Exus e Pombagiras figuram entre as entidades mais conhecidas das religiões de matriz afro-brasileira, mas também estão entre as que mais despertam dúvidas e são alvo de interpretações equivocadas. Ao longo dos anos, crenças populares e preconceitos contribuíram para associá-los, de maneira incorreta, a forças negativas.
De acordo com a sacerdotisa Matildes, essa visão está distante da realidade da tradição espiritual que pratica. Ela explica que Exus e Pombagiras são entidades que atuam como agentes de transformação, auxiliando as pessoas em processos de fortalecimento, proteção e evolução espiritual.
Um propósito em comum
Segundo a sacerdotisa, cada Exu e cada Pombagira possui características e campos de atuação próprios. Ainda assim, todos compartilham um propósito em comum: orientar aqueles que buscam desenvolver consciência, equilíbrio e responsabilidade sobre a própria vida.

Principais áreas de atuação
Entre as principais áreas em que essas entidades podem atuar, estão:
- Rompimento de ciclos negativos: auxiliam a identificar padrões repetitivos, crenças limitantes e relacionamentos prejudiciais que dificultam o crescimento pessoal;
- Fortalecimento da confiança: incentivam o desenvolvimento da autoestima, da coragem e da segurança para enfrentar desafios e tomar decisões importantes;
- Proteção espiritual: trabalham na defesa contra energias consideradas desequilibradas, influências espirituais nocivas, inveja e demandas, conforme os fundamentos da tradição;
- Prosperidade e realização: favorecem mudanças de comportamento, disciplina, foco e clareza para aproveitar oportunidades na vida profissional e financeira;
- Abertura de caminhos: contribuem para remover bloqueios espirituais e energéticos, permitindo que novos caminhos se tornem mais acessíveis quando há dedicação também no plano material;
- Equilíbrio emocional: auxiliam no fortalecimento interno, ajudando a lidar com medos, inseguranças, impulsos e situações de grande pressão.
O papel da responsabilidade pessoal
Para a sacerdotisa Matildes, um dos maiores equívocos é acreditar que Exus e Pombagiras existam para realizar desejos de forma imediata ou resolver problemas sem que a pessoa assuma responsabilidade pelas próprias escolhas.
“Exus e Pombagiras não fazem milagres nem substituem o livre-arbítrio. Eles orientam, fortalecem e impulsionam processos de mudança, mas a transformação acontece quando existe comprometimento, atitude e disposição para evoluir. O trabalho espiritual caminha lado a lado com as ações de cada pessoa”, afirma.
Matildes
Sacerdotisa, pesquisadora e comunicadora da espiritualidade, com atuação voltada à Quimbanda e ao Luciferianismo. Há mais de duas décadas, dedica-se ao estudo das tradições espirituais, desmistificando temas como Exus, Pombagiras, Lilith, Lúcifer, Daemons, magia, oráculos e desenvolvimento pessoal por meio de uma abordagem séria, acessível e fundamentada.
Por Rodrigo Almeida