Ao comparar fotografias tiradas em diferentes fases da vida, algumas pessoas podem perceber que os dentes parecem mais compridos com o passar dos anos. Apesar da impressão, eles não continuam crescendo durante a vida adulta. O que pode mudar é a quantidade da estrutura dental que fica visível, especialmente em razão de alterações na gengiva.
Segundo o Dr. Alipio Guedes Pinto, professor do curso de Odontologia da Faculdade Anhanguera de São Bernardo do Campo, uma das possíveis explicações é a retração gengival, caracterizada pelo deslocamento da margem da gengiva e pela consequente exposição de uma região maior do dente.
“Quando a gengiva se retrai, uma parte que antes estava recoberta pelo tecido gengival passa a ficar exposta. Visualmente, isso pode fazer com que o dente pareça mais comprido, embora ele não tenha aumentado de tamanho”, explica.
Por que a gengiva pode se retrair?
Embora alterações nos tecidos da boca possam ocorrer ao longo dos anos, a retração gengival não deve ser encarada simplesmente como uma consequência inevitável do envelhecimento. Diferentes fatores podem contribuir para o problema, entre eles doenças periodontais (estruturas que circundam e sustentam o dente), escovação realizada com força excessiva, características anatômicas da gengiva e posicionamento dos dentes.
Hábitos e condições que provocam sobrecarga nos dentes também devem ser avaliados individualmente. Por isso, identificar a causa é importante para definir os cuidados necessários e evitar a progressão do quadro. “A percepção de que os dentes estão ficando maiores pode ser um sinal para observar a saúde da gengiva. Principalmente quando a mudança acontece de maneira acentuada ou está acompanhada de outros sintomas como dor, sangramento e sensibilidade, é importante procurar avaliação odontológica”, orienta o Dr. Alipio Guedes Pinto.

Sensibilidade pode acompanhar a mudança
A alteração estética não é o único impacto possível. Quando ocorre exposição da raiz do dente, a região pode ficar mais suscetível à sensibilidade, especialmente durante o consumo de alimentos e bebidas frios, quentes, doces ou ácidos. Essa sensibilidade pode aparecer também durante a escovação.
Em alguns casos, a pessoa também pode perceber mudanças no contorno da gengiva, diferenças entre o tamanho aparente de dentes próximos ou pequenas áreas mais amareladas junto à margem gengival, já que a raiz possui características diferentes do esmalte que recobre a coroa do dente. Sangramento gengival frequente, mau hálito persistente e mobilidade dos dentes também são sinais que merecem avaliação profissional, pois podem estar relacionados a alterações periodontais.
O sorriso também envelhece
Além da gengiva, outras mudanças podem ocorrer na boca ao longo da vida. O desgaste provocado pela mastigação, alterações na coloração dos dentes, restaurações antigas e mudanças nos tecidos de sustentação podem modificar gradualmente a aparência do sorriso.
Por isso, manter uma rotina adequada de higiene bucal e acompanhamento odontológico continua sendo importante em todas as fases da vida. O cirurgião-dentista pode avaliar se as mudanças observadas fazem parte do processo natural de envelhecimento ou se indicam alguma condição que necessita de acompanhamento.
“Não é preciso esperar sentir dor para procurar o cirurgião-dentista. Alterações na aparência da gengiva e dos dentes também fornecem informações importantes sobre a saúde bucal. Quanto mais cedo identificamos a causa de uma mudança, maiores são as possibilidades de prevenir sua progressão”, finaliza o professor.
Por Priscila Dezidério
