Quando falamos em menopausa, os famosos “calorões” costumam fazer parte das associações mais típicas. Mas o fim dos ciclos menstruais envolve uma transformação hormonal que afeta diferentes partes do organismo. Mudanças no sono, redução da massa muscular, alterações na composição corporal, perda de massa óssea, ressecamento vaginal e oscilações na libido são algumas das manifestações que podem surgir durante a transição.

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Embora muitas mulheres já percebam essas mudanças antes dos 50 anos, isso não significa necessariamente uma menopausa precoce. A menopausa natural ocorre, em média, por volta dos 50 anos e é definida após 12 meses consecutivos sem menstruação. Quando acontece antes dos 40 anos, o quadro requer uma avaliação específica e pode estar relacionado à insuficiência ovariana prematura.

Impactos da redução de estrogênio no organismo

Segundo o ginecologista endócrino Dr. Igor Trotte, a redução progressiva da produção de estrogênio ajuda a explicar por que os efeitos vão muito além do sistema reprodutivo. “O estrogênio atua em diferentes tecidos e sistemas. Por isso, quando seus níveis diminuem, a mulher pode perceber mudanças que aparentemente não têm relação com a menopausa, como piora do sono, alterações na distribuição da gordura corporal, redução da massa muscular e mudanças no desejo sexual”, explica.

O estudo “The Impact of the Menopausal Transition on Body Composition and Abdominal Fat Redistribution”, publicado em 2026 no Journal of Clinical Medicine, reforça a dimensão dessas mudanças. Após a análise clínica de 325 mulheres, foi identificada uma queda na massa magra, da massa muscular esquelética e uma maior concentração de gordura na região abdominal na pós-menopausa em comparação àquelas na pré e perimenopausa. Os autores do estudo também destacam a importância de observar a gordura visceral, especialmente por sua relação com o risco cardiometabólico.

Mulher sentada à mesa em uma cozinha, sorrindo enquanto segura um garfo com um pedaço de brócolis. Ela tem o cabelo curto preto e veste uma regata azul e tem um prato com vegetais à sua frente, além de uma tigela com frutas ao lado.
Uma alimentação equilibrada é fundamental durante a transição para a menopausa (Imagem: Monkey Business Images | Shutterstock)

Músculos, metabolismo e ossos também sentem os efeitos

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Diante dessas transformações, o cuidado nessa fase não deve se concentrar apenas no peso indicado pela balança. Preservar a força e a saúde muscular, manter uma alimentação adequada e praticar exercícios, especialmente os que envolvem fortalecimento muscular, são medidas importantes. O acompanhamento de pressão arterial, glicemia e colesterol também ganha relevância diante das mudanças metabólicas que podem ocorrer com o avanço da idade e a transição hormonal.

Os ossos também merecem atenção. A queda do estrogênio acelera a perda de massa óssea e, ao longo do tempo, pode contribuir para o desenvolvimento de osteopenia e osteoporose. “Não devemos esperar uma fratura acontecer para pensar na saúde óssea. A menopausa é uma oportunidade para avaliar fatores de risco, histórico familiar, alimentação, atividade física e, quando houver indicação, investigar a densidade mineral óssea”, destaca o Dr. Igor Trotte.

Sono e sexualidade podem mudar

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Dificuldade para dormir, despertares durante a madrugada e sono pouco reparador podem aparecer nessa fase, inclusive associados aos suores noturnos. Na vida sexual, a redução hormonal pode favorecer ressecamento vaginal, desconforto durante as relações e alterações na libido. Outro aspecto que merece acompanhamento é a saúde cardiovascular. Pressão arterial, colesterol, glicemia, peso, tabagismo, alimentação, prática de exercícios e histórico familiar precisam ser considerados de forma conjunta.

“A menopausa não deve ser encarada como uma doença, mas também não precisa ser atravessada ignorando sintomas que afetam a qualidade de vida. O acompanhamento individualizado permite entender o que está acontecendo com aquela mulher, avaliar riscos e discutir as possibilidades de cuidado e tratamento de acordo com cada caso”, conclui o Dr. Igor Trotte.

Por Juliana Magalhães