O Índice Bovespa (Ibovespa) — um dos principais indicadores do mercado de ações no Brasil — avançou 12,56% em janeiro e fomentou possibilidades mercadológicas para 2026. Apesar da sinalização positiva, os investidores podem sofrer prejuízos milionários e atingir a falência se não conduzirem estrategicamente as aplicações.
O assessor de investimentos e sócio da InvestSmart, Victor França, aponta a falta de planejamento como a base das crises. “O erro que acredito ser o mais importante é a falta de planejamento, ou seja, quando o investidor não sabe qual é a meta de rentabilidade e o risco ao qual está sujeito a correr. Também há questões como a volatilidade e o prazo para o investimento”, diz.
Conforme Victor França, que também é especialista em Direito Tributário, as aplicações devem atender a critérios de projeção e segurança. “É necessário um planejamento claro, que estabeleça metas específicas, mensuráveis e alcançáveis, estipulando em quanto tempo o investidor quer alcançar o objetivo”, acrescenta.
Decisões emocionais podem levar empresas ao prejuízo
O especialista também analisa que decisões emocionais, quando realizadas sem planejamento, podem ocasionar o fechamento de empresas em 2026. Ele defende que a pressa por lucro não pode prejudicar as finanças.
A análise remete ao levantamento realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) entre 2017 e 2022. Segundo a pesquisa, cerca de 60% das empresas fecham antes de completarem cinco anos no mercado devido a gerenciamentos inadequados e dificuldades financeiras.
“Todos os empresários querem lucrar mais, mas a impulsividade e as decisões emocionais geram frustração. Por exemplo, se há um ativo valorizando muito, os investidores podem achar que estão perdendo uma grande oportunidade, então compram sem ter a mínima noção do mercado. Não é errado comprar se o valor do ativo está subindo, mas é necessário entender o porquê de estar comprando e qual o objetivo”, explica.
O especialista, então, orienta que as decisões financeiras sejam baseadas em dados e estudos técnicos para evitar frustrações. “Para combater as questões emocionais nos investimentos, é necessário basear as decisões em dados e estudos técnicos. Mesmo com valorizações e desvalorizações, é importante observar os dados”, pontua.

Falta de diversificação nos investimentos aumenta o risco financeiro
Outro erro que empresários cometem ao investir, conforme Victor França, é concentrar as aplicações em um único ativo. Ele esclarece que a carteira de investimentos deve ser diversificada para evitar grandes prejuízos.
“A falta de diversificação é um erro cometido ao concentrar os investimentos em um único setor ou ativo. Conseguimos ter uma noção do futuro com estudos técnicos, mas nunca prevemos tudo. É fundamental ter diversificação”, considera.
O assessor de investimentos cita que uma carteira variada de investimentos pode fornecer mais flexibilidade financeira. “A diversificação, com investimentos em diferentes classes de ativos, deve ser bem feita. Não adianta entrar em um banco ou corretora e comprar qualquer coisa da lista. É necessário entender os riscos. Uma solução simples é ter um percentual como meta. Por exemplo, se um investidor aplicar 20% em ações e 80% em renda fixa, ele pode vender parte das ações, caso elas subam muito”, sugere.
Processo de recuperação financeira
Victor França explica que, se o investimento resultar em prejuízo financeiro, o empresário pode cortar custos e renegociar dívidas. A recuperação, em casos de grandes perdas, tende a durar anos para compensar totalmente o déficit.
“Há medidas que o empresário deve ter nesse momento. Em princípio, cortar custos e renegociar dívidas. Ele poderá precisar se desfazer de ativos que, talvez, não estejam no melhor momento para serem vendidos. Isso vira uma bola de neve. É frequente que medidas para reparar danos estejam desvalorizadas, porque nada escapa de grandes crises”, conta.
Além disso, o assessor de investimentos relata que algumas medidas podem ser de baixa eficiência. É o caso de tentar gerar renda ao vender ativos que, naquele momento, não estão suficientemente valorizados. “O tempo depende da situação. Empresas médias levam de um a dois anos para se recuperar, enquanto as grandes, de dois a cinco, mas depende de qual foi a falha. Há erros que podem acabar com a empresa”, observa.
Victor França completa que, além das perdas financeiras, há prejuízo aos recursos humanos e ao espírito de equipe da empresa. “Impacta muito a produtividade, porque a crise afeta a vida da equipe, deixando de ganhar dinheiro no momento mais necessário. Isso gera uma ‘bola de neve’ que cria mais problemas. Os recursos humanos também devem ser colocados no planejamento”, conclui.
Por Enzo Tres