A redação é uma das etapas mais decisivas dos vestibulares e do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Em muitas instituições, uma boa nota no texto dissertativo-argumentativo pode compensar desempenhos medianos em outras áreas, enquanto falhas estruturais, gramaticais e de coesão costumam comprometer a avaliação geral.
Em meio à ansiedade da preparação para as provas, muitos estudantes focam apenas em repertório, temas da atualidade e técnicas argumentativas, mas negligenciam pequenos deslizes gramaticais que enfraquecem a credibilidade do texto.
Alguns erros parecem inofensivos, mas podem afetar coerência, formalidade e fluidez, atributos fundamentais para uma redação de alto desempenho. Abaixo, veja os principais e como evitá-los!
1. O uso incorreto de “onde” e “aonde”
Uma das confusões mais frequentes aparece quando o estudante tenta sofisticar a escrita e acaba utilizando conectivos inadequados. “Um erro muito comum é usar ‘onde’ para qualquer contexto, como se fosse um conector universal. Na redação, isso empobrece o texto e compromete a precisão argumentativa. O estudante precisa entender a função da palavra antes de incorporá-la”, explica Cris Oliveira, educadora e escritora com mais de 25 anos de experiência em sala de aula.
Utilize “onde” para indicar permanência em um lugar e “aonde” quando houver ideia de movimento com verbos que pedem a preposição “a”. Evite usar ambos para substituir expressões como “em que”, “na qual” ou “situação em que”.
2. Concordância verbal: o sujeito muda e ninguém percebe
Durante a escrita rápida, muitos candidatos constroem frases longas e acabam perdendo o controle sobre o sujeito principal da oração. O resultado é um texto cheio de verbos no singular quando deveriam estar no plural, ou vice-versa.
“Muitas vezes o estudante sabe a regra, mas erra porque se perde na própria construção da frase. Em vestibular, menos rebuscamento e mais clareza costumam gerar textos mais consistentes e seguros”, afirma Cris Oliveira. Por isso, releia frases extensas e identifique quem pratica a ação antes de definir o verbo. Quando houver dúvida, simplifique a construção da frase para garantir clareza e correção.
3. “Mas” e “mais”: uma troca que custa caro
Apesar de parecer básico, esse é um tropeço recorrente, especialmente quando o aluno escreve sob pressão de tempo. Como as palavras têm sons semelhantes, a troca passa despercebida durante a revisão.
“Pequenos deslizes ortográficos chamam a atenção do corretor porque demonstram falta de revisão. Às vezes, um erro simples quebra a sensação de domínio da escrita que o texto vinha construindo”, comenta a profissional.
Lembre-se de que “mas” indica oposição, enquanto “mais” expressa intensidade, quantidade ou comparação. Uma releitura final costuma evitar esse tipo de distração.

4. O excesso de vírgulas ou a ausência total delas
A pontuação costuma assustar vestibulandos. Uns colocam vírgula em praticamente toda linha, outros escrevem blocos inteiros sem utilizá-la. Ambos os extremos dificultam a leitura, o entendimento e a fluidez argumentativa.
“A vírgula precisa servir ao sentido do texto, não ao ritmo da respiração. Ler a redação observando a estrutura das frases ajuda a identificar excessos, pausas desnecessárias e erros que comprometem a clareza”, orienta.
Separar sujeito e verbo por vírgula é erro gramatical e pode custar pontos na redação. A pontuação deve organizar o raciocínio e facilitar a compreensão do texto, nunca reproduzir apenas pausas da oralidade.
5. Repetição de palavras e pobreza vocabular
Mesmo estudantes com boas ideias podem perder força argumentativa quando repetem os mesmos termos diversas vezes, especialmente palavras centrais do tema. Isso deixa a redação cansativa e reduz a percepção de repertório linguístico.
“Escrever bem não é usar palavras difíceis. É variar a linguagem com naturalidade, sem parecer artificial. O aluno precisa ampliar repertório, mas também aprender a escrever de forma fluida”, destaca Cris Oliveira. Por isso, faça substituições inteligentes utilizando sinônimos, pronomes, reformulações de frase ou retomadas de sentido, sem exagerar no vocabulário rebuscado.
6. O perigo do “gerundismo” e das frases longas demais
Na tentativa de soar formal, muitos estudantes criam períodos extensos, cheios de orações encaixadas, verbos no gerúndio e ideias que acabam perdendo clareza. O resultado pode ser um texto cansativo e confuso.
“Existe uma crença equivocada de que escrever difícil significa escrever bem. Na prática, textos claros, organizados e objetivos tendem a comunicar melhor e convencer mais”, avalia a profissional. Por isso, prefira frases mais objetivas e organize uma ideia central por período. Clareza argumentativa vale mais do que excesso de complexidade.
7. Misturar linguagem formal com expressões coloquiais
Em busca de aproximação ou espontaneidade, alguns vestibulandos acabam inserindo marcas de oralidade, gírias, exageros emocionais ou expressões informais que destoam do tom exigido pela maioria das provas.
“Redação de vestibular exige posicionamento crítico, mas também maturidade de linguagem. O candidato precisa mostrar repertório e domínio da norma culta sem perder autenticidade”, afirma Cris Oliveira. Por isso, mantenha uma linguagem formal, objetiva e coerente com o gênero dissertativo-argumentativo. Antes de entregar a redação, releia o texto pensando se aquela frase caberia em um contexto acadêmico.
Por Sarah Carvalho



