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Doenças respiratórias: veja como proteger as crianças no outono e no inverno

Crianças estão entre os grupos mais vulneráveis às infecções respiratórias no frio (Imagem: Pixel-Shot | Shutterstock)

O outono e o inverno costumam ser acompanhados pelo aumento dos casos de doenças respiratórias. Neste ano, porém, o avanço dessas infecções começou antes do esperado. Dados divulgados em abril pelo boletim InfoGripe, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), apontavam crescimento dos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em diversas regiões do país ainda nos primeiros meses de 2026. Entre os grupos mais vulneráveis, estão as crianças, que tendem a sofrer mais com a circulação intensa de vírus respiratórios nesse período.

Segundo a Dra. Isabela Pires, médica e professora da pós-graduação em Pediatria da Afya Brasília, isso acontece porque as crianças possuem o sistema imunológico em desenvolvimento e, ao mesmo tempo, estão mais expostas em ambientes como escolas e creches.

“Por estarem em contato com outras crianças por períodos maiores que quatro horas no mesmo ambiente e com menor circulação de ar nas salas durante o frio, as crianças acabam tendo uma sensibilidade maior aos vírus, principalmente aquelas com imunidade mais baixa”, explica.

Sinais de alerta

A especialista alerta que sintomas aparentemente leves também merecem atenção, já que podem evoluir rapidamente nas crianças. “Coriza, tosse leve e cansaço podem passar de um quadro leve para moderado em questão de 12 a 24 horas, podendo sair de um tratamento domiciliar para a necessidade de internação e monitoramento hospitalar”, alerta. 

A Dra. Isabela Pires destaca que sinais como febre persistente, dificuldade para respirar, chiado no peito, sonolência excessiva e recusa alimentar exigem avaliação médica imediata, principalmente em crianças pequenas ou com histórico de alergias e doenças respiratórias.

Condições que favorecem as doenças respiratórias

O Dr. Alexandre Martins, médico e professor de otorrinolaringologia na Afya Centro Universitário Itaperuna, destaca que o clima frio e seco cria condições ainda mais favoráveis para a circulação dos vírus respiratórios.

“No frio e na baixa umidade, os vírus sobrevivem mais tempo no ar e se espalham com mais facilidade. As partículas virais permanecem suspensas por mais tempo, aumentando o risco de transmissão, principalmente entre as crianças”, afirma.

Segundo o especialista, o ressecamento das vias respiratórias também reduz as defesas naturais do organismo. “O ar frio e seco resseca a mucosa do nariz e da garganta, que funciona como a primeira barreira de defesa do corpo. Com essa proteção reduzida, os vírus entram com mais facilidade. Em ambientes fechados e mal ventilados, o risco é ainda maior”, complementa.

Menina sorrindo com seringa com soro perto do nariz e pote branco em mesa
Higienizar o nariz com soro pode ajudar a prevenir doenças respiratórias em crianças (Imagem: FAMILY STOCK | Shutterstock)

Hábitos simples ajudam a proteger a saúde respiratória infantil

O otorrinolaringologista acrescenta que hábitos simples dentro de casa podem fazer diferença na redução da transmissão. “Ventilar os ambientes, higienizar o nariz com soro fisiológico, evitar exposição ao cigarro e manter uma boa hidratação ajudam diretamente na saúde respiratória infantil”, orienta.

Além da atenção aos sintomas, os especialistas reforçam a importância da prevenção. Para a Dra. Isabela Pires, manter a vacinação atualizada é uma das principais formas de proteção. “A prevenção envolve manter a vacinação em dia, tanto para doenças virais quanto bacterianas. As consultas regulares com o pediatra também são importantes para avaliar a necessidade de vitaminas ou outras medidas que possam ajudar na saúde da criança”, destaca.

Cuidados importantes com as crianças no outono e no inverno

Os médicos destacam que alguns cuidados simples no dia a dia podem ajudar a reduzir o risco de doenças respiratórias em crianças durante os períodos mais frios do ano:

  1. Mantenha a vacinação em dia, especialmente a vacina contra a gripe, quando indicada;
  2. Incentive a hidratação, oferecendo água ao longo do dia, mesmo sem a criança sentir sede;
  3. Ensine e reforce a higiene das mãos, principalmente após brincar, tossir ou antes das refeições;
  4. Ventile os ambientes diariamente, abrindo janelas mesmo nos dias frios, e evite locais fechados e sem circulação de ar;
  5. Higienize o nariz com soro fisiológico para ajudar a proteger e limpar as vias respiratórias;
  6. Cuide da alimentação, priorizando frutas, legumes e alimentos ricos em vitaminas para fortalecer a imunidade;
  7. Fique atento a sinais de alerta, como febre alta persistente, chiado no peito, dor de ouvido, dificuldade para respirar, cansaço excessivo ou prostração, buscando avaliação médica rapidamente.

Por Beatriz Felicio

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