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7 cuidados ao comprar imóveis de alto padrão pela internet

A compra de imóveis pela internet tornou a fase inicial de negociação mais rápida, mas não diminuiu a complexidade da compra (Imagem: New África | Shutterstock)

Uma residência avaliada em milhões de reais pode chegar ao comprador antes mesmo de ele visitar a cidade onde o imóvel está localizado. Vídeos produzidos com drones, tours virtuais, plantas tridimensionais, redes sociais e atendimentos por videochamada permitem conhecer diferentes propriedades sem sair de casa.

A inteligência artificial também passou a auxiliar essa busca. Plataformas conseguem cruzar preferências relacionadas à localização, metragem, arquitetura, segurança e áreas de lazer para apresentar imóveis próximos ao perfil informado pelo usuário. A tecnologia reduz o número de opções incompatíveis, mas não confirma se a propriedade está regular nem se todas as informações divulgadas correspondem à realidade.

Uma pesquisa realizada pela Offerwise, a pedido da Loft, com 1,4 mil brasileiros, mostrou que 33% utilizam as redes sociais na procura por imóveis para comprar. Entre os entrevistados interessados em aquisição, 43% acompanham tours e vídeos, e 32% afirmam que se sentiriam confortáveis para iniciar uma negociação pelas próprias plataformas.

Para Gabriela Pereira, advogada especialista em direito imobiliário de alto padrão, a digitalização tornou a fase inicial mais rápida, mas não diminuiu a complexidade da compra. “A tecnologia permite comparar propriedades e organizar informações antes da visita. No entanto, quanto maior for o valor envolvido, maior deve ser o cuidado para verificar o imóvel, os documentos e as condições jurídicas da negociação”, explica.

A seguir, confira 7 cuidados importantes antes de avançar na compra de um imóvel de alto padrão encontrado pela internet.

1. Confirme quem está anunciando o imóvel

O primeiro passo é verificar a identidade do anunciante e sua relação com a propriedade. O comprador precisa saber se está falando diretamente com o proprietário, com um corretor ou com outro representante autorizado a conduzir a negociação.

Perfis bem produzidos, grande número de seguidores e imagens sofisticadas não comprovam que a pessoa tenha autorização para oferecer o bem. Antes de enviar documentos ou realizar pagamentos, é importante confirmar os dados dos envolvidos e a origem das informações apresentadas.

2. Não tome a decisão apenas pelas imagens

Fotografias tratadas, lentes que ampliam ambientes, iluminação planejada e recursos de decoração virtual podem criar uma percepção diferente da realidade. Tours digitais são úteis para selecionar opções, mas não revelam necessariamente problemas estruturais, ruídos, odores, luminosidade, estado das instalações ou características do entorno.

A visita presencial e a inspeção técnica ajudam a verificar conservação, acabamentos, sistemas elétricos e hidráulicos, infiltrações e outros aspectos que podem influenciar o custo e a segurança da compra. Se o interessado estiver em outro estado ou país, pode solicitar uma avaliação independente antes de avançar.

3. Compare a publicidade com os documentos

Em imóveis ainda em construção, plantas, perspectivas, memorial descritivo e materiais publicitários precisam ser examinados em conjunto. É necessário entender quais itens serão efetivamente entregues, quais imagens são apenas ilustrativas e como estão descritos os materiais, as áreas e os equipamentos do empreendimento.

Nos imóveis usados, reformas, ampliações, piscinas, elevadores e outras alterações devem ser confrontados com os registros e as autorizações existentes. Uma melhoria visível nas redes sociais pode não estar regularizada perante os órgãos responsáveis.

Casal sentado à mesa, sorrindo enquanto uma mulher apresenta um contrato
A apresentação digital desperta interesse, mas não substitui a análise jurídica (Imagem: fizkes | Shutterstock)

4. Analise a situação jurídica da propriedade

A apresentação digital não comprova a regularidade do bem. A análise pode incluir matrícula atualizada, titularidade, ônus, indisponibilidades, débitos tributários, situação condominial e eventuais restrições que afetem a negociação.

Também é importante verificar se a descrição do imóvel na matrícula corresponde ao que existe fisicamente. Diferenças de metragem, construções não averbadas e alterações sem autorização podem gerar dificuldades futuras.

“Uma apresentação sofisticada desperta interesse, mas não substitui a análise jurídica. O comprador precisa saber quem é o proprietário, quais restrições recaem sobre o bem e se a configuração anunciada está de acordo com os registros”, afirma Gabriela Pereira.

5. Leia a proposta antes de confirmar pela plataforma

Conversas em aplicativos, propostas eletrônicas e documentos assinados remotamente deixam registros das condições discutidas. Por isso, o comprador deve observar valores, prazos, forma de pagamento, entrega das chaves, existência de sinal, hipóteses de desistência e responsabilidades de cada parte.

A rapidez do atendimento digital não deve levar a confirmações impulsivas. Antes de aceitar uma proposta ou transferir qualquer quantia, é necessário compreender quais obrigações estão sendo assumidas e em quais situações o valor poderá ou não ser devolvido.

6. Entenda quando a propriedade é transferida

A confirmação da compra por mensagem, a assinatura de uma proposta ou o pagamento de um sinal não transferem, sozinhos, a propriedade. No Brasil, a aquisição do imóvel depende do instrumento adequado e do registro do título no Cartório de Registro de Imóveis. Enquanto esse registro não é realizado, o vendedor continua sendo juridicamente considerado o proprietário. Essa etapa não deve ser confundida com a negociação comercial realizada pelas plataformas.

7. Proteja informações sobre o comprador e o imóvel

Negociações de alto padrão envolvem dados patrimoniais, documentos pessoais e informações sobre a rotina dos envolvidos. O comprador deve ter cautela ao enviar comprovantes financeiros, documentos de identificação e outros dados por mensagens ou perfis cuja autenticidade ainda não foi confirmada.

A exposição do imóvel também merece atenção. Fachadas, plantas, localização exata e detalhes dos sistemas de segurança podem colocar moradores e proprietários em risco. Por isso, catálogos restritos e verificação prévia dos interessados são comuns nesse segmento.

As redes sociais, os tours virtuais e a inteligência artificial podem tornar a busca mais eficiente, principalmente quando o comprador está distante. A tecnologia ajuda a encontrar e comparar propriedades, mas a segurança da aquisição continua dependendo da conferência física, da análise documental e da formalização correta do negócio.

Por Eluan Carlos H. Bürger

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