Para conquistar uma nota alta na redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), não basta dominar a gramática e a estrutura do texto. É preciso construir uma argumentação sólida e conectar as referências ao tema proposto. A cartilha de redação do Enem 2026, divulgada pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), alerta para o chamado “repertório de bolso”: citações, conceitos e referências memorizadas que são usados de forma genérica, sem contribuir efetivamente para a discussão.

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A estrutura da redação permanece a mesma. Os participantes deverão produzir um texto dissertativo-argumentativo de até 30 linhas, defendendo um ponto de vista sobre o assunto apresentado. A avaliação continua baseada em cinco competências, que, juntas, podem somar até 1.000 pontos. Para Renata Bordallo, coordenadora pedagógica do Colégio Marista São José – Tijuca, a orientação reforça a importância de desenvolver a capacidade de interpretação e argumentação, em vez de depender de modelos prontos.

“O aluno precisa entender que não existe uma citação mágica que funciona para qualquer tema. O repertório só faz sentido quando ajuda a explicar aquilo que ele está defendendo. Mais do que decorar frases, é importante saber ler o tema, compreender o problema apresentado e construir uma relação verdadeira entre a referência e o argumento”, explica.

1. Evite citações que não dialogam com o tema

Um dos pontos destacados na cartilha é a necessidade de utilizar referências que contribuam para o desenvolvimento do raciocínio. Na prática, isso significa que mencionar um filósofo, uma obra literária ou um acontecimento histórico não garante, por si só, uma boa argumentação.

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O estudante precisa explicar por que aquela referência é pertinente e de que maneira ela ajuda a sustentar o ponto de vista apresentado. A cartilha ainda traz exemplos de redações que alcançaram bom desempenho no Enem 2025, acompanhados de comentários pedagógicos que ajudam a compreender os critérios de avaliação.

2. Construa argumentos próprios

Mais do que apresentar informações e referências, o participante precisa demonstrar que compreendeu a proposta e consegue desenvolver uma linha de raciocínio. Para isso, é importante interpretar o tema, identificar o problema central e organizar as ideias de forma coerente. O repertório sociocultural deve funcionar como um apoio à argumentação, e não como um elemento isolado inserido apenas para demonstrar conhecimento.

Uma jovem de cabelos castanhos longos, usando camisa xadrez, está sentada em uma carteira escolar concentrada escrevendo em uma folha de papel. Ao fundo, em desfoque, um rapaz também escreve em sua própria mesa
Na proposta de intervenção, é preciso indicar quem deve agir, quais medidas adotar e quais resultados alcançar (Imagem: Gorgev | Shutterstock)

3. Apresente uma proposta de intervenção completa

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Outro aspecto importante da redação é a proposta de intervenção, que deve apresentar uma solução para o problema discutido ao longo do texto e respeitar os direitos humanos. Não basta apontar que determinada situação precisa mudar. É necessário indicar quem pode agir, quais medidas podem ser adotadas e quais resultados são esperados.

“Uma redação bem construída mostra que o estudante entende o problema e consegue desenvolver uma linha de raciocínio até a conclusão. A proposta de intervenção precisa nascer do que foi discutido ao longo do texto. Por isso, o aluno deve evitar soluções genéricas e pensar em quem pode agir, como essa ação pode acontecer e qual resultado pretende alcançar”, afirma Renata Bordallo.

4. Pratique a escrita e revise os próprios textos

Com a proximidade do exame, a recomendação é priorizar atividades que ajudem a desenvolver a escrita e a capacidade de argumentação. Ler textos de diferentes gêneros, acompanhar assuntos atuais e praticar redações são algumas estratégias para ampliar o repertório sociocultural e aprender a relacionar conhecimentos a diferentes propostas.

A revisão dos próprios textos também merece atenção. Identificar dificuldades de interpretação, problemas na organização das ideias e argumentos pouco desenvolvidos permite compreender os erros e aprimorar a escrita. Em vez de memorizar estruturas e citações para tentar encaixá-las em qualquer proposta, o estudante deve investir na compreensão dos temas e na construção de um raciocínio próprio.

A redação do Enem 2026 será aplicada no primeiro dia de provas, em 8 de novembro, junto com as questões de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias e Ciências Humanas e suas Tecnologias. O segundo dia de exame está previsto para 15 de novembro.

Por Jéssica Flausino