Empresas que já possuem uma relação próxima com seus clientes estão incluindo seguros em suas plataformas. Varejistas, fintechs, companhias de mobilidade e negócios do setor imobiliário podem desenvolver produtos com a própria marca, enquanto uma seguradora parceira assume o risco e responde pela emissão das apólices.

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Esse arranjo pode ser estruturado por meio das MGAs, sigla para Managing General Agents. O modelo permite entrar no mercado de seguros sem assumir o capital, a estrutura e as exigências regulatórias necessárias para constituir uma seguradora.

Para o consumidor, a proteção passa a ser oferecida dentro de uma jornada que já faz parte de sua rotina, como a compra de um veículo, a contratação de uma viagem ou a aquisição de um aparelho eletrônico.

MGAs mudam relação com o consumidor

Entre as empresas que já acompanham esse movimento está a Split Risk, que atua como seguradora e desenvolveu uma plataforma de Insurance as a Service para viabilizar operações de MGAs e seguros de marca própria. A trajetória da companhia começou no setor automotivo: o fundador, Pedro Pires, identificava consumidores que conseguiam financiar veículos, mas enfrentavam dificuldades para contratar seguro.

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“O MGA normalmente nasce especialista em determinado público, segmento ou canal de distribuição. Por isso, consegue compreender melhor as necessidades daquele consumidor, desenvolver uma experiência mais simples e oferecer produtos mais personalizados”, afirma Pedro Pires. 

Nesse modelo, as responsabilidades são divididas: a seguradora permanece responsável pela gestão do risco, pela solvência, pelas reservas e pelas demais obrigações regulatórias, enquanto a MGA concentra sua atuação na construção do produto, na distribuição e na experiência oferecida ao cliente. “O seguro deixa de ser algo que o consumidor precisa procurar e passa a estar integrado à jornada que ele já percorre, quando a proteção faz mais sentido”, explica Pedro Pires.

Novas frentes de atuação

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O avanço das MGAs está relacionado ao chamado embedded insurance, ou seguro embarcado: a proteção é incorporada à compra de outro produto ou serviço, e o consumidor recebe uma oferta adaptada àquela transação em vez de procurar uma seguradora depois.

Para empresas que já têm uma base de clientes, o seguro pode cumprir três funções: ampliar a proteção oferecida, aumentar a fidelização e criar uma nova fonte de receita, aproveitando o conhecimento que já possuem sobre seu público.

No varejo, o modelo pode proteger eletrônicos, móveis e equipamentos. Fintechs e bancos digitais podem incorporar seguros de vida e proteção financeira aos aplicativos. Empresas de mobilidade podem oferecer coberturas ligadas à compra, ao financiamento ou ao uso de veículos. 

“O ponto não é simplesmente digitalizar um seguro tradicional, mas usar dados, tecnologia e conhecimento da jornada para criar produtos mais específicos”, diz Pedro Pires, que completa: “Em vez de tentar encaixar milhões de consumidores em poucos produtos padronizados, o modelo permite desenvolver soluções adequadas a públicos, canais e necessidades diferentes.”

Mão feminina apontando para um papel com gráfico enquanto outra mão masculina segura uma caneta preta ao lado de uma calculadora
O potencial das MGAs no Brasil está relacionado tanto ao tamanho do setor quanto à parcela da população que ainda não possui seguros (Imagem: NaMong Productions92 | Shutterstock)

O tamanho da oportunidade

Nos Estados Unidos, onde esse mercado está mais desenvolvido, as MGAs movimentaram aproximadamente US$ 128 bilhões em prêmios em 2025, segundo a Conning. No Brasil, ainda não existe um levantamento oficial sobre a quantidade de MGAs em operação ou o volume de prêmios movimentado por elas, mas o potencial está relacionado tanto ao tamanho do setor quanto à parcela da população que ainda não possui seguros. O mercado supervisionado pela Susep, incluindo seguros, previdência complementar aberta e capitalização, arrecadou R$ 415,09 bilhões em 2025.

Seguro auto por assinatura

O seguro auto por assinatura é um exemplo de produto nascido dessa nova lógica de distribuição. A Meo Seguro concentra sua atuação nesse segmento e oferece uma contratação mensal, com a proposta de reduzir barreiras e tornar a permanência no seguro mais flexível. “O modelo de MGA criou condições para desenvolvermos uma proposta mais alinhada ao comportamento do consumidor atual, com mais flexibilidade, simplicidade e uso de tecnologia”, afirma Douglas Botelho, CEO da Meo Seguro.

Segundo o executivo, a estrutura permitiu reunir capacidade técnica, distribuição e conhecimento do consumidor. “Isso nos permitiu estruturar um seguro auto por assinatura e construir uma jornada mais simples para o cliente, mantendo a solidez necessária para operar no mercado de seguros.”

Hoje o seguro auto é o principal produto da empresa. A tecnologia é usada para reduzir etapas, automatizar processos e agilizar a jornada, da contratação aos diferentes momentos de relacionamento com o cliente.

Para o consumidor, a tendência é que a contratação de seguros se torne cada vez mais integrada a serviços que já utiliza. Para as empresas, o avanço abre a possibilidade de oferecer proteção relacionada ao próprio negócio sem assumir o papel e as responsabilidades de uma seguradora.

Por Thiago Baez