A rotina sedentária, marcada por longos períodos sentados e pouca movimentação, vai além do ganho de peso e da perda de condicionamento físico. A falta de atividade física pode, sim, causar tontura e sensação de desequilíbrio, afetando diretamente a qualidade de vida, a segurança e a autonomia nas atividades do dia a dia.
De acordo com Maria Paula Barros, coordenadora do curso de Educação Física da Faculdade Anhanguera Taboão da Serra, o sedentarismo enfraquece músculos importantes para a postura e o equilíbrio, além de prejudicar a circulação sanguínea.
“Quando a pessoa permanece estática por muito tempo, o corpo tem mais dificuldade para manter a estabilidade, especialmente ao se levantar ou mudar de posição rapidamente, pode haver dificuldade para manter o equilíbrio, resultando em tontura e sensação de instabilidade”, explica.
Impacto do sedentarismo no sistema responsável pelo equilíbrio
A especialista destaca que a falta de exercício também impacta o sistema vestibular, responsável pelo equilíbrio corporal. “Sem estímulos regulares de movimento, o organismo responde mais lentamente aos ajustes necessários para manter o corpo equilibrado, aumentando o risco de quedas, principalmente em adultos e idosos”, afirma.
Segundo Maria Paula Barros, o equilíbrio é uma habilidade treinável. “Assim como ocorre com a força muscular, o corpo ‘desaprende’ a se equilibrar quando não é desafiado. A ausência de movimento reduz a eficiência dos mecanismos que mantêm a estabilidade corporal”, pontua.

Movimento como tratamento e prevenção
De acordo com Maria Paula Barros, a prática regular de atividade física contribui para o fortalecimento muscular, melhora da coordenação motora, estímulo do sistema cardiovascular e manutenção da resposta vestibular.
Entre as principais recomendações para reduzir episódios de tontura e insegurança ao caminhar, estão:
- Caminhar pelo menos 30 minutos por dia, sempre que possível. Cardiopatas, hipertensos e pessoas com outras condições devem praticar exercícios apenas sob orientação de profissional de Educação Física com registro no Conselho Regional de Educação Física;
- Praticar exercícios de fortalecimento muscular, como musculação ou treino funcional;
- Incluir alongamentos na rotina para melhorar a mobilidade;
- Realizar atividades que trabalhem equilíbrio e propriocepção, como pilates e yoga;
- Evitar longos períodos sentados sem pausas para se movimentar.
“A atividade física não precisa ser intensa para trazer benefícios. O mais importante é a regularidade e a orientação adequada, respeitando os limites de cada pessoa”, orienta a coordenadora.
Quando procurar ajuda médica
Caso a tontura e a falta de equilíbrio sejam frequentes ou venham acompanhadas de outros sintomas, como visão turva, náuseas ou desmaios, é fundamental buscar avaliação médica para descartar outras causas clínicas.
“Movimentar o corpo é uma forma simples e eficaz de cuidar da saúde. Combater o sedentarismo é investir em autonomia, bem-estar e qualidade de vida”, conclui Maria Paula Barros.
Por Priscila Dezidério