Em 8 de agosto, é celebrado o Dia Internacional do Gato, uma data dedicada a homenagear esses animais que conquistam pessoas com sua personalidade única, independência e comportamento cheio de curiosidades. A ocasião também desperta dúvidas comuns entre os responsáveis, como a famosa pergunta sobre quantos “anos humanos” um gato tem.
No entanto, a resposta vai muito além de uma simples comparação entre idades, já que o desenvolvimento dos felinos ocorre em um ritmo diferente do dos humanos e envolve fatores como fase de vida, saúde, alimentação e estilo de vida.
Segundo a médica-veterinária Mayara Andrade, de GranPlus, marca de pet food da MBRF Pet, as tabelas de conversão entre idade felina e humana continuam populares, mas servem mais como curiosidade do que como ferramenta médica. “O que de fato importa é compreender que o organismo do gato passa por transformações distintas ao longo da vida, e que ignorá-las pode comprometer sua saúde a longo prazo”, explica.
Quando começa o envelhecimento dos gatos?
Instituições de referência em medicina felina utilizam classificações por fases da vida para orientar os cuidados de saúde dos gatos. Embora as faixas etárias variem entre as diferentes diretrizes, uma das classificações mais adotadas divide o desenvolvimento em seis etapas:
- Filhote: do nascimento aos 6 meses;
- Júnior: dos 7 meses aos 2 anos; a
- Adulto: de 3 a 6 anos;
- Maduro: de 7 a 10 anos;
- Sênior: de 11 a 14 anos;
- Geriátrico: a partir dos 15 anos.
Na prática, isso significa que um gato de 7 anos, por exemplo, ainda não é considerado idoso, mas já inicia o processo de envelhecimento. A classificação ajuda a compreender que o envelhecimento não começa apenas quando o gato atinge a fase sênior.
“É comum que o responsável associe o envelhecimento apenas aos gatos muito idosos, mas as mudanças no organismo começam antes disso. A partir da fase adulta madura, é importante acompanhar mais de perto a condição corporal, o peso, o comportamento, a saúde como um todo do animal, e adequar a alimentação às necessidades dessa etapa”, afirma Mayara Andrade.
É preciso estar atendo à saúde do animal
Segundo Mayara Andrade, assim como ocorre com os humanos, o envelhecimento dos gatos é gradual. Com o passar dos anos, o metabolismo tende a ficar mais lento, a massa muscular pode diminuir e aumentam as chances de surgirem alterações relacionadas aos rins, às articulações e ao sistema digestivo.
“Ao mesmo tempo, os felinos costumam esconder desconfortos e sinais de doença, o que faz com que muitos responsáveis só percebam que algo está errado quando o quadro já está avançado”, alerta a veterinária. Por isso, é importante ter a recorrência dos check-ups.
Entre os sinais que merecem atenção, estão a redução da disposição para brincar ou subir em móveis, alterações no apetite, aumento da ingestão de água, mudanças na pelagem e no comportamento. O peso também merece acompanhamento: o excesso é um dos principais desafios na vida adulta, enquanto a perda de peso e de massa muscular passa a ser um importante sinal de alerta em gatos idosos.
“Nem toda mudança faz parte do envelhecimento natural. Um gato que deixa de brincar, emagrece sem motivo aparente ou passa a beber muito mais água pode estar sinalizando um problema de saúde. Observar essas mudanças e manter consultas periódicas permite identificar alterações precocemente e aumentar as chances de tratamento”, reforça Mayara Andrade.
Diretrizes da American Animal Hospital Association (AAHA) e da American Association of Feline Practitioners (AAFP), referências mundiais, recomendam pelo menos uma consulta veterinária anual para todos os gatos, e, no caso dos sêniores, o intervalo cai para seis meses, podendo ser ainda menor quando há necessidade de acompanhamento mais minucioso, como no caso do monitoramento de doenças crônicas.

Por que a alimentação também precisa mudar?
Um erro comum entre os responsáveis, segundo Mayara Andrade, é manter o mesmo alimento do início ao fim da vida do animal. As necessidades nutricionais de um gato adulto ou jovem são bem diferentes das de um felino maduro ou sênior. Por isso, insistir na mesma dieta por anos pode significar deixar de suprir demandas específicas de cada fase.
“Nutrir um gato vai muito além de oferecer um alimento completo. Em cada fase da vida, ele apresenta demandas específicas que precisam ser atendidas para favorecer sua saúde e bem-estar. Por isso, é importante escolher alimentos formulados para cada fase e conversar com o médico-veterinário sempre que houver mudanças na idade, na condição corporal ou no estado de saúde”, explica.
Uma alimentação de qualidade e balanceada, segundo a médica-veterinária, ajuda a preservar a massa muscular, manter o peso ideal e promover uma nutrição adequada, com a correta absorção dos nutrientes — fatores que contribuem de maneira efetiva na longevidade do animal.
Garantindo uma vida longa ao pet
Não existe fórmula mágica capaz de prever quantos anos um gato vai viver. Mas, conforme Mayara Andrade, a longevidade se constrói no acúmulo de pequenas decisões tomadas diariamente, como alimentação adequada, controle de peso, estímulo a brincadeiras e atividade física, incentivo à ingestão de água, ambiente enriquecido e visitas regulares ao veterinário.
“No Dia Internacional do Gato, vale lembrar que celebrar esses companheiros também significa olhar para o futuro deles. Pequenas escolhas feitas todos os dias ajudam o gato a envelhecer com mais saúde, conforto e qualidade de vida”, resume.
Por Roberta Muller
