Cerca de 1,7 milhão de novas citações foram adicionadas ao PubMed em 2025, levando uma das principais bases internacionais de literatura biomédica a ultrapassar 39 milhões de registros. O volume de publicações amplia o acesso ao conhecimento científico, mas também traz um desafio para os médicos: selecionar informações confiáveis, relacionar diferentes evidências e aplicá-las às necessidades de cada paciente.

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O tema será discutido durante a 21ª Imersão em Fisiologia do Metabolismo Humano, conduzida pelo médico e professor Alexandre Duarte, entre os dias 15 e 17 de outubro, em Alphaville, na Grande São Paulo. O encontro terá 36 horas presenciais dedicadas ao estudo da fisiologia metabólica e hormonal e à aplicação desse conhecimento na prática clínica.

Segundo Alexandre Duarte, especialista em fisiologia metabólica e hormonal e fundador do Instituto Avantgarde, o acesso a pesquisas e protocolos não garante, por si só, uma avaliação adequada. É necessário compreender como sintomas, exames e diferentes alterações do organismo se relacionam.

“O médico precisa se atualizar, mas acumular artigos, exames e protocolos não resolve sozinho um caso clínico. O conhecimento precisa ser organizado a partir da fisiologia para entender o que está acontecendo naquele organismo e por que determinadas alterações aparecem juntas”, afirma.

Excesso de conteúdo pode dificultar a análise clínica

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Uma revisão sistemática publicada na revista científica BMJ Open, em março de 2026, reuniu 25 estudos sobre as fontes utilizadas por médicos especialistas para responder a dúvidas clínicas. Na análise, que envolveu 8.641 participantes, 74% utilizaram recursos digitais, como o PubMed, enquanto 38% recorreram a diretrizes clínicas.

Os pesquisadores também identificaram dificuldades relacionadas ao excesso de conteúdo, à organização das informações e à seleção das evidências mais adequadas para orientar decisões.

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Para Alexandre Duarte, protocolos e diretrizes são importantes referências, mas precisam ser interpretados considerando as particularidades de cada paciente, incluindo histórico de saúde, sintomas, medicamentos utilizados e resultados laboratoriais.

“Protocolo é uma referência importante, mas o paciente não chega ao consultório dividido em protocolos. Ele apresenta sinais, sintomas e alterações que podem ter relação entre si. O raciocínio fisiológico permite conectar essas informações antes de decidir qual caminho seguir”, explica.

Médico de cabelos curtos e pretos, usando jaleco branco sobre uma camisa azul-clara e estetoscópio no pescoço. Sentado em uma cadeira preta diante de uma mesa branca, ele olha para uma prancheta com documentos e escreve com uma caneta azul. Sobre a mesa, há folhas, pastas azuis, um celular preto e um notebook aberto à sua direita. Ao fundo, um monitor exibe imagens médicas em tons escuros, e há prateleiras brancas, pequenos objetos decorativos e uma planta verde em um ambiente bem iluminado.
A avaliação dos exames em conjunto permite relacionar diferentes informações e compreender melhor o quadro clínico (Imagem: Fahng_S | Shutterstock)

Entenda por que os exames precisam ser avaliados em conjunto

Um resultado laboratorial fora dos valores de referência nem sempre indica uma doença. Da mesma forma, exames considerados normais não descartam, isoladamente, todas as alterações de saúde. A interpretação depende de fatores como idade, histórico clínico, sintomas e condições individuais.

Na medicina metabólica, por exemplo, alterações na glicemia, no sono, na composição corporal e no funcionamento hormonal podem apresentar relações entre si. Por isso, observar apenas um marcador pode limitar a compreensão do quadro clínico.

Um estudo publicado em 2025, com 564 médicos de 32 especialidades, analisou como a organização das informações nos prontuários eletrônicos interfere na carga cognitiva dos profissionais. Os resultados destacaram a sobrecarga informacional como um fator relevante e a necessidade de diferenciar dados essenciais daqueles que pouco contribuem para a elaboração diagnóstica.

Formação médica busca integrar conhecimento e prática

O raciocínio clínico é o processo utilizado pelo médico para reunir informações, formular hipóteses diagnósticas e avaliar possibilidades de tratamento. Ele exige a interpretação conjunta dos sintomas, dos exames e dos mecanismos responsáveis pelo funcionamento do organismo.

Essa integração será um dos pontos abordados na 21ª Imersão em Fisiologia do Metabolismo Humano. Durante três dias, médicos participarão de atividades voltadas à leitura integrada de exames, à compreensão dos processos metabólicos e hormonais e à discussão de casos clínicos.

“A programação utiliza a metodologia IN-MITO-GEN, usada para organizar o estudo do metabolismo humano e auxiliar os profissionais na identificação de relações entre manifestações clínicas e resultados laboratoriais”, reforça o especialista.

Ter informação disponível, segundo Alexandre Duarte, é diferente de saber o que fazer com ela. “Quanto mais conteúdo chega ao médico, maior precisa ser sua capacidade de filtrar, interpretar e relacionar os dados. A fisiologia oferece uma base para entender os mecanismos envolvidos e fazer com que a atualização científica realmente chegue à prática”, conclui o especialista.

Por Carolina Lara