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9 mulheres que transformaram os rumos da sociedade e seus impactos na educação

Mulheres transformaram a ciência, a arte e a sociedade (Imagem: PK Designs | Shutterstock)
Mulheres transformaram a ciência, a arte e a sociedade (Imagem: PK Designs | Shutterstock)

Em 8 de março, é celebrado o Dia Internacional da Mulher, data que marca a luta das mulheres por direitos e igualdade. Ao completar 51 anos, a celebração, reconhecida pela Organização das Nações Unidas em 1975, representa uma mobilização necessária por equidade.

No ambiente escolar, o debate sobre a trajetória e os desafios da mulher ganha espaço como ferramenta de formação crítica e ampliação de repertório, fortalecendo argumentos mais contextualizados e conscientes sobre as relações de gênero na sociedade.

Papel transformador da educação

Para Sandra Oliveira, diretora do Colégio Anglo Morumbi e do Colégio SER, parceiros do programa de educação socioemocional Líder em Mim, da SOMOS Educação, a data também é um convite à reflexão sobre o papel transformador da educação.

Ela destaca a inspiração de mulheres como Malala Yousafzai, Luiza Trajano e Nísia Floresta, que, em diferentes contextos, ampliaram caminhos para outras mulheres. “Embora as mulheres representem cerca de 80% dos docentes da educação básica no Brasil, ainda são minoria nos cargos estratégicos. Precisamos formar meninas e meninos para liderar com competência, caráter e humanidade”, afirma.

Segundo ela, investir em uma formação acadêmica, tecnológica e socioemocional é construir pontes entre gerações e fortalecer o protagonismo feminino desde a infância, porque educar meninas é formar líderes — e liderar com propósito é transformar o mundo.

Escola como espaço de reflexão

O debate sobre a trajetória e os desafios das mulheres tem importante espaço nas salas de aula. Para Heloísa Guimarães Pereira, analista de conteúdo pedagógico da plataforma Redação Nota 1000, o tema vai além de estratégia para redações.

“Ao estudar movimentos em defesa dos direitos das mulheres, o aluno passa a compreender com mais profundidade a complexidade histórica e social das relações de gênero na atualidade. Esse diálogo interdisciplinar contribui para argumentos mais sólidos e contextualizados”, afirma.

A reflexão também envolve o resgate de mulheres historicamente silenciadas. Para Mirtes Timpanaro, coordenadora de História do Colégio Rio Branco, é essencial dar visibilidade a essas trajetórias. “Mesmo pouco mencionadas e esquecidas propositalmente, suas vozes poderosas chegaram até nós, nos alertando da obrigação de fazê-las reverberar”, destaca, reforçando que suas conquistas seguem presentes e inspiram novas gerações.

Mulheres que marcaram a história

Com o intuito de homenagear mulheres que deixaram seu legado na história, confira 9 mulheres de destaque em diversas áreas e que transformaram os rumos da sociedade!

1. Bertha Lutz (1894–1976)

Bióloga e professora, foi uma das principais lideranças do movimento sufragista no Brasil. Sua atuação foi decisiva para a conquista do voto feminino em 1932, durante o governo de Getúlio Vargas. “Em um contexto em que as mulheres não tinham direito ao voto, Bertha mobilizou e estruturou o movimento sufragista brasileiro, contribuindo diretamente para essa conquista histórica”, destaca Ana Paula Aguiar, autora de História, Filosofia e Sociologia do Sistema de Ensino pH.

2. Nise da Silveira (1905–1999)

Médica psiquiatra brasileira reconhecida internacionalmente, revolucionou o tratamento psiquiátrico ao criticar métodos agressivos e introduzir a arte como ferramenta terapêutica.

3. Maria da Penha (1945–atualmente)

Sua trajetória resultou na criação da Lei Maria da Penha, considerada um marco na proteção dos direitos das mulheres no Brasil. “Ela mostrou a negligência do Estado, e ela é uma das peças fundamentais para promover a equidade e ampliar as referências dentro e fora da escola”, ressalta Margarete Xavier, autora de Redação e português do Fibonacci Sistema de Ensino.

menina estudando em sala com livro e caderno de anotações
Nas salas de aula, o legado de Marie Curie ajuda a despertar o interesse pela ciência e pelo protagonismo feminino (Imagem: Drazen Zigic | Shutterstock)

4. Marie Curie (1867–1934)

Primeira pessoa a conquistar dois Prêmios Nobel em áreas distintas, Física e Química, Marie Curie tornou-se referência mundial nas pesquisas sobre radioatividade e símbolo da presença feminina na ciência. “Histórias como a de Marie Curie são essenciais para os estudantes de hoje. As mulheres ainda enfrentam diversas barreiras em muitas profissões”, afirma Ciara McCombe, professora do The British College of Brazil.

Letícia Biral de Faria, da FourC Bilingual Academy, ressalta que dar visibilidade a cientistas mulheres é reconhecer contribuições historicamente minimizadas. Já Helena Maria Hoeschl Gonçalves, da Eduall, destaca que apresentar essas trajetórias em diferentes formatos ajuda a despertar o interesse dos jovens e ampliar o repertório científico.

5. Tatiana Coelho de Sampaio (1966–atualmente)

Pesquisadora brasileira que estuda lesões medulares e desenvolveu um medicamento voltado à recuperação de pacientes com comprometimento motor. “Reconhecer pesquisadoras brasileiras contemporâneas é mostrar que o protagonismo feminino na ciência é presente e contínuo”, reforça Emily Cassiana Santolin, assessora pedagógica da Mind Makers.

6. Carolina Maria de Jesus (1914–1977)

Autora do livro “Quarto de Despejo”, obra traduzida para 13 idiomas, retratou a realidade das favelas brasileiras e tornou-se símbolo de resistência feminina e negra. “Quando um clássico é apresentado em linguagem mais visual, ampliamos as portas de entrada para a leitura”, afirma Laura Vecchioli do Prado, coordenadora de Literatura e Informativos do Editorial de Educação Básica da SOMOS Educação.

7. Chiquinha Gonzaga (1847–1935)

Pianista e compositora, foi fundamental para a consolidação do choro e da marcha carnavalesca no Brasil. Sua obra, “Ó Abre Alas”, é considerada a primeira marcha de Carnaval do país e um marco da cultura popular brasileira.

“Não basta às mulheres permanecerem nas entrelinhas da narrativa histórica. Muitas foram reduzidas à condição de ‘esposas’ ou ‘companheiras’, quando, na verdade, protagonizaram episódios relevantes da história nacional”, afirma Larissa Azevedo Souza, professora de História do Anglo Alante Chácara Santo Antônio, ao destacar a importância de reconhecer trajetórias como a de Chiquinha Gonzaga.

8. Tarsila do Amaral (1886–1973)

Uma das principais representantes do Modernismo no Brasil, ajudou a construir uma identidade estética nacional, valorizando temas e paisagens brasileiras. “Ela foi decisiva para consolidar uma arte conectada à cultura e às transformações sociais do país”, aponta Ariadne Castilho Catanzaro, coordenadora do ensino bilíngue do Colégio Liceu Pasteur Start Anglo Trilingual School.

9. Hipátia de Alexandria (350–415)

Filósofa e matemática, organizou e sistematizou conhecimentos científicos na Antiguidade. “Celebrar essas trajetórias é reconhecer que mulheres sempre estiveram no centro da matemática”, afirma Tainara Dias, executiva de Negócios Acadêmicos da CASIO Educação.

Por Patrícia Buzaid

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