A febre da Copa do Mundo mexe com a nossa rotina, incendeia as emoções e, para muitos, desperta uma vontade de tirar a chuteira do armário ou iniciar uma atividade física. Ver os craques brilhando na TV dá aquela sensação de que qualquer um pode entrar em campo e dar um show na tradicional pelada de fim de semana ou no futebol society.
Mas, antes de sair correndo atrás da bola, é preciso lembrar que as doenças cardiovasculares respondem por cerca de 30% das mortes no Brasil, conforme o Ministério da Saúde, um índice muito ligado ao sedentarismo, à obesidade e à falta de exames de rotina. Abandonar o sedentarismo é uma excelente ideia, mas fazer isso de forma abrupta e sem avaliação prévia exige muita atenção.
Antes de voltar ao futebol, o coração precisa entrar no aquecimento
O futebol está longe de ser uma caminhada leve no parque. O cardiologista Breno Giestal, do Alta Diagnósticos, no Rio de Janeiro, lembra que o esporte é dinâmico e intenso. A modalidade é conhecida por ser intermitente e de alta intensidade, combinando corridas rápidas e explosivas, acelerações constantes e mudanças bruscas de direção.
Todo esse esforço exige demais do sistema cardiovascular. Por isso, quem estava parado ou já passou dos 35 ou 40 anos precisa ligar o sinal de cuidado. Passar por uma avaliação médica deve ser o primeiro item do planejamento de quem quer voltar aos gramados.

Passo a passo antes de calçar a chuteira
Apesar dos riscos e do cuidado necessário, não é preciso abandonar a vontade de jogar futebol. Muito pelo contrário! Breno Giestal reforça que o objetivo dos exames é viabilizar o esporte com total segurança.
“O intuito é oferecer segurança e direcionamento adequado para o início da atividade física ou seu retorno. Quando bem praticado, o futebol traz excelentes benefícios para o condicionamento, o controle de peso e a redução do estresse diário. Preparar o coração antes de exigir o máximo do corpo é a melhor estratégia para jogar com segurança”, ressalta.
Para garantir que o seu coração aguente o tranco, consultar um médico deve ser o ponto de partida. “A base para uma prática esportiva segura começa no consultório, por meio da anamnese, que avalia o histórico familiar e sintomas como falta de ar desproporcional ou palpitações, do exame físico e do eletrocardiograma”, ressalta o cardiologista.
Dependendo da sua idade e do histórico, o médico pode pedir exames mais detalhados. “Com base nessa avaliação inicial, o médico pode solicitar testes complementares, como o teste ergométrico, a ergoespirometria ou o ecocardiograma, entre outros”, complementa.
Sinais de alerta: o que o seu corpo avisa em campo?
Além de fazer o check-up preventivo, o jogador amador precisa aprender a escutar os sinais do próprio corpo durante o esforço. A intensidade do jogo e o estresse da competição liberam muita adrenalina, aumentando temporariamente os batimentos e a pressão.
A cardiologista Fernanda Erthal, do laboratório Bronstein e da clínica CDPI, esclarece o que acontece no organismo: “Em indivíduos predispostos, o aumento da demanda cardíaca pode favorecer o surgimento de sintomas ou até desencadear eventos cardiovasculares agudos”.
A médica orienta que, se você sentir qualquer um desses sintomas, pare imediatamente e procure ajuda médica:
- Desconforto ou dor no peito: geralmente descrito como um aperto, peso ou queimação. Fique atento se essa sensação irradiar para o braço esquerdo, costas, pescoço ou mandíbula;
- Falta de ar desproporcional: aquele cansaço extremo que não condiz com o esforço que você acabou de fazer;
- Palpitações persistentes: coração batendo fora do ritmo de forma contínua;
- Tonturas ou episódios de desmaio: sinais claros de que o fluxo sanguíneo precisa de avaliação imediata.
Por Rachel Lopes
