A Organização Mundial da Saúde (OMS) confirmou que, entre as onze pessoas infectadas por hantavírus, a bordo do cruzeiro MV Hondius, que partiu da Argentina em direção a Cabo Verde no começo de abril, oito testaram positivo para a cepa do vírus Andes (ANDV). A hantavirose é, geralmente, transmitida por meio de roedores silvestres, mas a cepa andina pode ser disseminada entre humanos em raras ocasiões.

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Apesar da transmissão direta e do alto número de óbitos associados (segundo a OMS, foram três mortes confirmadas até agora, com taxa de letalidade de 27%), o hantavírus não apresenta um grande risco pandêmico semelhante ao da covid-19.

“Após a pandemia de covid-19, qualquer notícia relacionada a vírus respiratórios ou doenças emergentes naturalmente desperta maior atenção e preocupação da população. Apesar disso, é importante reforçar que o hantavírus possui dinâmica epidemiológica muito diferente, principalmente porque sua transmissão está relacionada à exposição ambiental, e não à circulação ampla entre pessoas”, explica a Dra. Luísa Chebabo, infectologista da Casa de Saúde São José.

Transmissão do hantavírus entre pessoas é rara

A infecção por hantavírus ocorre, geralmente, pela inalação de partículas de urina, fezes e saliva de roedores contaminados presentes no ambiente. Espaços como galpões fechados, áreas rurais, depósitos ou locais com infestação de ratos silvestres representam, portanto, grande risco de transmissão. Na cepa Andes, o contato próximo e prolongado com pessoas infectadas, principalmente em espaços fechados, também pode ser perigoso. 

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No entanto, esses casos ainda permanecem raros. “Embora existam registros raros de transmissão interpessoal em algumas cepas específicas identificadas na América do Sul, como a que causou os casos atuais do cruzeiro, esse tipo de disseminação é extremamente limitado e não apresenta o mesmo potencial de propagação observado no coronavírus. Portanto, o risco para a população geral permanece baixo”, ressalta a infectologista.

Mulher com cabelo liso, castanho e solto usando camiseta cinza e short bege com mão na cabeça indicando dor
No início, os sintomas do hantavírus podem se assemelhar aos de outras infecções virais, mas, com a evolução da doença, surgem sinais de alerta mais graves (Imagem: giggsy25 | Shutterstock)

Sintomas da hantavirose

Os sintomas da hantavirose podem ser inespecíficos e semelhantes aos de outras infecções virais, o que pode confundir os pacientes e até fazer com que menosprezem os sinais. Febre alta, dores musculares intensas, dor de cabeça, mal-estar, náuseas e cansaço são alguns dos principais. No entanto, com a evolução da doença, aparecem novos sinais de alerta, como falta de ar, tosse, sensação de aperto no peito, dificuldade respiratória progressiva e queda da pressão arterial.

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“Nessa fase, a evolução pode ser rápida e exigir internação em unidade de terapia intensiva. A recomendação é procurar atendimento médico imediatamente diante de sintomas respiratórios associados a histórico de exposição de risco, especialmente em áreas rurais ou locais com possível infestação por roedores. O diagnóstico precoce e o suporte intensivo aumentam as chances de recuperação”, orienta a Dra. Luísa Chebabo.

Como prevenir a infecção por hantavírus

As medidas preventivas contra o hantavírus, apesar de raros casos de transmissão via humanos, continuam pautadas no controle da exposição a roedores silvestres e seus excrementos. A infectologista lista as principais recomendações:

  • Manter ambientes limpos e livres de restos de alimentos;
  • Armazenar alimentos e ração em recipientes fechados;
  • Vedar frestas e buracos que permitam a entrada de roedores;
  • Evitar acúmulo de entulho, lixo e materiais orgânicos próximos às residências;
  • Ao limpar locais fechados ou com sinais de infestação, evitar varrer a seco, já que pode levantar partículas contaminadas no ar.

“Para trabalhadores rurais e pessoas que frequentam áreas de mata, a orientação também inclui atenção redobrada ao manejo ambiental e busca rápida por atendimento médico diante de sintomas suspeitos após exposição de risco”, conclui a médica.

Por Bernardo Bruno