Variedades

Álcool e energético no Carnaval: entenda os riscos da combinação

A mistura altera a percepção de limites do corpo e pode levar ao consumo maior de álcool sem que a pessoa perceba os efeitos imediatos (Imagem: Vergani Fotografia | Shutterstock)
A mistura altera a percepção de limites do corpo e pode levar ao consumo maior de álcool sem que a pessoa perceba os efeitos imediatos (Imagem: Vergani Fotografia | Shutterstock)

A associação entre bebidas alcoólicas e energéticos, comum durante o Carnaval, tem preocupado médicos por causa do aumento de atendimentos de jovens com taquicardia, arritmias e mal-estar intenso. A combinação, usada para prolongar o tempo de festa, cria um efeito enganoso no organismo e pode desencadear alterações cardíacas mesmo em pessoas sem doenças prévias.

Segundo o cardiologista Dr. Raphael Boesche Guimarães, o principal risco em misturar álcool e energético está na ação oposta das duas substâncias. “O energético estimula o sistema nervoso central e reduz a sensação de cansaço, enquanto o álcool atua como depressor. Isso faz com que o corpo perca a capacidade de sinalizar seus próprios limites”, explica.

Riscos da combinação de cafeína e álcool

A cafeína presente nos energéticos aumenta a frequência cardíaca e a pressão arterial. Já o álcool pode provocar alterações no ritmo do coração. Quando consumidos juntos, esses efeitos se potencializam. “Essa combinação eleva o risco de taquicardia e arritmias, que podem se manifestar com palpitações, falta de ar, tontura e, em alguns casos, desmaios. Não é raro vermos jovens chegando ao pronto-socorro acreditando estar tendo um infarto”, afirma o cardiologista.

Aumento de atendimentos durante o Carnaval

Durante grandes eventos e períodos de calor intenso, como o Carnaval, os prontos-socorros registram aumento desses casos. Além da mistura de álcool com energético, fatores como desidratação, poucas horas de sono e esforço físico prolongado contribuem para o agravamento do quadro.

“Muitas vezes, o paciente não tem nenhuma doença cardíaca diagnosticada. O problema surge a partir da sobrecarga imposta ao organismo em um curto espaço de tempo”, explica o Dr. Raphael Boesche Guimarães.

Pessoas fantasiadas reunidas para curtir o Carnaval
O energético disfarça a embriaguez, levando a excessos que prejudicam fígado, cérebro e coração (Imagem: Vergani Fotografia | Shutterstock)

Falsa sensação de controle causada pelo consumo do energético

Outro ponto de alerta é a redução da percepção de embriaguez. O energético faz com que a pessoa se sinta mais alerta, levando ao consumo excessivo de álcool. “O indivíduo acredita que está bem e acaba bebendo mais do que o habitual. O corpo, porém, continua sofrendo os efeitos do álcool, especialmente no fígado, no cérebro e no coração”, destaca o médico.

Cuidados importantes durante a folia

Para quem pretende aproveitar a folia, o cardiologista recomenda evitar a associação entre álcool e energético, manter uma boa hidratação e respeitar os sinais do corpo. “Intercalar bebidas alcoólicas com água, alimentar-se adequadamente e procurar atendimento médico diante de sintomas persistentes, como palpitação ou tontura, são medidas fundamentais”, orienta o Dr. Raphael Boesche Guimarães.

Por Daiane Maio

Siga a Tribuna no Google, e acompanhe as últimas notícias de Curitiba e região!
Seguir no Google