A Universidade de São Paulo (USP) e a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) já divulgaram as datas do vestibular de 2027, marcando o início da preparação dos estudantes que desejam ingressar em duas das mais renomadas e concorridas universidades brasileiras.
Na Unicamp, a Comissão Permanente para os Vestibulares (Comvest) informou que as inscrições vão acontecer de 3 a 31 de agosto, pela internet. A primeira fase será realizada em 18 de outubro de 2026, e a segunda, em 29 e 30 de novembro. O prazo para solicitar isenção da taxa de inscrição vai de 11 de maio a 5 de junho.
Segundo a Fundação Universitária para o Vestibular (Fuvest), responsável pelo vestibular da USP, a primeira fase ocorrerá no dia 15 de novembro, e a segunda, em 13 e 14 de dezembro. As inscrições poderão ser feitas entre 17 de agosto e 9 de outubro. Vale lembrar que a primeira fase terá menos questões de múltipla escolha – em vez das tradicionais 90, serão 80 questões, mantido o tempo de prova.
Com as datas já definidas, os estudantes têm cerca de seis meses de preparação para a Unicamp e sete meses para a USP. “Costumo dizer que o calendário do vestibular é o ‘relógio biológico’ da aprovação. Quando a Unicamp e a Fuvest divulgam suas datas, elas estão enviando um recado: o tempo é o recurso mais escasso e valioso do candidato”, diz Renato Júdice de Andrade, diretor pedagógico do COC – plataforma de educação voltada à preparação de escolas e estudantes para vestibulares e desafios acadêmicos.
A partir desse cenário, ajustar a estratégia de estudos deixa de ser uma escolha e passa a ser uma necessidade. Para ajudar nesse processo, o especialista destaca estratégias e características das provas que podem ajudar na preparação dos candidatos. Confira!
Como se preparar para a Unicamp
Antes de mergulhar nos conteúdos, é importante entender que a Unicamp valoriza mais do que o domínio técnico: a prova exige repertório, senso crítico e capacidade de articulação entre diferentes áreas do conhecimento. Por isso, a preparação precisa ir além da memorização e focar uma leitura mais ampla e conectada da realidade. Veja algumas estratégias que podem fazer a diferença:
1. Desenvolva a sensibilidade social
A Unicamp é, possivelmente, o vestibular mais “humanista” e antenado com as tensões do século XXI no Brasil. Ela não quer apenas quem sabe a fórmula; ela quer quem entenda o impacto daquela fórmula na sociedade.
2. Treine a “máscara discursiva” na redação
A redação é a “alma” da prova: diferentemente do Enem, a Unicamp exige gêneros textuais variados, que pode ser um manifesto, um post de rede social, uma carta aberta. Assim, o aluno precisa saber quem ele é no texto e para quem ele está escrevendo.
3. Atente para a interdisciplinaridade
A interdisciplinaridade é uma prática recorrente neste vestibular. O aluno não deve se surpreender ao encontrar, por exemplo, uma questão de Química que exige interpretação de texto de um autor contemporâneo. O segredo é entender que o conhecimento não é uma “gaveta isolada”, mas uma rede conectada.
4. Saiba relacionar as leituras obrigatórias
Em relação às obras obrigatórias, a Unicamp 2027 traz um diálogo potente entre o clássico e o urgente. Há Machado de Assis, com Memórias póstumas de Brás Cubas, Lima Barreto, com Vida e morte de M.J. Gonzaga de Sá, e o tom decolonial em autores como Ailton Krenak (A vida não é útil). A prova exige que o aluno entenda o Brasil e o mundo sob novas perspectivas, que podem respingar até em Geografia e História. A dica é: leia as obras buscando as “pontas soltas” que se conectam com a atualidade.

Como se preparar para a Fuvest
A Fuvest cobra profundidade e consistência. Mais do que rapidez, o exame valoriza a capacidade de análise, interpretação e construção de raciocínio bem fundamentado — especialmente na segunda fase. Por isso, direcionar os estudos com foco nessas exigências pode fazer toda a diferença no desempenho. Confira algumas orientações!
1. Foque as vozes femininas das obras obrigatórias
A Fuvest está passando por uma transformação histórica fascinante. A grande notícia para o ciclo 2027 é a consolidação de uma lista de obras obrigatórias composta integralmente por autoras mulheres, o que pode mudar a perspectiva da prova de Literatura e Português. Estamos falando de nomes como Nísia Floresta (Opúsculo humanitário), Julia Lopes de Almeida (Memórias de Martha), Clarice Lispector (A Paixão Segundo G.H.) e Conceição Evaristo (Canção para ninar menino grande).
2. Desenvolva o olhar analítico
A mudança estrutural de encurtar a primeira fase para 80 questões aumenta o tempo médio por questão, o que sinaliza uma prova menos “maratonista” e mais “analítica”. Isso não significa que ficou mais fácil, mas, sim, que a banca espera respostas mais elaboradas e menos chutes. A Fuvest quer profundidade, não velocidade. É um vestibular que premia o aluno que tem base sólida, e não apenas macetes.
3. Mire na segunda fase
Lembre-se: a Fuvest valoriza o rigor acadêmico. Na segunda fase, a clareza da resposta dissertativa é fundamental. Não basta chegar ao resultado em Matemática; o corretor quer ver a elegância do raciocínio.
Por Lisandra Matias



