Você recebe vários elogios pelo trabalho que realizou, mas basta uma pessoa fazer uma crítica para que justamente aquele comentário continue voltando à sua cabeça horas depois. O mesmo pode acontecer ao publicar uma foto: mesmo diante de diversas mensagens positivas, a atenção acaba se concentrando naquela única opinião desagradável. Essa situação é bastante comum e não significa necessariamente que os elogios tenham sido menos importantes.

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Segundo Patrícia Fernanda Barbosa Dutra, coordenadora de Psicologia da Faculdade Anhanguera, uma das explicações está relacionada à chamada tendência à negatividade, fenômeno estudado pela Psicologia que ajuda a compreender por que informações e experiências negativas podem receber mais atenção e ter maior impacto emocional do que acontecimentos positivos de intensidade semelhante.

“Nosso cérebro não processa todas as informações com o mesmo peso. Aquilo que percebemos como ameaça, rejeição ou risco tende a chamar mais atenção, porque identificar possíveis problemas sempre teve uma função importante de proteção e adaptação”, explica.

Por que a crítica continua voltando à cabeça?

Além de chamar a atenção no momento em que acontece, uma crítica pode provocar um processo de reflexão repetitiva. A pessoa repassa mentalmente o comentário, pensa no que poderia ter feito diferente e tenta entender o que aquilo significa sobre seu comportamento, sua aparência ou sua capacidade.

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Esse movimento pode ser ainda mais intenso quando a crítica toca em uma insegurança já existente ou vem de alguém cuja opinião é considerada importante. Por isso, dois comentários semelhantes não necessariamente têm o mesmo efeito. Uma observação feita por um desconhecido pode ser rapidamente esquecida, enquanto a mesma frase dita por um chefe, parceiro, familiar ou amigo próximo pode permanecer na memória por muito mais tempo.

Impacto das experiências positivas e negativas

Experiências positivas, reconhecimento e elogios também são importantes para o bem-estar e para a construção da percepção que uma pessoa tem sobre si. A diferença é que, em algumas situações, o negativo pode capturar a atenção de maneira mais imediata.

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O problema surge quando uma crítica isolada passa a ser interpretada como uma avaliação completa sobre quem a pessoa é. “Receber um comentário negativo sobre determinado comportamento ou resultado não significa que tudo o que foi feito esteja errado. É importante conseguir analisar aquela informação dentro do contexto, em vez de permitir que um único feedback invalide todas as outras experiências”, afirma a psicóloga.

Duas mulheres sentadas próximas a uma mesa num escritório, onde uma mulher loira de blusa azul gesticula enquanto fala diretamente com a colega
Avaliar uma crítica de forma mais objetiva ajuda a separar um feedback construtivo de uma opinião isolada (Imagem: PeopleImages | Shutterstock)

Nem toda crítica precisa ser ignorada

Tentar simplesmente rejeitar qualquer comentário desagradável também não é a solução. Uma crítica pode trazer informações úteis e ajudar a identificar comportamentos ou aspectos que podem ser desenvolvidos.

Uma estratégia é avaliar o conteúdo de forma mais objetiva: quem fez o comentário? Existe algo concreto nele? Outras pessoas já apontaram a mesma questão? Há alguma mudança possível ou necessária? Essa análise ajuda a separar um feedback construtivo de uma opinião isolada, uma crítica feita de maneira inadequada ou até um comentário sem fundamento.

Quando a crítica ganha espaço demais

Ficar incomodado após receber uma avaliação negativa faz parte das experiências humanas. No entanto, vale observar quando esse tipo de comentário passa a ocupar espaço desproporcional, provoca sofrimento intenso ou alimenta constantemente sentimentos de inadequação. Também merece atenção quando a pessoa depende excessivamente da aprovação externa para se sentir segura ou evita situações por medo de ser julgada.

“Não se trata de fazer com que nenhuma crítica nos afete. O objetivo é conseguir avaliar o comentário sem transformá-lo automaticamente em uma verdade absoluta sobre nós mesmos. Quando isso se torna muito difícil e começa a interferir na rotina e no bem-estar, o acompanhamento psicológico pode ajudar a compreender esse padrão”, finaliza a professora Patrícia Fernanda Barbosa Dutra.

Por Priscila Dezidério