A hipertensão, também chamada de pressão alta, é uma doença silenciosa, pois frequentemente não apresenta sintomas, mas pode se agravar e comprometer o coração, os rins e o cérebro sem que o indivíduo perceba. No Brasil, a condição atinge 29,7% da população e é responsável por cerca de 388 mortes por dia, conforme dados do Ministério da Saúde.

continua após a publicidade

De acordo com Tamara Ribeiro, profissional de cardiologia do AmorSaúde, os hábitos alimentares são determinantes tanto na prevenção quanto no desenvolvimento da doença. “Uma dieta não saudável pode elevar a pressão arterial, sendo considerada um dos principais fatores de risco para hipertensão”, alerta.

Impactos da alimentação na pressão arterial

A cardiologista explica que consumir muito sódio, gorduras saturadas e alimentos ultraprocessados pode aumentar a pressão arterial, enquanto uma dieta equilibrada ajuda a mantê-la sob controle e até a reduzir valores altos.

Segundo ela, alimentos ricos em sódio geram a retenção de água no organismo. Com mais água circulando no sangue, a pressão nos vasos sanguíneos aumenta e o coração precisa se esforçar mais para bombear o líquido. Com o tempo, isso pode causar lesões nas paredes dos vasos, causando infarto ou acidente vascular cerebral (AVC).

continua após a publicidade

Além disso, ela acrescenta que os altos níveis de sódio também sobrecarregam os rins, responsáveis pela filtragem do sangue.

Alimentos ricos em sódio

O sal é um dos principais vilões da pressão arterial. “O ideal seria limitar o consumo de sódio a 1,5 g ou 2 g por dia”, orienta Tamara Ribeiro. No entanto, ela lembra que diversos alimentos industrializados são ricos em sódio e podem elevar a pressão.

continua após a publicidade

Entre os itens que devem ser evitados, tanto por quem tem hipertensão quanto por quem quer prevenir a doença, a médica destaca:

  1. Pães industrializados;
  2. Enlatados, como vegetais em conserva ou peixes;
  3. Fast food, como hambúrgueres;
  4. Lanches prontos, como salgadinhos e biscoitos, incluindo os doces;
  5. Cereais matinais e granola ultraprocessada;
  6. Queijos processados;
  7. Embutidos, como presunto, salsicha e salame, e até mesmo os “magros”, como peito de peru;
  8. Molhos e temperos prontos, como ketchup, mostarda, shoyu, caldo de galinha ou de carne;
  9. Macarrão instantâneo;
  10. Bebidas industrializadas, como sucos de caixinhas e isotônicos;
  11. Refeições congeladas, principalmente as que possuem tempero pronto.
Mulher com cabelo preto solto, usando camiseta branca e camisa de botões xadrez em azul e branco preparando refeição saudável
Adotar uma alimentação equilibrada é essencial para manter a pressão arterial sob controle, prevenir complicações e proteger a saúde (Imagem: My Ocean Production | Shutterstock)

Dieta para controlar a pressão arterial

Para quem deseja prevenir ou controlar a hipertensão, a dieta é uma aliada essencial. […] Devemos evitar o excesso de sal, açúcares, gorduras saturadas ou trans e alimentos ultraprocessados. A dieta DASH também pode ajudar a controlar a pressão alta”, diz Tamara Ribeiro.

A dieta DASH (Abordagens Dietéticas para Interromper a Hipertensão, na sigla em inglês), mencionada pela médica, inclui o consumo de vegetais, grãos (como castanhas, nozes, feijão e lentilha), frutas e proteínas com baixo teor de gordura, além de evitar alimentos ricos em sódio.

“Esses alimentos são ricos em potássio, elemento que ajuda a equilibrar o sódio no corpo. Além disso, possuem fibras, que melhoram a saúde vascular, e antioxidantes, que ajudam a proteger os vasos sanguíneos”, explica.

A médica também recomenda a diminuição do consumo de álcool para ajudar a prevenir a hipertensão. “O máximo recomendado é de duas doses por dia para homens e uma dose para mulheres”, afirma.

Outros hábitos que controlam a hipertensão

Além de manter uma dieta saudável, a médica explica que outros hábitos também podem ajudar a controlar a hipertensão. “A prática regular de exercícios, com cerca de 150 minutos semanais de exercícios moderados, ajuda a diminuir a gordura e a manter a saúde do coração”, ressalta. Entre outras práticas que ajudam a evitar a pressão alta, ela cita:

  • Diminuir a gordura corporal: os altos níveis de gordura favorecem o acúmulo de sódio, o que aumenta a pressão;
  • Não fumar: o uso de cigarros aumenta a pressão arterial e a frequência cardíaca, agravando a hipertensão;
  • Controlar o estresse: o estresse também eleva a pressão arterial. Quando uma pessoa é submetida constantemente a situações estressantes, pode ter mais risco de desenvolver hipertensão;
  • Dormir bem: durante o sono, a pressão arterial é regulada. Sendo assim, dormir pouco pode aumentar o risco de desenvolver pressão alta.

Fatores e sinais de risco

A cardiologista explica que alguns dos principais fatores de risco para a hipertensão incluem histórico familiar, excesso de peso, sedentarismo, alimentação inadequada, idade avançada e estresse excessivo. Por se tratar de uma doença silenciosa, ela alerta que quem se enquadra em algum desses fatores deve medir a pressão regularmente e procurar um médico caso os valores ultrapassem 12 por 8, o que já indica pré-hipertensão.

Para finalizar, Tamara Ribeiro alerta que certos sintomas podem indicar que a pressão arterial está elevada ou fora de controle. Entre eles, estão dores de cabeça constantes, tontura, visão turva, falta de ar, dores no peito, palpitações, sangramentos pelo nariz e zumbidos nos ouvidos. Se algum desses sinais aparecer, é importante buscar atendimento médico imediatamente.

Por Fellipe Gualberto