Com a proximidade do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2026, saber administrar o tempo e conhecer os critérios de correção da prova pode ajudar a se preparar e a evitar erros que comprometam a nota. Marcada para 8 e 15 de novembro, a avaliação será aplicada em dois domingos. No primeiro dia, os estudantes terão cinco horas e meia para responder a 90 questões e elaborar uma redação de até 30 linhas. No segundo, serão cinco horas para resolver outras 90 questões de múltipla escolha.
Segundo Michela Mendes, professora de História e História da Arte do Colégio Marista Presidente Prudente, insistir em questões difíceis é um dos erros mais comuns. “Muitas vezes, o estudante se sente desafiado por uma questão mais complexa e fica muito tempo tentando resolvê-la. Isso compromete o andamento da prova e pode prejudicar o desempenho geral”, explica.
A estratégia é importante porque o Enem utiliza a Teoria de Resposta ao Item (TRI), metodologia que considera não apenas a quantidade, mas também o padrão de acertos. Além disso, na redação, o candidato precisa ficar atento a cinco competências que valem até 200 pontos cada, além de evitar o chamado “repertório de bolso”, formado por citações prontas utilizadas sem relação consistente com o tema.
Para ajudar os estudantes nessa reta final, a professora reúne algumas orientações. Confira!
1. Priorize as revisões e os erros recorrentes
Com poucos dias até o exame, a recomendação é retomar conteúdos já estudados, principalmente aqueles em que o estudante costuma errar. Em vez de tentar aprender muitos assuntos novos, vale revisar provas anteriores e identificar se as dificuldades estão relacionadas ao conteúdo, à interpretação ou à falta de atenção. Questões com gráficos, tabelas e textos interdisciplinares merecem atenção, já que exigem a aplicação prática dos conhecimentos.
2. Entenda a TRI: questões difíceis não valem necessariamente mais
Diferentemente de provas que atribuem pontuação fixa a cada acerto, o Enem utiliza a TRI, que considera a dificuldade e outras características das questões, além da coerência do padrão de respostas. Por isso, acertar uma questão difícil não significa, automaticamente, ganhar mais pontos. Um candidato que acerta questões complexas, mas erra muitas consideradas fáceis, pode apresentar um padrão de respostas menos consistente. A orientação é garantir os acertos nas perguntas dominadas antes de investir muito tempo nas mais difíceis.
3. Na redação, evite o “repertório de bolso” e conheça os critérios de correção
A redação vale até mil pontos, distribuídos igualmente entre cinco competências: domínio da norma-padrão da língua portuguesa, compreensão do tema, desenvolvimento da argumentação, coesão textual e proposta de intervenção. Cada um vale até 200 pontos, sem peso dobrado. Um dos cuidados é evitar citações decoradas, chamadas de “repertório de bolso”, inseridas apenas para demonstrar conhecimento.
Referências históricas, filosóficas e culturais precisam estar relacionadas ao tema e contribuir efetivamente para o argumento. Na conclusão, a proposta de intervenção deve apresentar elementos como ação, agente responsável, meio de execução, finalidade e detalhamento. Também é importante evitar a fuga ao tema, que pode zerar a redação.

4. Leia primeiro o comando das questões
Como o Enem apresenta enunciados extensos, identificar o que está sendo solicitado antes de analisar o texto de apoio pode tornar a leitura mais direcionada. Expressões como “de acordo com o texto”, “principal consequência” ou “objetivo da medida” ajudam a localizar a informação necessária. A estratégia é especialmente útil em questões que combinam gráficos, imagens e textos, mas não dispensa a leitura do contexto completo antes de marcar a resposta.
5. Reserve tempo para o gabarito e saiba como funcionam os pesos
Deixar o preenchimento do cartão-resposta para os últimos minutos aumenta o risco de erros. A recomendação é reservar cerca de 20 minutos e conferir a correspondência entre as questões e as alternativas marcadas.
“Preencher o gabarito também exige atenção. Se o estudante deixa para os minutos finais, corre o risco de errar por pressa ou até não conseguir finalizar”, alerta Michela Mendes. Também vale lembrar que, embora as questões objetivas não tenham pesos fixos por disciplina na correção do Enem, instituições de ensino superior podem atribuir pesos diferentes às notas das áreas do conhecimento, conforme o curso e as regras de seleção.
6. Preserve o descanso e evite a sobrecarga na véspera
Na reta final, estudar por muitas horas seguidas pode aumentar o cansaço e dificultar a concentração. A orientação é manter horários regulares de sono, fazer pausas e evitar mudanças bruscas na rotina. Também é importante conferir antecipadamente o local de prova, os documentos necessários e o trajeto. Na véspera, revisões leves e organização dos materiais tendem a ser mais úteis do que tentar aprender grandes volumes de conteúdo novo.
Por Franciele Ferreira