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O Diabo Veste Prada 2 traz à tona debate sobre congelamento de óvulos e fertilidade feminina

Planejamento da maternidade tem levado mais mulheres a considerar o congelamento de óvulos (Imagem: Alena Menshikova | Shutterstock)

Quase duas décadas após marcar uma geração com os bastidores do universo da moda, “O Diabo Veste Prada 2” retorna com discussões que refletem as mudanças no comportamento feminino ao longo dos últimos anos. Em meio às disputas profissionais e às transformações na vida da personagem vivida por Anne Hathaway, a sequência também aborda temas como planejamento familiar, maternidade tardia e preservação da fertilidade.

O aumento da procura pelo congelamento dos óvulos “acompanha uma mudança de comportamento entre as mulheres, que têm adiado a maternidade por questões profissionais, pessoais ou pela ausência de um parceiro. Além disso, a normalização do tema contribui para reduzir o tabu e estimular cada vez mais pessoas a se informarem e buscarem o procedimento”, explica o Dr. Rodrigo Rosa, especialista em reprodução humana e diretor clínico da clínica Mater Prime, em São Paulo.  

A personagem é um retrato contemporâneo de inúmeras mulheres que adiaram a decisão da maternidade enquanto tentavam construir carreira, autonomia financeira e relacionamentos mais consistentes.

“Hoje, tem crescido muito o que chamamos de congelamento social de óvulos, isto é, mulheres jovens que congelam os seus óvulos numa tentativa de evitar a infertilidade relacionada à idade e de poder ter filhos no momento certo para elas, mais tarde nas suas vidas”, diz o médico.

Como a idade impacta a fertilidade ?

O Dr. Rodrigo Rosa explica que quanto mais jovem a mulher realizar o congelamento, maior será a chance de o óvulo gerar um bebê. “O ideal é que seja realizado até os 35 anos, visto que, a partir dessa idade, há uma queda acentuada não apenas na quantidade de óvulos, mas também na qualidade. Mas é possível congelar os óvulos até 41/42 anos. Após os 43, a probabilidade de o óvulo gerar um bebê é muito reduzida. Não é impossível, mas pode não valer a pena, então cada caso deve ser avaliado individualmente”, explica o especialista. 

Como funciona o congelamento de óvulos ?

O médico explica que o congelamento de óvulos consiste na criopreservação dessas células em nitrogênio líquido na temperatura de -196°C, mantendo o metabolismo completamente inativado, mas preservando o potencial de desenvolvimento e a viabilidade. Todo o processo leva cerca de três semanas. 

“Além de uma bateria de exames para verificar a qualidade dos óvulos, a mulher, inicialmente, deve fazer uso de pílulas anticoncepcionais por uma a duas semanas para desativar temporariamente os hormônios naturais. Em seguida, realizamos injeções de hormônios por cerca de 10 dias para estimular os ovários e amadurecer vários óvulos. É só após amadurecerem adequadamente que os óvulos são coletados, o que é realizado sob efeito de sedação por meio de uma pequena agulha que é inserida na vagina e é guiada por um transdutor até os ovários para que os óvulos sejam aspirados e congelados imediatamente”, explica o médico. 

Nesse processo, alguns efeitos colaterais são esperados, apesar da segurança do procedimento. “Devido ao uso dos hormônios necessários para estimulação ovariana, a mulher pode apresentar sintomas como dor de cabeça, instabilidade emocional, inchaço, náusea e dor muscular. Mas esses sintomas, que são muito similares àqueles da TPM, passam com o fim da estimulação hormonal e podem ser aliviados com o devido acompanhamento médico”, acrescenta o Dr. Rodrigo Rosa.

Uma vez congelados, os óvulos podem permanecer armazenados por um longo período de tempo sem qualquer tipo de prejuízo e, quando a mulher está pronta, é realizada a Fertilização in Vitro (FIV). “Na Fertilização in Vitro, o óvulo é fecundado com o espermatozoide em laboratório, formando o embrião que, após certo tempo de desenvolvimento, é transferido para o útero da mulher”, explica o médico. 

Médica com cabelo curto amarrado em rabo de cavalo usando jaleco branco com mão no ombro da paciente que está com o cabelo amarrado, usando camisa de manga longa marrom
Chances de sucesso do procedimento variam conforme idade e condições clínicas da paciente (Imagem: fizkes | Shutterstock)

Limitações e chances de sucesso do procedimento 

Vale ressaltar, no entanto, que o congelamento dos óvulos não é uma garantia definitiva de gestação no futuro, já que existem diversos fatores que podem interferir na viabilidade do óvulo durante todo o processo.

“Alguns óvulos podem não sobreviver ao degelo, enquanto outros podem não ser fertilizados com sucesso. A idade também é importante, visto que, apesar dos óvulos estarem congelados, a mulher continua a envelhecer e, consequentemente, terá que enfrentar as realidades da gravidez na idade que possui. Mas, já evoluímos muito nesse sentido e, hoje, taxas de descongelamento de óvulos e de fertilização de 75% são esperadas em mulheres de até 38 anos de idade”, destaca o médico.

Planejamento é parte essencial da decisão 

O custo do congelamento de óvulos depende do protocolo de estimulação ovariana, da dose total dos hormônios utilizados, da quantidade de óvulos coletados, do procedimento de vitrificação e do tempo de armazenamento contratado.

“Os valores podem variar de clínica para clínica, mas é preciso colocar no planejamento os custos de todo o processo, incluindo as medicações, o procedimento em si, o armazenamento dos óvulos e, claro, a fertilização in vitro para quando a mulher estiver finalmente pronta para engravidar“, detalha o médico Rodrigo Rosa. 

De modo geral, o planejamento será o fator mais importante para o procedimento, devendo incluir não apenas os custos, mas também a escolha de um médico experiente e especializado em reprodução humana, além da definição de quantos filhos a paciente desejará ter ao longo da vida.

“Com o devido planejamento e acompanhamento, o congelamento de óvulos torna-se uma ferramenta poderosa de ampliação de possibilidades de maternidade e garantia de liberdade de escolhas. Hoje, a mulher pode decidir quando quer engravidar, sem precisar escolher entre carreira ou família. Ela pode preservar a fertilidade enquanto constrói sua estabilidade profissional, financeira e afetiva e, mais tarde, quando se sentir pronta, utilizar esses óvulos para ter uma gravidez bem-sucedida”, finaliza o Dr. Rodrigo Rosa.

Por Maria Claudia Amoroso

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