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Dores nas articulações aumentaram na menopausa? Entenda a relação com a queda do estrogênio

Com a redução hormonal, algumas mulheres podem desenvolver tendinopatias e apresentar alterações nas estruturas que envolvem as articulações (Imagem: New Africa | Shutterstock)

Durante a menopausa, algumas mulheres passam a perceber dores pelo corpo que antes não faziam parte da rotina. O desconforto pode atingir diferentes regiões, principalmente músculos e articulações. Mas por que isso acontece?

De acordo com o Dr. Igor Padovesi, ginecologista, autor do livro ‘Menopausa Sem Medo’, especialista em menopausa certificado pela North American Menopause Society (NAMS) e idealizador da plataforma ‘Expert em Menopausa’, a queda do estrogênio pode estar relacionada ao surgimento de diferentes sintomas nessa fase.

“O estrogênio tem função em praticamente todos os órgãos e tecidos do corpo e, a partir do momento que ele passa a faltar, vários sinais e sintomas podem aparecer nas mulheres. Existe uma variação individual, é um espectro grande de sintomas da menopausa que algumas mulheres vão ter alguns, outras vão ter outros e o grau de intensidade também pode variar”.

Como a queda do estrogênio afeta músculos e articulações

O Dr. Igor Padovesi explica que músculos e articulações também possuem receptores de estrogênio e que a redução desse hormônio pode provocar sintomas nessas estruturas.

“A consequência dessa queda hormonal é o aumento da inflamação e a perda do colágeno, o que também contribui para o aparecimento de sintomas de dores musculares e articulares”, diz a ginecologista Dra. Ana Paula Fabricio, com Título de Especialista em Ginecologia e Obstetrícia (TEGO).

Segundo ela “esses hormônios não atuam só em órgãos como ovários e útero, mas ajudam a manter a saúde do músculo, dos ossos, dos tendões e das articulações. A falta de hormônio nos ossos leva à osteoporose, no músculo leva à sarcopenia. Então, quando há redução desses hormônios, as mulheres começam a sentir muitas dores articulares”, acrescenta a especialista.

Segundo a ginecologista Dra. Patricia Magier, criadora do Método Plena para cuidado da mulher de forma completa, profunda e individualizada, o estrogênio contribui para a saúde do colágeno, do tecido conjuntivo e da capacidade de reparo de músculos e tendões, além de modular processos inflamatórios. “Com a redução hormonal, algumas mulheres ficam mais predispostas a tendinopatias, rigidez articular e inflamações em estruturas periarticulares”, explica.

Dores nas articulações são comuns na menopausa

O Dr. Marcos Cortelazo, ortopedista especialista em joelho e traumatologia esportiva, membro da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT), comenta que apesar de pouco comentada, a dor nas articulações é um sintoma comum da menopausa. Joelhos, cotovelos e ombros podem ser afetados.

“As articulações, assim como as cartilagens que as protegem, possuem receptores de estrogênio, hormônio que contribui para a manutenção da saúde dessas estruturas. Logo, conforme a produção hormonal é alterada com a menopausa, as articulações ficam mais inflamadas, o que causa dor em regiões como mãos, joelhos e ombros e favorece o surgimento de condições como a artrite e artrose”, diz.

Mulher de cabelo loiro e curto, vestindo blusa verde, bebendo um copo de água enquanto segura uma cartela de comprimidos.Ela está sentada em um sofá.
Além dos hábitos saudáveis, o acompanhamento médico para reposição hormonal pode contribuir para o alivio dos sintomas (Imagem: Dmytro Zinkevych | Shutterstock)

Estratégias que ajudam a aliviar as dores nas articulações

De acordo com o Dr. Marcos Cortelazo, estratégias como controlar o peso, praticar exercícios físicos e adotar uma alimentação saudável podem ajudar a aliviar os sintomas. A reposição hormonal também pode ajudar, mas deve ser indicada pelo ginecologista. “Em casos mais graves, em que a mulher já desenvolveu doenças como artrite e artrose, a consulta com o ortopedista também é importante para receber o tratamento adequado, reduzindo as dores e melhorando a qualidade de vida da paciente”, afirma o ortopedista.

Síndrome do ombro congelado pode ser mais frequente na menopausa

Segundo o ginecologista Igor Padovesi, a síndrome do ombro congelado é particularmente comum e mais frequente durante a menopausa. “É muito confundida com tendinite, bursite e outras questões articulares que são mais comuns, principalmente em idades mais avançadas, que muitas vezes não têm uma causa definida, e é frequente que sejam causadas pela queda do estrogênio da menopausa”.

A Dra. Patricia Magier explica que o chamado “ombro congelado” (capsulite adesiva) é caracterizado por dor progressiva, rigidez e limitação dos movimentos, o que pode dificultar atividades simples do dia a dia. “Não é uma condição exclusiva do climatério, mas é mais frequente nessa fase, provavelmente porque a queda estrogênica altera a qualidade do tecido capsular, aumenta a tendência a processos inflamatórios e favorece um padrão de dor e restrição de movimento, sobretudo quando há sedentarismo, estresse crônico, diabetes ou disfunções metabólicas associadas”, destaca.

A ginecologista Dra. Ana Paula Fabricio explica que muitas pacientes não percebem a relação do sintoma com as alterações hormonais. “Muitas pacientes nem desconfiam que têm relação com os hormônios. A queda do estrogênio aumenta processos inflamatórios no corpo e pode ser uma das causas das dores generalizadas”, acrescenta.

Como é realizado o diagnóstico?

A identificação da causa das dores nem sempre é simples, já que outros problemas de saúde podem provocar sintomas semelhantes. De acordo com o Dr. Igor Padovesi, “o diagnóstico é confirmado quando não existe nenhuma outra causa identificada e a mulher melhora do sintoma com a reposição hormonal”.

Tratamento adequado pode ajudar a controlar os sintomas

Por fim, o ginecologista Igor Padovesi destaca que, embora mudanças no estilo de vida sejam importantes, a terapia hormonal adequadamente prescrita é o tratamento que mais impacta os sintomas e a qualidade de vida das mulheres.

“Todo o resto, atividade física, melhora da alimentação, aqueles princípios básicos da medicina do estilo de vida, melhorar o sono, reduzir o nível de estresse, tudo isso é importante, mas é adjuvante. O que tem de longe a maior importância e o maior impacto na sintomatologia e na qualidade de vida das mulheres é o tratamento correto, que é a terapia hormonal”, finaliza.

Por Maria Claudia Amoroso

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