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Jardim sensorial: veja como criar um espaço que ativa os sentidos humanos

O jardim sensorial desperta sensações, promove relaxamento e estimula uma conexão mais profunda com a natureza (Projeto: Depieri Paisagismo | Imagem: Clausem Bonifacio)

Cada vez mais presente em projetos contemporâneos, o jardim sensorial vai além da estética e propõe uma nova forma de interação com o ambiente. A ideia é transformar áreas verdes em espaços vivos, capazes de despertar sensações, promover relaxamento e estimular uma conexão mais profunda com a natureza.

Combinando espécies vegetais, materiais naturais, texturas, sons e elementos construtivos, esse tipo de espaço paisagístico convida à experiência — seja para desacelerar a rotina, aliviar o estresse ou simplesmente apreciar o momento. Além disso, é feito para estimular, de forma intencional, os sentidos humanos (visão, audição, tato, olfato e, em alguns casos, até o paladar).

Para aprofundar as características desse tipo de espaço, os paisagistas Cleber e Arthur Depieri, do escritório Depieri Paisagismo, comentam os principais aspectos do jardim sensorial a seguir. Confira!

Elementos essenciais

Segundo os profissionais, “um jardim sensorial bem executado deve reunir elementos que favoreçam a experiência multissensorial”. Entre eles, destaca-se a diversidade vegetal planejada, com espécies que oferecem contrastes de texturas, cores, aromas, formas e movimentos. A estimulação tátil também é fundamental, por meio de folhas macias, rugosas, aveludadas ou estruturadas, assim como a presença de elementos aromáticos, com plantas ricas em óleos essenciais naturais. 

Componentes sonoros, como o som do vento nas folhagens e da água em movimento, contribuem para a imersão no espaço (assim como a inclusão de uma música relaxante de fundo, em alguns casos). Por fim, o uso de materiais naturais — como pedra, madeira, cascas de árvore e seixos — reforça a conexão biofílica, enquanto a acessibilidade e a circulação confortável garantem uma interação direta e inclusiva com o ambiente.

“Entre os principais benefícios de um jardim sensorial, destacam-se a redução do estresse e da ansiedade, proporcionada pela conexão com elementos naturais, e a melhora do bem-estar físico e emocional, amplamente evidenciada em estudos de neuroarquitetura e biofilia. Além disso, promove estímulos cognitivos e sensoriais, ao mesmo tempo em que contribui para a valorização estética do ambiente. Por fim, também favorece a criação de espaços mais humanizados, que convidam à pausa e à contemplação”, comenta Cleber Depieri.

Passo a passo

A criação de um jardim sensorial exige planejamento técnico e uma leitura precisa do ambiente. De forma geral, o processo começa com a análise do local — considerando insolação, ventilação, temperatura, umidade e o futuro uso do espaço. Em seguida, define-se o objetivo sensorial do projeto, priorizando os sentidos que se deseja estimular.

“A etapa seguinte envolve a seleção das espécies, levando em conta fatores como resistência climática, nível de manutenção e compatibilidade entre as plantas. Paralelamente, são escolhidos os materiais e as texturas, integrando pisos, caminhos e o mobiliário externo”, explicam.

Também é fundamental o desenvolvimento de um projeto adequado de irrigação e drenagem, que contribui para a longevidade do jardim. Por fim, a execução deve contar com acompanhamento técnico, garantindo que o conceito sensorial seja preservado na implantação.

Jardim sensorial ao lado de uma escada cinza
Jardins sensoriais também podem ser adaptados para apartamentos com metragem reduzida (Projeto: Depieri Paisagismo | Imagem: Clausem Bonifacio)

Espaços internos ou pequenos

É possível criar jardins sensoriais em apartamentos com metragem reduzida. “Mesmo em ambientes enxutos, varandas ou áreas internas, é perfeitamente possível implantar um jardim sensorial. Nesses casos, o projeto deve priorizar espécies multifuncionais, capazes de estimular mais de um sentido simultaneamente, além de plantas aromáticas e táteis, que proporcionam grande impacto sensorial mesmo em pequena escala”, comenta Arthur Depieri.

Adaptações simples ajudam a inserir plantas em ambientes menores. “O uso de jardins verticais e vasos posicionados de forma estratégica também é fundamental para otimizar o espaço disponível. Por fim, a facilidade de manutenção deve ser considerada, especialmente em ambientes internos”, ressalta.

Principais cuidados

Os cuidados com um jardim sensorial vão além da estética e envolvem uma manutenção contínua e criteriosa. “Isso inclui a realização regular de podas, adubação e controle fitossanitário das plantas, bem como a atenção ao crescimento excessivo, que pode comprometer a interação sensorial”, afirmam os paisagistas.

Também é importante prever a reposição de espécies aromáticas, que tendem a perder intensidade ao longo do tempo, além da conservação dos materiais naturais, como madeiras e pedras. “A segurança é outro ponto essencial, especialmente em projetos com a presença de crianças ou pets, exigindo a escolha de espécies não tóxicas e a eliminação de elementos cortantes. Com esses cuidados, o jardim sensorial mantém sua função terapêutica e experiencial ao longo do tempo”, completam.

Por Karina Monteiro

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