Recentemente celebrado o Dia Mundial da Esclerose Múltipla, condição neurológica crônica, inflamatória e autoimune que afeta o sistema nervoso central e pode comprometer o cérebro, a medula e os nervos ópticos dos pacientes. Apesar de ainda ser considerada de baixa prevalência no Brasil, ela tem grande impacto funcional e social, principalmente entre mulheres e adultos jovens. Quem revelou recentemente tratar da doença é a modelo e apresentadora Carol Ribeiro.

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Segundo a Associação Brasileira de Esclerose Múltipla (ABEM), cerca de 40 mil brasileiros convivem atualmente com a doença. A revisão sistemática “Prevalence of multiple sclerosis in Brazil: An updated systematic review with meta-analysis”, publicada em 2025 na revista científica Clinical Neurology and Neurosurgery, estimou prevalência agrupada de 14,5 casos por 100 mil habitantes no país, com variações regionais entre 4,5 e 30,7 casos por 100 mil habitantes.

A causa exata da doença ainda não é totalmente conhecida, mas acredita-se que ela surja a partir da combinação de diferentes fatores. Entre eles, estão predisposição genética, alterações no sistema imunológico, fatores ambientais, baixos níveis de vitamina D, tabagismo, obesidade e infecções virais prévias, especialmente relacionadas a alguns vírus comuns.

Principais sinais de alerta da esclerose múltipla

De acordo com o neurologista João Dib, do Hospital Samaritano Barra, da Rede Américas, identificar os sinais precocemente e manter cuidado contínuo são medidas fundamentais para retardar a progressão da esclerose múltipla e preservar a qualidade de vida.

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“A esclerose múltipla pode causar sintomas variados, como alterações visuais, dormências, fadiga intensa, alterações cognitivas e emocionais. Muitas vezes, eles surgem em surtos, alternando períodos de piora e melhora. Entre os principais sinais de alerta, estão neurite óptica, formigamentos, fraqueza muscular, desequilíbrio, dores, alterações urinárias e fadiga persistente”, explica.

Exercícios físicos orientados podem ajudar no controle da fadiga, na mobilidade e na qualidade de vida dos pacientes com esclerose múltipla (Imagem: Gorodenkoff | Shutterstock)

Cuidados essenciais para pacientes com esclerose múltipla

Alguns cuidados são importantes para pacientes com esclerose múltipla, pois podem ajudar a controlar sintomas, reduzir impactos no dia a dia e manter a qualidade de vida. Veja os principais:

  1. Manter acompanhamento regular com o neurologista: o monitoramento frequente da condição permite avaliar a evolução da condição neurológica, ajustar terapias e identificar precocemente novos surtos ou lesões.
  2. Seguir corretamente o tratamento: a constância no uso dos medicamentos modificadores da doença é considerada uma das principais estratégias para reduzir inflamações, surtos e incapacidades futuras.
  3. Praticar atividades físicas supervisionadas: exercícios físicos orientados podem ajudar no controle da fadiga, no equilíbrio, na mobilidade e na qualidade de vida dos pacientes.
  4. Priorizar hábitos saudáveis: sono adequado, alimentação equilibrada, controle do estresse e abandono do tabagismo ajudam no bem-estar geral e podem reduzir os impactos dos sintomas.
  5. Cuidar da saúde mental: ansiedade e depressão são comuns em pacientes com esclerose múltipla. O suporte psicológico e o acompanhamento multidisciplinar fazem parte do tratamento.

Diagnóstico precoce pode evitar sequelas

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João Dib explica que o tempo é um fator decisivo na esclerose múltipla, ressaltando que o tratamento deve ser individualizado e envolver equipe multidisciplinar, incluindo fisioterapia, enfermagem, fonoaudiologia e suporte psicológico. “O atraso no diagnóstico pode levar ao acúmulo de lesões e a incapacidades. Na esclerose múltipla, tempo é cérebro, medula e visão”, alerta.

O diagnóstico da esclerose múltipla é feito por meio da combinação de avaliação clínica, histórico médico, exame neurológico e exames complementares, já que não existe um único teste capaz de confirmar a doença. O médico avalia os sintomas apresentados, a frequência com que ocorrem e se há sinais de lesões em diferentes partes do sistema nervoso ao longo do tempo.

Carol Ribeiro e a saga pelo diagnóstico de esclerose

Um Alerta Real: O Relato de Carol Ribeiro

O Dia da Esclerose Múltipla ganha um rosto e uma voz de grande impacto no Brasil: a renomada modelo e apresentadora Carol Ribeiro. Em abril de 2025, Carol trouxe a público o seu próprio diagnóstico da doença — uma condição neurológica, crônica e autoimune —, jogando luz sobre a complexidade e os desafios que envolvem a descoberta da EM.

A trajetória da apresentadora até o diagnóstico definitivo reforça a importância de se prestar atenção aos sinais do corpo e, acima de tudo, de buscar a especialidade médica correta.

A Linha do Tempo dos Sintomas:

2015 (O primeiro sinal): Carol teve um episódio isolado de formigamento e perda momentânea de movimentos no braço esquerdo. Como o sintoma sumiu espontaneamente, foi atribuído ao estresse da rotina.

2023 (A intensificação): O quadro evoluiu para crises graves descritas por ela como uma “labirintite forte”, acompanhadas de visão turva, abafamento nos ouvidos, fadiga extrema e ondas de calor. Na passarela, a falta de coordenação chegou a provocar passos em falso.

A armadilha dos diagnósticos incorretos: Por conta da idade e do cansaço, os sintomas de Carol foram inicialmente confundidos com menopausa, crises de pânico ou ansiedade. Ela chegou a buscar ginecologistas e endocrinologistas, tratando o que sentia como meras deficiências nutricionais.

A reviravolta só aconteceu após o conselho de uma amiga médica, que a orientou a interromper a automedicação e investigar o histórico neurológico. Foi através de uma ressonância magnética que as lesões no sistema nervoso foram finalmente confirmadas.

O relato corajoso de Carol Ribeiro serve como um lembrete vital neste Dia da Esclerose Múltipla: o diagnóstico precoce e a escuta atenta aos sinais do organismo são caminhos fundamentais para transformar o enfrentamento da doença e garantir mais qualidade de vida.