Aos 40 anos, cuidar da saúde com mais consciência deixa de ser opcional. As mudanças pelas quais o organismo feminino atravessa nessa etapa — sobretudo em função da aproximação da menopausa — exigem um olhar preventivo e sistemático, capaz de identificar alterações antes que evoluam para condições mais graves.
“Adiar ou não realizar exames médicos aos 40 anos pode levar uma mulher a receber diagnóstico tardio de doenças graves, muitas vezes quando as enfermidades já estão em fases avançadas e com menor chance de tratamento”, afirma Juliana Corrêa, médica da área de ginecologia do AmorSaúde. “Quando os exames detectam alterações cedo, é possível intervir com mudanças no estilo de vida e, quando necessário, com medicações, prevenindo doenças e reduzindo complicações”, relata.
A especialista destaca a importância do acompanhamento médico nessa fase da vida. “Ao chegar aos 40 anos, é importante que a mulher faça uma avaliação de saúde com foco na prevenção“, ressalta. De acordo com a médica, os 10 principais exames que devem ser feitos nessa idade são:
1. Aferição da pressão arterial
O teste deve ser feito pelo menos uma vez ao ano e permite detectar hipertensão, doença que aumenta o risco de problemas no coração.
2. Exame de colesterol (lipidograma)
O exame permite diagnosticar alterações do colesterol, um dos principais fatores de risco para doenças cardiovasculares. Deve ser feito a cada 5 anos, ou com maior frequência se houver histórico de doenças cardíacas na família.
3. Cálculo do índice de massa corporal (IMC)
O teste identifica risco de magreza ou sobrepeso, permitindo que um profissional desenvolva uma dieta adequada para o paciente e sugira mudanças no estilo de vida. Deve ser feito pelo menos uma vez ao ano.
4. Avaliação da glicemia
Permite encontrar sinais de diabetes e detectar precocemente a doença, evitando complicações futuras. O teste deve ser feito a cada 3 anos, ou anualmente se houver fatores de risco, como histórico familiar.

5. Mamografia
Permite identificar lesões nas mamas e atua como ação preventiva ao câncer de mama. Isso garante tratamento simples, com mais chances de cura e menor impacto na qualidade de vida da mulher. Deve ser realizado anualmente depois dos 40 anos.
6. Exame nas mamas
O exame feito pelo médico permite um diagnóstico complementar e a busca por nódulos na região. O teste deve ser feito anualmente por um profissional da área da saúde.
7. Papanicolau ou teste de HPV
Identificam alterações que podem evoluir para câncer do colo do útero. O papanicolaou deve ser feito a cada três anos, após dois exames normais consecutivos. Já o teste de HPV deve ser feito a cada cinco anos, caso o resultado seja negativo.
8. Sorologia
Permite a detecção de infecções sexualmente transmissíveis, como HIV, sífilis, hepatites B e C. Os exames possibilitam a identificação das doenças para tratamento adequado e reduzem complicações como infertilidade, problemas no fígado e alterações neurológicas. Devem ser feitos pelo menos uma vez na vida, ou conforme exposição de risco ou gestação.
9. Colonoscopia
O teste permite detectar risco de câncer colorretal, pólipos e outras doenças. Deve ser feito a partir dos 50 anos, ou antes em casos específicos como histórico familiar da doença, e repetido a cada 10 anos se o paciente não tiver fatores de risco.
10. Densitometria óssea
É indicado, principalmente, para mulheres que passaram dos 65 anos, ou 50 anos em casos de tabagismo, consumo de álcool ou menopausa precoce. Detecta osteopenia, ou seja, diminuição da massa óssea e osteoporose, que é a doença causada pela fragilidade óssea.
A médica afirma que esses exames ajudam a identificar doenças comuns na população feminina e que são silenciosas. “Condições como hipertensão, diabetes e colesterol elevado muitas vezes não causam sintomas, mas aumentam significativamente o risco de infarto e AVC (acidente vascular cerebral)”, sintetiza.
Casos especiais
Juliana Corrêa diz que alguns exames devem ser feitos apenas quando uma mulher apresenta sintomas mais alarmantes, como dor na pelve, dor ao urinar ou inchaço na região da pelve: “a ultrassonografia transvaginal não faz parte do check-up tradicional, ela só deve ocorrer quando há suspeita de alguma condição específica, não como rastreamento”, explica.
A médica também esclarece que mulheres que possuem condições de risco devem iniciar exames mais cedo ou realizá-los com maior frequência. Entre os fatores que exigem mais atenção, ela lista:
- Histórico familiar de câncer (mama, ovário ou intestino);
- Obesidade ou sobrepeso;
- Tabagismo;
- Alcoolismo;
- Síndrome dos ovários policísticos;
- Doenças crônicas;
- Imunossupressão;
- Menopausa precoce.
Por fim, a profissional defende que os testes não sejam realizados apenas quando alguém sente desconforto. “Cuidar da saúde não deve começar apenas quando surgem sintomas. Hoje, com a evolução da medicina, já é possível detectar alterações de saúde em fases iniciais, o que aumenta significativamente as chances de tratamento eficaz e reduz riscos futuros”, explica.
Por Fellipe Gualberto



