Na busca pelo ganho de massa muscular, é comum acreditar que aumentar a carga dos exercícios seja o caminho mais rápido para alcançar resultados. No entanto, levantar mais peso nem sempre significa treinar de forma mais eficiente. Quando a técnica é negligenciada ou a progressão da carga acontece acima da capacidade do praticante, o risco de lesões aumenta e pode comprometer a evolução.
Para estimular a hipertrofia com segurança, é fundamental equilibrar a carga utilizada, o volume de treino e a execução correta dos movimentos. Dessa forma, o desenvolvimento muscular ocorre de maneira gradual, consistente e com menor probabilidade de interrupções causadas por lesões.
Existe carga ideal?
De acordo com o personal trainer e educador físico Tauan Gomes, não existe uma “carga ideal” para o peso, mas é possível encontrá-la com segurança. “Antes, é importante diferenciar a carga de aquecimento da carga de trabalho. No aquecimento, o foco é preparar o corpo, ativar as articulações e o movimento com segurança, usando mais repetições e menor intensidade”, explica.
Agora, quando se trata de carga de trabalho, “o peso deve ser ajustado para permitir entre 8 e 12 repetições, sendo que as últimas 2 ou 3 devem exigir esforço, respeitando as orientações de descanso entre as séries, velocidade do movimento e amplitude. Caso o exercício esteja fácil de concluir dentro desse parâmetro, o peso deve ser ajustado de forma gradativa”, orienta.

Sobrecarga pode causar lesões
Segundo o profissional, a sobrecarga sem preparo pode levar a lesões graves. “O treino de musculação não se resume a aumentar cargas; há várias formas de estimular o ganho de massa sem excesso de peso. Se fosse só levantar cargas, qualquer trabalhador pesado teria músculos avantajados, por exemplo. Além da hipertrofia, o treino fortalece ossos e articulações, combate a sarcopenia e melhora a qualidade de vida”, conta.
Tauan Gomes alerta que forçar o corpo além do que ele está preparado, impondo cargas e esforços acima da sua capacidade de adaptação, pode comprometer a integridade de músculos, tendões, articulações e ossos. “O resultado pode ser uma lesão que te afasta dos treinos por meses ou até exige intervenção cirúrgica”, ressalta.
Supervisão e técnica são fundamentais
Não é o peso em si que determina o sucesso do treino, mas a qualidade da execução dos movimentos. “Mesmo que a pessoa consiga erguer altas cargas, sem técnica, o risco de lesão é alto, por isso, é essencial ter um profissional acompanhando, ajustando postura e orientando a progressão da carga”, enfatiza Tauan Gomes.
A linha entre esforço produtivo e sobrecarga prejudicial é tênue, e saber reconhecer os limites do corpo faz toda a diferença. “Desconforto leve é normal, mas dor aguda e constante é sinal de alerta. Nesses casos, o ideal é interromper o treino e buscar a avaliação de um especialista para evitar lesões que possam comprometer a continuidade e a evolução dos treinos”, conclui o profissional.
Por Tayanne Silva
