Após um hiato de nove anos, o jornalista, editor e escritor Rogério Pereira, 49 anos, lança seu novo livro “Toda cicatriz desaparece”, obra que reúne 40 crônicas do autor escolhidas e organizadas por Luiz Ruffato. O lançamento será celebrado com duas sessões de autógrafos.

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A primeira será em Curitiba, nesta quinta-feira (17), às 19h, na Livraria da Vila do Pátio Batel. E no dia 26 de novembro, das 10h às 11h, a sessão de autógrafos será na tradicional Feira Literária de Paraty (Flip), no litoral do Rio de Janeiro (RJ).

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O trabalho com recordações e imagens da infância é o fio condutor da seleção das crônicas. Nos textos — publicados entre 2009 e 2021 no site Vida breve e no jornal de literatura Rascunho — a memória não funciona apenas como fonte de temas e conteúdos, mas também como motor da criação literária.

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A escrita, embora muitas vezes lírica, desenvolve-se sob o peso de uma infância que se desenha como uma batalha perdida, porém inevitável. Assim, assume-se o compromisso com o passado, encarando-o como uma velha pilha de fotografias.
“Como venho de uma família muito pobre e de pais semianalfabetos, a infância representa uma luta constante para tentar explicar o que sou, quem sou e como cheguei até aqui – a este ‘abismo’ perto dos 50 anos. A infância é um salto possível comigo mesmo o tempo todo”, explica Pereira.

Reminiscências

Ao interpretar as páginas de “Toda cicatriz desaparece”, o leitor que acompanha mais de perto a carreira de Rogério Pereira poderá notar que alguns textos revelam lembranças pulsantes e vivas no corpo, enquanto outros surgem como o retrato de um morto desconhecido que, independentemente de ser lembrado ou não, persiste como assombração, produzindo imagens fugazes e ásperas.

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Transpondo dificuldades no percurso da vida, Pereira fundou em Curitiba, em abril de 2000, o jornal de literatura Rascunho — considerado uma referência entre as publicações culturais brasileiras. Ao ser questionado sobre o que despertou o gosto pela escrita, ele detalha a vontade de mudar para melhor.

“Foi um desejo absoluto de fugir do lugar de onde eu vinha: um lugar escuro, sem leitura, sem livros, sem água encanada, sem banheiro, sem luz elétrica. Um lugar onde era quase impossível olhar ao redor e refletir sobre este entorno”, conta.

Capa: Divulgação

Contexto

Segundo Luiz Ruffato, embora os textos reunidos possam ser lidos como fragmentos de uma autobiografia conturbada, eles formulam, por meio de um depoimento corajoso, uma reflexão importante sobre o passado, não apenas do narrador, mas do Brasil, um passado repleto de injustiças, humilhações, impasses.

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Desse modo, a infância desenha-se como um quadro ambivalente, de alegrias e tristezas exacerbadas em um mundo hostil, em uma cidade que “em vão tentava acolher”, mas, ainda assim, repleta de descobertas possíveis.

Escrita minuciosa

Exigente em suas escritas, por vezes perfeccionista, Rogério Pereira fez pequenos ajustes nos textos para essa edição. Uns receberam cortes; outros, pequenos acréscimos. Títulos foram refeitos na busca de conferir uma maior coesão ao conjunto.

“Evitei repetições entre um texto e outro, pois foram escritos durante um espaço de tempo relativamente longo. Era necessário cotejá-los e ajustar uma coisa ou outra”, ressalta o autor, que tem contos publicados na Alemanha, na França, no Peru, no Equador, na Finlândia e na Argélia.

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Dos primeiros beijos aos destinos trágicos ou banais dos colegas de escola, das derrotas em jogos e brincadeiras às pequenas alegrias de natais de escassez, Rogério Pereira evidencia em seu novo livro que, embora desapareçam, as cicatrizes precisam ser tocadas.

“Rogério Pereira é da família dos escritores que estão sempre remexendo suas próprias feridas, que, singulares em sua manifestação, transformam-se, por conta da linguagem, em experiências comuns a um enorme contingente de pessoas”, completa Luiz Ruffato.

Sobre o autor

Rogério Pereira nasceu em Galvão (SC), em 1973. É jornalista, editor e escritor. Em 2000, fundou em Curitiba o jornal de literatura Rascunho — referência entre as publicações culturais brasileiras. De janeiro de 2011 a abril de 2019, foi diretor da Biblioteca Pública do Paraná.

É autor do romance “Na escuridão, amanhã” (2013), finalista do prêmio São Paulo de Literatura, menção honrosa no Prêmio Casa de Las Américas (Cuba) e publicado na Colômbia (Babel Libros).

Serviço

Sessão de autógrafos do lançamento do livro “Toda cicatriz desaparece”, de Rogério Pereira

  • Data: Quinta-feira, 17 de novembro, às 19h
  • Local: Livraria da Vila do Pátio Batel (Avenida do Batel, n. 1868, piso L3)
  • Toda Cicatriz Desaparece – Editora Maralto (208 p., R$ 44,90) – a venda no local.