Com o Dia das Crianças se aproximando, começa a busca por presentes que encantem e, no caso de crianças com deficiência visual, que também despertem a curiosidade pelo toque, pelos sons, pelos movimentos e pelas diferentes formas de interação.

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Na hora da escolha, não é preciso necessariamente procurar um brinquedo desenvolvido exclusivamente para esse público. Muitos produtos encontrados no mercado podem proporcionar experiências divertidas e acessíveis, especialmente quando permitem que a criança explore e descubra suas possibilidades.

Para Junia Carla Buzim, pedagoga e coordenadora do Projeto Brincar para Todos da Laramara – Associação Brasileira de Assistência à Pessoa com Deficiência Visual, a escolha deve partir dos interesses e das características de cada criança. “Não existe um brinquedo que seja ideal para todas elas. É importante observar a idade, os interesses e as habilidades de cada uma e pensar em quais recursos podem favorecer sua participação e autonomia durante a brincadeira.”

Instrumentos musicais, objetos com diferentes texturas, jogos de encaixe, bonecos e brinquedos que produzem sons são algumas possibilidades. A ideia é encontrar opções que despertem a curiosidade e permitam que a criança toque, ouça, monte, encaixe, movimente e descubra diferentes maneiras de brincar.

O brinquedo precisa ser adaptado?

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Nem sempre. Muitos brinquedos encontrados no mercado podem ser utilizados por crianças com deficiência visual sem nenhuma modificação. Em outros casos, pequenas adaptações podem facilitar a identificação de peças, a compreensão das regras ou a manipulação dos elementos.

“A adaptação não precisa ser complexa. Muitas vezes, um recurso simples, como uma textura diferente, uma marcação em relevo ou um elemento sonoro, já pode ajudar a criança a identificar uma peça ou compreender melhor como aquele brinquedo funciona. O mais importante é que a adaptação faça sentido para aquela criança e para a atividade que será realizada”, explica a pedagoga.

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Jogos também podem ganhar recursos simples para facilitar a participação. Peças com diferentes texturas ou formatos, marcações em relevo e elementos sonoros são algumas possibilidades, dependendo da atividade e das necessidades da criança.

Observar como a criança poderá interagir com o produto é mais importante do que procurar por um classificado como acessível. Um brinquedo que permita tocar, ouvir, montar, encaixar, movimentar ou criar diferentes possibilidades de uso pode proporcionar uma experiência mais participativa.

A imagem mostra uma criança pequena brincando com um brinquedo educativo de encaixe. Sobre uma mesa de madeira, ela empilha peças circulares coloridas em uma haste, formando uma sequência com tons de laranja, vermelho, amarelo, verde e azul. Outras peças aparecem espalhadas pela superfície.
Brinquedos de formas diferentes podem facilitar a exploração pelo tato (Imagem: Natalya_Maisheva | Shutterstock)

O que observar na hora de escolher?

  • Texturas e formatos: peças com superfícies e formas diferentes podem facilitar a exploração pelo tato e a identificação dos elementos;
  • Sons: recursos sonoros podem ajudar na interação e oferecer informações que, em outros brinquedos, são apresentadas visualmente;
  • Possibilidade de exploração: brinquedos que podem ser manipulados de diferentes maneiras ampliam as experiências sensoriais e criativas;
  • Autonomia: vale observar se a criança consegue pegar, movimentar, identificar e utilizar os elementos com pouca ou nenhuma ajuda;
  • Interação com outras crianças: atividades compartilhadas podem favorecer a participação e evitar que a criança fique restrita a uma brincadeira separada;
  • Interesse da criança: assim como na escolha de qualquer presente, os gostos, a idade e as curiosidades de quem vai receber o brinquedo devem ser considerados.

Acessibilidade também está na forma de brincar

A escolha do presente é apenas uma parte da experiência. A forma como o brinquedo é apresentado e a participação dos adultos também fazem diferença para que a criança tenha liberdade para descobrir seus recursos e participar da brincadeira.

Por Caroline Amorim