Além de ajudar no fortalecimento muscular, na redução de peso e na melhora da circulação sanguínea, as atividades físicas também podem ser grandes aliadas da saúde mental. Inclusive, podem contribuir para o controle do estresse e da ansiedade.
Segundo dados do Inquérito Telefônico de Fatores de Risco para Doenças Crônicas não Transmissíveis em Tempos de Pandemia (Covitel), em 2024, cerca de 56 milhões de brasileiros sofriam de ansiedade em algum grau, correspondendo a cerca de 26,8% da população. O número reforça a posição do Brasil como um dos países com maior incidência de transtornos ansiosos no mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).
Atividades físicas que favorecem a saúde mental
Embora todos os tipos de atividades físicas sejam importantes para a saúde mental, alguns podem apresentar um efeito maior no controle do estresse e da ansiedade, justamente por reunirem fatores que favorecem o relaxamento, como movimentos repetitivos, controle da respiração e contato com ambientes agradáveis. São eles:
- Caminhada ao ar livre;
- Corrida leve;
- Ciclismo;
- Natação;
- Dança
- Musculação;
- Yoga;
- Pilates.
Essas atividades físicas atuam em diferentes mecanismos do sistema nervoso, liberando substâncias relacionadas ao prazer e ao bem-estar, como endorfina, dopamina e serotonina. Também ajudam a diminuir a tensão muscular, desviando a atenção das preocupações e melhorando a qualidade do sono.
Além disso, conforme o Dr. Gustavo Locatelli, médico do trabalho e especialista em saúde corporativa, há ainda um efeito psicológico na prática esportiva: “Ao se exercitar regularmente, a pessoa pode perceber maior capacidade de lidar com desconfortos, melhorar sua sensação de controle e reduzir a ruminação – aquele fluxo repetitivo de pensamentos e preocupações que frequentemente acompanha a ansiedade e o estresse”.
Por quanto tempo praticar atividade física?
As diretrizes da OMS recomendam para adultos de 150 a 300 minutos semanais de atividade aeróbica moderada, ou 75 a 150 minutos de atividade vigorosa, além de treinos de fortalecimento muscular, pelo menos, duas vezes por semana.
“Mas é importante não transformar esses números em uma barreira. Para quem está sedentário, alguma atividade física é melhor que nenhuma. O objetivo inicial deve ser criar consistência e progredir gradualmente”, pontua o Dr. Gustavo Locatelli.
Inclusive, para introduzir a prática de forma consistente na rotina, o médico recomenda escolher uma atividade compatível com os horários e com os gostos pessoais. “O melhor exercício não é necessariamente aquele que parece mais sofisticado ou intenso, mas aquele que conseguimos incorporar à nossa vida e manter ao longo do tempo”, completa.

Segurança em primeiro lugar
Antes de começar a praticar a atividade física, é importante consultar um médico, sobretudo no caso de problemas de saúde preexistentes, como doenças cardiovasculares, musculares ou metabólicas. Assim, o profissional poderá avaliar as condições individuais e fornecer as orientações necessárias para que os exercícios sejam realizados com mais segurança.
O Dr. Gustavo Locatelli lembra que, durante a prática, é importante redobrar a atenção com a hidratação, utilizar roupas e equipamentos adequados, respeitar os períodos de descanso e aumentar a carga de forma progressiva, conforme a condição física.
“Também é importante evitar transformar a atividade física em mais uma fonte de cobrança. Exercício deve ser um recurso para a saúde, e não uma nova obrigação associada à culpa ou à busca obsessiva por desempenho”, acrescenta.
Hábitos de vida que precisam estar alinhados às atividades físicas
Para haver uma melhora significativa na saúde física e mental, não basta investir em atividades aeróbicas e musculares. Também é necessário incluir hábitos saudáveis na rotina. O professor de educação física Timóteo Leandro Araújo, da Escola de Saúde do Centro Universitário FMU, explica que é importante priorizar:
- Alimentação balanceada;
- Diminuição do tempo de tela;
- Noites de sono de qualidade;
- Suspensão do consumo de tabaco e álcool.
Ele também ressalta a importância de não se comparar aos outros caso os resultados físicos e emocionais não sejam os esperados, uma vez que a dinâmica de vida de cada pessoa influencia a prática esportiva. “Temos sempre que levar em conta as alterações ambientais e sociais em que estamos envolvidos, como trabalho, família e círculo de amizades”, finaliza.
