A cirurgia é apenas uma das etapas do tratamento. A recuperação começa ainda no hospital, mas continua em casa e depende de uma série de cuidados que influenciam a cicatrização, a retomada das atividades e a prevenção de complicações. Embora cada procedimento tenha orientações específicas, alguns erros são frequentes e podem comprometer a evolução do paciente.

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Segundo a enfermeira Katia Cristina Amorim Sousa, da Clínica Boutros Carvalho, especializada no acompanhamento de pacientes cirúrgicos, e Joseli Ferreira Angelini Fantini, mestre em Enfermagem e coordenadora clínica da Rede Vitória Spa, especializada no cuidado e na reabilitação de idosos, o sucesso da recuperação não depende apenas do procedimento realizado.

Os cuidados adotados nos dias seguintes, como alimentação adequada, hidratação, mobilidade, atenção à cicatrização e acompanhamento profissional, influenciam diretamente a evolução do tratamento. A seguir, as especialistas explicam quais atitudes merecem atenção e por que o pós-operatório exige uma visão que vai além da própria cirurgia.

1. Achar que a alta hospitalar significa que o tratamento acabou

Muitos pacientes associam a alta ao fim da recuperação. Na prática, ela marca apenas o início de uma nova etapa. Katia Cristina Amorim Sousa explica que a cicatrização continua acontecendo nas semanas seguintes e depende do cumprimento das orientações médicas, do uso correto dos medicamentos e do acompanhamento nas consultas de retorno.

2. Descuidar da ferida operatória

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Trocar curativos sem orientação, manipular os pontos ou ignorar alterações na cicatriz pode favorecer infecções e dificultar a recuperação. Segundo Katia Cristina Amorim Sousa, sinais como vermelhidão intensa, saída de secreção, abertura dos pontos, aumento da dor ou mau cheiro na ferida devem ser avaliados pela equipe responsável.

3. Confundir repouso com imobilidade

Descansar é importante, mas permanecer completamente parado por vários dias também traz riscos. Joseli Ferreira Angelini Fantini explica que, quando autorizado pela equipe médica, movimentar-se de forma gradual ajuda a preservar a força muscular, reduz a perda de mobilidade e contribui para uma recuperação mais segura.

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Entre os idosos, esse cuidado é ainda mais importante, já que a perda de massa muscular e de autonomia pode acontecer de forma mais rápida após períodos prolongados de repouso, aumentando o risco de quedas e dificultando o retorno às atividades.

4. Voltar à rotina antes da hora

Sentir-se melhor não significa que o organismo já esteja totalmente recuperado. Retomar atividades físicas, dirigir, carregar peso ou voltar ao trabalho antes da liberação médica pode comprometer a cicatrização e aumentar o risco de complicações.

Mulher dando um copo com água para uma idosa, ambas sentadas
Para os idosos, o nível de hidratação após cirurgia deve ser ainda maior (Imagem: New África | Shutterstock)

5. Subestimar a importância da alimentação e da hidratação

A recuperação também acontece de dentro para fora. Joseli Ferreira Angelini Fantini destaca que proteínas, vitaminas, minerais e uma boa ingestão de líquidos fornecem ao organismo os nutrientes necessários para reparar os tecidos, preservar a massa muscular e favorecer a cicatrização. Nos idosos, esse cuidado deve ser ainda maior, pois a redução da sensação de sede e as alterações naturais do envelhecimento aumentam o risco de desidratação e podem retardar a recuperação.

6. Esperar os sintomas piorarem para procurar ajuda

Nem toda dor faz parte do processo normal de recuperação. Febre, sangramento persistente, falta de ar, dor intensa ou alterações importantes na ferida operatória não devem ser ignorados. Katia Cristina Amorim Sousa orienta que qualquer sinal diferente seja comunicado rapidamente à equipe de saúde para evitar o agravamento do quadro.

7. Achar que toda recuperação acontece no mesmo ritmo

Cada organismo responde de uma forma. Idade, doenças pré-existentes, estado nutricional e o tipo de cirurgia influenciam diretamente o tempo de recuperação. Joseli Ferreira Angelini Fantini lembra que pacientes idosos costumam exigir um acompanhamento ainda mais cuidadoso, pois apresentam maior vulnerabilidade à perda funcional, à desidratação e a outras complicações durante o pós-operatório. Comparar a própria evolução com a de outras pessoas pode gerar ansiedade e expectativas que não correspondem à realidade.

8. Relaxar nos cuidados porque a dor diminuiu

Um dos erros mais comuns é abandonar parte dos cuidados assim que os sintomas começam a melhorar. Mesmo quando a dor diminui e a disposição aumenta, o organismo ainda pode estar em processo de cicatrização. Por isso, Katia Cristina Amorim Sousa reforça que medicamentos, curativos, restrições de esforço e consultas de acompanhamento devem ser mantidos até a liberação da equipe médica.

A recuperação de uma cirurgia não depende apenas do procedimento realizado no centro cirúrgico. Os cuidados com a ferida operatória, aliados à alimentação adequada, hidratação, mobilidade e respeito ao tempo de recuperação de cada organismo, ajudam a reduzir complicações e favorecem um retorno mais seguro às atividades do dia a dia. Essa atenção deve ser ainda maior entre pacientes idosos, que apresentam maior risco de perda de mobilidade, desidratação e outras complicações, exigindo acompanhamento mais próximo da equipe de saúde e da família.

Por Henrique Fernandes