Algumas doenças ainda são associadas a públicos específicos, o que faz muitas pessoas negligenciarem o acompanhamento da própria saúde por acreditarem estar fora do grupo de risco. No entanto, a hipertensão arterial, por exemplo, também conhecida como pressão alta, tem chamado a atenção justamente por atingir cada vez mais pessoas jovens — e até crianças e adolescentes.

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O alerta ganha força com a chegada do Dia Mundial da Hipertensão, celebrado em 17 de maio, data criada para conscientizar a população sobre a importância da prevenção, do diagnóstico precoce e dos cuidados com a saúde cardiovascular. Porém, o debate vai além dos idosos e passa a envolver uma faixa etária cada vez mais jovem.

Hipertensão arterial atinge pessoas mais jovens

A revista britânica The Lancet publicou o estudo “Global prevalence of hypertension among children and adolescents aged 19 years or younger: an updated systematic review and meta-analysis”, mostrando que, nos últimos 20 anos, o número de jovens de até 19 anos com hipertensão praticamente dobrou no mundo. Em 2000, essa faixa etária representava cerca de 3,2% dos casos; em 2020, o índice chegou a aproximadamente 6,2%.

A tendência é acompanhada pela preocupação das entidades médicas. Atualmente, a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) recomenda avaliações cardiovasculares precoces a partir dos 20 anos, especialmente diante do aumento de fatores de risco relacionados ao estilo de vida.

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Para o coordenador de cardiologia do Hospital e Maternidade São Luiz Anália Franco, Dr. Rafael Domiciano, o crescimento dos casos entre jovens está diretamente ligado às mudanças de hábitos da população. “O aumento da obesidade infantil, o sedentarismo e uma alimentação rica em ultraprocessados ajudam a explicar esse cenário”, afirma.

Diagnóstico da hipertensão arterial

Conforme o Dr. Rafael Domiciano, na maioria das vezes, a hipertensão arterial não apresenta sintomas. “Cerca de 80% a 90% dos casos são assintomáticos”, explica. Por isso, a doença também é conhecida como “assassina silenciosa”, já que pode comprometer vasos sanguíneos e órgãos ao longo dos anos sem que o paciente perceba.

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Geralmente, ela só é identificada em consultas e exames de rotina, como a Monitorização Ambulatorial da Pressão Arterial (MAPA) de 24 horas ou Medida Residencial da Pressão Arterial (MRPA). Segundo o cardiologista, esse é justamente o principal motivo para manter o acompanhamento médico em dia.

“Hoje, a recomendação é que crianças façam acompanhamento regular com o pediatra. Caso haja fatores de risco ou alterações, elas podem ser encaminhadas para avaliação cardiológica”, explica o médico.

Medidor de pressão, estetoscópio e coração em fundo azul
A hipertensão arterial aumenta as chances de infarto e AVC (Imagem: Avocado_studio | Shutterstock)

Sintomas e riscos da doença

Embora menos frequentes, alguns pacientes podem apresentar sinais como dor na nuca, dor de cabeça, tontura e fadiga excessiva. “Independentemente da idade, é essencial investigar as possíveis causas e realizar o check-up anualmente”, enfatiza o Dr. Rafael Domiciano.  

Sem diagnóstico e tratamento adequados, a hipertensão pode aumentar significativamente o risco de complicações graves. “A doença eleva as chances de infarto, AVC (acidente vascular cerebral), doença renal, aneurismas, demência e até alterações oftalmológicas”, alerta o especialista.

Tratamento e prevenção da hipertensão arterial

Segundo o Dr. Rafael Domiciano, o tratamento da hipertensão arterial se apoia em três pilares principais:

  1. Mudança do estilo de vida; 
  2. Adesão correta ao tratamento medicamentoso; 
  3. Acompanhamento médico regular.

Entre os principais fatores que contribuem para o aumento da pressão arterial, estão sedentarismo, tabagismo, consumo excessivo de álcool e alimentação rica em sódio e ultraprocessados.

Por outro lado, os médicos recomendam hábitos mais saudáveis, como prática regular de exercícios físicos, controle do peso e uma alimentação rica em frutas, verduras e legumes. Conforme o artigo de revisão “Effects of Weight Loss in Overweight/Obese Individuals and Long-Term Hypertension Outcomes: A Systematic Review“, publicado na American Heart Association Journals, a cada 10 quilos ganhos, a pressão arterial pode variar em até 20%, reforçando a importância do controle do peso corporal.

“Esse aumento de casos entre jovens reforça a necessidade de conscientização da população sobre prevenção e diagnóstico precoce, para que possamos reverter esse cenário”, finaliza o especialista do São Luiz Anália Franco.

Por Samara Meni