O transtorno de acumulação é uma condição psicológica caracterizada pela acumulação e dificuldade em desfazer-se de objetos desnecessários “Não é ‘bagunça’ ou ‘falta de organização’: é algo que causa angústia real, pois existe um apego emocional forte aos pertences e uma sensação de perda ao jogá-los fora”, explica Ana Paula Manzolli, psicóloga especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental e em Treinamento Neural.  

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Sinais do transtorno

Além dos sintomas citados, o transtorno de acumulação também apresenta outros sinais, como:  

  • Medo excessivo de ficar sem um objeto; 
  • Crença na funcionalidade dos pertences; 
  • Compras compulsivas; 
  • Perda dos itens acumulados; 
  • Desorganização intensa; 
  • Sofrimento ou ansiedade quando alguém tenta ajudar a organizar a casa; 
  • Vergonha pelo excesso de bagunça. 

Possíveis causas do transtorno 

Assim como outras condições psicológicas, o transtorno de acumulação não possui uma causa única. Na verdade, ele é multifatorial, podendo envolver fatores biológicos, traços de personalidade e eventos traumáticos.  

Em relação aos fatores biológicos, Michele Silveira, psicóloga e logoterapeuta, explica que, em alguns casos, há alterações em áreas cerebrais responsáveis pela tomada de decisão, regulação emocional e atenção. Já sobre os traços de personalidade, pessoas com características obsessivas, perfeccionistas ou que têm dificuldade em processar informações podem estar mais vulneráveis ao transtorno.  

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Por sua vez, “experiências de perdas significativas, traumas na infância ou lutos mal elaborados podem desencadear ou exacerbar o transtorno. O objeto acumulado torna-se um ‘substituto simbólico’ da pessoa perdida ou da segurança que se foi”, acrescenta a psicóloga. 

Consequências para a vida dos indivíduos 

O transtorno de acumulação não se resume apenas aos sintomas citados, ele também pode afetar a vida dos indivíduos de outras formas. Com o tempo, a bagunça fruto do acúmulo se torna excessiva, transformando a casa em um ambiente perigoso, difícil de limpar e, até mesmo, insalubre.  

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Além disso, segundo a psicóloga Ana Paula Manzolli, a condição costuma gerar conflitos familiares, divórcio e problemas financeiros. Afinal, pela desorganização, fica difícil lidar com contas e prazos. “Em casos de inquilinos, muitos acabam sendo despejados”, complementa.  

Ilustração de mulher laranja com as mãos na cabeça e redemoinho de pensamento acima da cabeça em fundo laranja claro
O transtorno de acumulação ainda pode coexistir com diferentes doenças (Imagem: Stranger Man | Shutterstock)

Transtorno de acumulação e outras doenças 

Além das consequências citadas para a vida dos indivíduos, o transtorno de acumulação ainda pode coexistir com diferentes doenças, sendo raramente algo isolado. Uma das principais condições é o Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC). De acordo com dados da pesquisa Hoarding disorder in adults: epidemiology, clinical features, assessment, and diagnosis, cerca de 15 a 20% das pessoas que apresentam o distúrbio acumulativo também lidam com o TOC.  

Ademais, “o transtorno de acumulação pode coexistir com depressão, ansiedade, uso de substâncias, distúrbios de personalidade e declínio cognitivo, o que reforça a necessidade de uma abordagem multidisciplinar para avaliação e tratamento”, pontua a Dra. Giovanna de Andrade, psiquiatra da Clínica Revitalis.  

Tratamentos indicados 

Os tratamentos para o transtorno de acumulação podem incluir uma combinação de psicoterapia, medicamentos e intervenções psicossociais, como terapia motivacional, apoio familiar e treinamentos em habilidades de organização. Além disso, hábitos saudáveis, como sono adequado, atividade física regular e boa alimentação, são essenciais durante os processos terapêuticos.  

Contudo, “casos graves podem demandar intervenções comunitárias e atuação de serviços sociais ou autoridades de saúde pública para garantir segurança e condições de moradia”, esclarece a Dra. Giovanna de Andrade.  

Os benefícios dos tratamentos geralmente envolvem a diminuição da ansiedade e da angústia em relação ao descarte dos objetos, redução substancial da desorganização doméstica, autonomia, estabilidade emocional, melhorias nas relações familiares e reintegração social.