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Vai pintar a pele para a Copa do Mundo? Saiba como utilizar tintas com segurança

Utilizar tintas inadequadas pode causar irritações e alergias na pele (Imagem: Pedro Ignacio | Shutterstock)

Durante a Copa do Mundo, as cores da bandeira brasileira ganham espaço também no rosto e no corpo dos torcedores. Pinturas faciais, maquiagens temáticas e desenhos com as cores da Seleção fazem parte da tradição de quem quer demonstrar apoio ao Brasil nos dias de jogo.

Mas, antes de transformar a pele em uma tela verde e amarela, é importante prestar atenção aos produtos utilizados. O uso de tintas inadequadas pode causar desde irritações leves até reações alérgicas mais intensas, especialmente quando a pele fica exposta ao sol, ao suor e ao contato prolongado com os produtos.

Segundo o dermatologista Victor Bechara, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), alguns cuidados simples ajudam a evitar problemas e garantem que a torcida seja marcada apenas pela comemoração. Confira!

Cuidados antes de aplicar a maquiagem ou a tinta na pele

Para garantir mais segurança e reduzir o risco de irritações, é importante preparar a pele adequadamente antes de utilizar a maquiagem ou a tinta. “Antes da aplicação, a pele deve estar limpa e protegida com filtro solar. Essa etapa ajuda a reduzir o risco de irritações e cria uma barreira de proteção, principalmente para quem vai passar muitas horas ao ar livre”, explica o médico.

Também vale conferir as informações da embalagem. O ideal é utilizar apenas maquiagens e tintas faciais próprias para uso cosmético, dermatologicamente testadas e regularizadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Atenção na hora da compra do produto

Nem todo produto colorido é adequado para contato com a pele. Um dos erros mais comuns é utilizar tintas guache, tintas para tecido e outros materiais de papelaria para fazer pinturas faciais. Além disso, é importante verificar se a embalagem informa composição, fabricante, lote e prazo de validade. Produtos sem essas informações ou de origem duvidosa devem ser evitados.

Além disso, “atóxico” na embalagem não representa que um produto é seguro para o rosto. Segundo Victor Bechara, o termo significa apenas que o item não apresenta risco significativo de intoxicação em condições normais de uso. Isso não quer dizer que ele tenha sido testado ou aprovado para aplicação na pele, especialmente em áreas mais sensíveis, como o rosto e a região dos olhos.

Mãos feminina mexendo em tinta facial com pincel. A frente, paletas de maquiagem
É importante ficar atento à lista de ingredientes dos produtos, pois alguns podem ter potencial alergênico (Imagem: New Africa | Shutterstock)

Substâncias que merecem atenção

Alguns componentes encontrados em tintas de papelaria estão entre os principais responsáveis por irritações e alergias de contato. Por isso, atente-se a:

1. Isotiazolinonas (MI, MCI e BIT)

Presentes em tintas guache, tintas para tecido e colas líquidas, estão entre as substâncias mais associadas à dermatite de contato. Podem causar vermelhidão, coceira e pequenas bolhas.

2. Liberadores de formaldeído

Substâncias como hidantoína DMDM, imidazolidil ureia e diazolidil ureia são utilizadas como conservantes em alguns produtos aquosos. Com o tempo, podem liberar pequenas quantidades de formaldeído, conhecido pelo potencial alergênico.

3. Fragrâncias, resinas e acrilatos

Também podem desencadear reações em pessoas sensíveis, principalmente após contato prolongado com a pele.

Sinais de reações na pele

As reações na pele podem se manifestar de diferentes formas e nem sempre aparecem imediatamente após o uso. “Vermelhidão, coceira, ardência, sensação de queimação, descamação, inchaço e até bolhas estão entre os sintomas mais comuns. As reações podem surgir logo após a aplicação, mas também podem aparecer horas ou até dias depois do contato com o produto”, explica Victor Bechara.

Ao notar qualquer sinal de irritação, a recomendação é remover imediatamente a maquiagem ou a tinta, lavar a região com água e procurar orientação dermatológica. “Em alguns casos, pode ser necessário realizar testes de contato para identificar a substância responsável pela reação e evitar novos episódios”, conclui o dermatologista.

Por Júlia Zanon / Edicase

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