O período após o parto costuma ser retratado como uma fase naturalmente feliz, mas a realidade pode envolver insegurança, cansaço extremo e emoções difíceis de nomear. Mudanças hormonais, nova rotina e cobranças externas se misturam de forma intensa.

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Nesse contexto, a psicologia puerperal surge como um campo voltado à compreensão dessas vivências emocionais, ajudando a dar sentido ao que muitas mulheres sentem logo após a chegada do bebê. O foco está na escuta, no acolhimento e na adaptação a uma fase marcada por transformações profundas.

Importância do acompanhamento psicológico

De acordo com a professora Luciene Alves, coordenadora do curso de Psicologia da Faculdade Anhanguera, o acompanhamento psicológico é fundamental para garantir o bem-estar da mãe e do bebê após o parto.

“O puerpério é um momento de grandes mudanças hormonais, físicas e emocionais. A mulher precisa se adaptar à nova rotina, ao papel de mãe e às expectativas da sociedade, muitas vezes sem o apoio necessário. A psicologia puerperal ajuda a reconhecer e acolher essas emoções, prevenindo transtornos mais graves”, explica.

Mulher sentada segurando um bebê recém-nascido
Cerca de 26% das mulheres no Brasil apresentam sintomas de depressão pós-parto (Imagem: Noelia photographer | Shutterstock)

Depressão pós-parto e tristeza puerperal

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Segundo dados da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), cerca de 26% das mulheres no Brasil apresentam sintomas de depressão pós-parto, enquanto a chamada “tristeza puerperal”, que causa choro fácil e instabilidade emocional nos primeiros dias após o parto, afeta até 80% das mães.

“É importante diferenciar o que é uma adaptação emocional natural e o que pode ser um sinal de alerta. Se a tristeza persiste por mais de duas semanas ou interfere nas atividades diárias, é hora de buscar ajuda profissional”, orienta a coordenadora.

Psicologia puerperal ajuda no cuidado materno

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Além da escuta acolhedora, o psicólogo que atua nessa área também auxilia na reconstrução da autoestima, na reorganização da rotina e na melhora do vínculo entre mãe e bebê. “Muitas vezes, o simples fato de a mulher poder falar sobre seus medos sem julgamento já traz alívio. A psicoterapia oferece esse espaço de cuidado e compreensão”, completa Luciene Alves.

Acompanhamento desde a gravidez

A especialista reforça ainda que o suporte emocional não deve ser procurado apenas quando há sofrimento. O ideal é que a gestante tenha acompanhamento psicológico desde a gravidez, preparando-se para as mudanças que virão após o parto.

“A saúde mental materna precisa ser vista como parte essencial do pré-natal e do pós-parto. Mães bem-cuidadas emocionalmente cuidam melhor de seus filhos”, conclui.

Por Priscila Deziderio