas acontecem e procuro sempre me apegar em algo positivo para não ficar tão chateado”, afirma Manfrini em entrevista coletiva via Zoom. “Se tivesse sido lançado no dia 9 [de março] estava tudo perdido. Teria ido por água abaixo, o filme foi salvo”, completa.

O humorista carioca diz ter ficado chateado de não exibir o filme no cinema, embora diga que se o longa tivesse sido lançado no momento da pandemia haveria um prejuízo maior. O contratempo proporcionou agora a disponibilização de “No Gogó do Paulinho” na plataforma Amazon Prime Video, nesta quinta (19).

“Foi a decisão mais inteligente”, diz o ator sobre lançar o longa na plataforma de streaming. “Amenizou aquela frustração que teve logo de início. Estou curtindo, e sem contar com a possibilidade de novos projetos. Isso é bem legal.”

Com o roteiro de Paulo Cursino, que também é autor de “Os Farofeiros”, “No Gogó do Paulinho” mostra novas facetas do personagem popularmente conhecido por ser o típico falastrão contador de históricas. No filme, Paulinho Gogó (Maurício Manfrini) narra suas histórias em um banco de praça enquanto aguarda a chegada de Nega Juju (Cacau Protásio), seu eterno caso de amor.

Trata-se de homenagem do ator ao programa do SBT -o filme terá participação especial de Carlos Alberto de Nóbrega, 84. No banco da praça, Paulinho vai relembrar a infância pobre, os bicos que fez na vida, inclusive no jogo do bicho, o tempo no Exército e as confusões em que conheceu seus amigos Chico Virilha, Biricotico, Helinho Gastrite e Celso Bigorna, e, claro, as idas e vindas no relacionamento com Juju.

“Foi um monte de descoberta. Fizemos uma brincadeira com A Praça Nossa e ficou uma homenagem para todos. Carlos no meu banco foi mágico e o filme é bem dinâmico, romântico, divertido e poético. Ficou do jeito que queríamos que ficasse”, afirma Maurício Manfrini, que faz sucesso no Multishow com o seriado “O Dono do Lar”.

O ator também afirma que não teve dificuldade em adaptar o personagem para a linguagem do cinema. “A diferença é que é tudo cortadinho, montado. Graças a Deus só tive que me adequar a essa nova linguagem. Não foi muito difícil, mas foi trabalhoso e cansativo.”

Após passar pela rádio, televisão e palcos de teatro, Manfrini conta que Paulinho do Gogó pode e deve explorar novas áreas. Segundo ele, “ainda falta muita coisa para fazer”. “Quem sabe um seriado ou um programa? Essas coisas ficam passando pela minha cabeça.”

Sobre a parceira com Cacau Protásio, que se repete após o sucesso de “Os Farofeiros”, no qual os dois também interpretaram um casal, o comediante revela uma curiosidade: a decisão de trazer a atriz para o filme de Paulinho Gogó aconteceu bem antes de o primeiro longa ser lançado.

“Quando tivemos a ideia de fazer o filme [‘No Gogó do Paulinho’], eu não conhecia Cacau Protásio, mas a única pessoa que eu pensava que seria a cara da personagem [Juju] era ela. E antes disso, chamaram para fazer ‘Os Farofeiros’. As coisas foram se encaixando naturalmente. Teve uma química muito grande e foi do mesmo jeito neste filme. A gente se divertiu muito e viramos amigos próximos.”

Para Manfrini, a adesão do público ao personagem é uma resposta clara de identificação. “É muito difícil criar um personagem e fazer com que ele exista a vida inteira. As pessoas reconhecem o personagem em vários familiares e amigos. E eu fui ouvindo as pessoas na rua (…) Minha construção do personagem foi dia após dia, ouvindo as pessoas conversando comigo”, afirma o humorista.

Em abril desde ano, Maurício Manfrini deixou o humorístico A Praça É Nossa após 16 anos -a decisão de deixar a atração do SBT foi sua. Ele afirma que não se incomoda de ser parado na rua pelas pessoas e ser questionado onde estaria Paulinho Gogó. Para o humorista, isso é um sinal positivo de reconhecimento. “Quando eu comecei a trabalhar em rádio achava que todo o humorista precisava ter vários personagens. Quando descobri que não, tirei um peso muito grande das costas. Eu o fortaleci e ficou verdadeiro.”