O setor de beleza segue em expansão no Brasil, impulsionado pela valorização do autocuidado e pela busca crescente por experiências personalizadas. Em 2024, o mercado nacional de produtos de higiene pessoal, perfumaria e cosméticos registrou crescimento superior a 10%, movimentando R$ 173,4 bilhões, segundo dados da Euromonitor International

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Paralelamente ao avanço da indústria de produtos, o segmento de serviços de beleza também passa por uma transformação, refletindo novas demandas do consumidor e estimulando modelos de negócio mais estratégicos e diferenciados.

A ascensão dos salões autorais 

É nesse ambiente de transformação que se destacam os chamados salões autorais. Diferentemente do modelo tradicional, centrado apenas na execução técnica dos serviços, esses espaços são estruturados a partir de um conceito próprio, com identidade estética definida, curadoria de profissionais e foco na experiência completa do cliente. O salão deixa de ser apenas um local de atendimento e passa a funcionar como uma marca, com posicionamento claro e proposta alinhada a valores, estilo de vida e propósito.

A mudança acompanha a evolução do comportamento do público, que passa a buscar não apenas procedimentos estéticos, mas experiências mais amplas e conectadas ao seu estilo de vida. Para Andreia Bessa, gestora de negócios e sócia proprietária do salão Blér, o consumidor atual valoriza relações mais significativas com as marcas. 

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“Hoje o cliente não procura apenas um serviço estético. Ele busca bem-estar, personalização e identificação com o propósito do espaço. A experiência passou a ser tão importante quanto o resultado final”, afirma. Como consequência, o empreendedorismo na beleza se reinventa, exigindo uma atuação mais estratégica e multidisciplinar.

Novas competências ganham espaço nos salões 

O avanço do setor também está relacionado à ampliação do acesso à informação, à profissionalização dos negócios e à diversificação das ofertas. Se antes muitos estabelecimentos eram estruturados prioritariamente na execução operacional dos serviços, hoje cresce a demanda por competências ligadas à gestão, branding, experiência do cliente e sustentabilidade. Essa evolução também redefine o papel dos profissionais dentro dos negócios de beleza.

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A valorização das equipes passou a ser um dos pilares desse novo modelo. Em salões autorais, os profissionais deixam de atuar apenas como prestadores de serviços e passam a integrar a identidade do espaço, participando da construção da experiência oferecida ao cliente. A curadoria profissional considera não apenas a técnica, mas também afinidade estética, alinhamento de valores e capacidade de atendimento consultivo.

Nesse formato, o serviço torna-se menos padronizado e mais personalizado. Diagnósticos individuais, escuta ativa e acompanhamento contínuo passam a fazer parte da jornada, fortalecendo a relação de confiança entre profissional e cliente. O atendimento deixa de ser exclusivamente transacional e assume caráter mais relacional, em que cada etapa — do primeiro contato ao pós-atendimento — contribui para a percepção de valor do negócio.

Mulher ajudando a outra a escolher a tinta de cabelo para usar no salão de beleza
Práticas sustentáveis começam na escolha dos produtos utilizados (Imagem: PeopleImages | Shutterstocks)

Sustentabilidade entra na pauta da beleza 

Além da experiência do cliente, práticas responsáveis ganham protagonismo dentro dessa nova lógica de gestão. Questões ambientais, sociais e de governança começam a influenciar decisões estratégicas, desde a escolha de fornecedores e produtos até a organização interna das equipes e o impacto gerado na comunidade.

Para Thaisa Damo, especialista e consultora em sustentabilidade e responsabilidade social e co-fundadora do salão Blér, essa mudança acompanha uma transformação mais ampla do setor. “A beleza passa por um processo de conscientização. O consumidor quer entender a origem dos produtos, os impactos do consumo e como as empresas se posicionam diante de questões sociais e ambientais. Incorporar responsabilidade ao negócio deixou de ser tendência e passou a integrar a construção de valor das marcas”, explica.

Segundo a especialista, iniciativas ligadas à redução de resíduos, consumo consciente, valorização profissional e relações de trabalho mais equilibradas vêm se consolidando como critérios relevantes tanto para clientes quanto para novos talentos do mercado. A incorporação dessas práticas evidencia um movimento mais amplo de amadurecimento do setor de beleza.

Os salões autorais surgem como expressão dessa transformação, em que técnica, gestão e propósito passam a caminhar de forma integrada. Mais do que acompanhar tendências estéticas, esses espaços respondem a mudanças culturais mais profundas, conectadas à busca por experiências significativas e modelos de negócio sustentáveis.

Por Marcela Pedrassoli