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5 sinais de que sua empresa precisa de um conselho

O conselho amplia perspectivas da empresa, questiona premissas, traz experiências complementares e reduz a probabilidade de erros que custam caro (Imagem: PeopleImages | Shutterstock)

A governança corporativa deixou de ser uma prática restrita às grandes companhias e passou a fazer parte da estratégia de empresas de médio porte que buscam crescer com mais segurança. Em um cenário de juros elevados, crédito mais seletivo e pressão crescente por eficiência, empresários têm antecipado a criação de conselhos consultivos para reduzir erros estratégicos, organizar a tomada de decisões e fortalecer a gestão financeira.

Com a Selic em 14,75%, decisões equivocadas passaram a ter impacto ainda maior sobre investimentos, expansão e liquidez. Ao mesmo tempo, empresas enfrentam maior rigor na concessão de crédito e cobrança crescente por previsibilidade financeira.

Para Farias Souza, administrador de empresas, CEO e fundador da Board Academy, edtech especializada na formação e certificação de conselheiros, executivos e empresários, além do desenvolvimento de estruturas de governança corporativa para empresas em fase de crescimento, a mudança reflete uma transformação no perfil das organizações brasileiras.

“Durante muito tempo, o empresário conseguiu compensar falhas de gestão com crescimento de mercado. Hoje isso ficou mais difícil. O dinheiro está mais caro, os riscos aumentaram e cada decisão passou a ter um peso maior sobre os resultados. É nesse contexto que os conselhos ganham relevância“, afirma.

O movimento acompanha uma tendência observada em empresas familiares e negócios em expansão. Estudos do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC) e da KPMG mostram que mecanismos formais de governança vêm sendo adotados cada vez mais cedo, impulsionados por processos de sucessão, profissionalização da gestão, expansão dos negócios e preparação para futuras captações de recursos.

Por que empresas estão criando conselhos mais cedo?

À medida que a empresa cresce, aumentam também as decisões relacionadas à expansão, investimentos, contratação de executivos, sucessão e gestão financeira. Em muitas organizações, porém, essas definições continuam concentradas exclusivamente no fundador.

Segundo estudo da McKinsey & Company, empresas com processos estruturados de tomada de decisão podem elevar a eficiência operacional em até 20%. Já análises da Deloitte apontam que organizações com governança mais madura apresentam maior previsibilidade financeira, melhor gestão de riscos e maior capacidade de adaptação diante de mudanças de mercado.

Na avaliação de Farias Souza, a principal contribuição de um conselho está justamente na melhoria da qualidade das decisões. “Quando a empresa depende apenas da visão do dono, ela cria um limite para o próprio crescimento. O conselho amplia perspectivas, questiona premissas, traz experiências complementares e reduz a probabilidade de erros que custam caro”, afirma.

Além dos ganhos internos, a governança também influencia a percepção de bancos, investidores e parceiros estratégicos. Estruturas mais organizadas costumam transmitir maior confiança sobre a capacidade de execução e gestão dos recursos da companhia.

Um homem branco, vestindo terno preto e óculos, lidera uma reunião em uma sala de escritório moderna e bem iluminada. Ele está de pé, gesticulando com as mãos enquanto fala para três colegas sentados ao redor de uma mesa de conferência. Atrás dele, há uma grande tela de TV exibindo gráficos de barras e dados, e um quadro branco com notas adesivas coloridas. Dois dos colegas estão de costas para a câmera, enquanto uma mulher à direita é vista de perfil, ouvindo atentamente. O ambiente possui grandes janelas de vidro com vista para a cidade
Em uma empresa, o conselho é uma ferramenta de prevenção, não apenas de correção (Imagem: PeopleImages | Shutterstock)

Sinais de que sua empresa precisa de um conselho

Embora não exista um faturamento mínimo para implementar um conselho consultivo, alguns sinais indicam que a empresa atingiu um nível de complexidade que exige uma estrutura mais robusta de tomada de decisão.

  1. O primeiro deles é quando o faturamento cresce, mas a geração de caixa não acompanha o mesmo ritmo.
  2. Outro alerta surge quando praticamente todas as decisões relevantes continuam dependendo da aprovação do fundador, gerando lentidão e sobrecarga.
  3. A ausência de indicadores confiáveis para orientar investimentos e prioridades estratégicas também costuma revelar fragilidades na gestão.
  4. Há ainda situações em que o crescimento passa a gerar mais problemas operacionais do que resultados financeiros, comprometendo eficiência e rentabilidade.
  5. Por fim, quando o empresário dedica a maior parte do tempo a resolver urgências e apagar incêndios, em vez de discutir estratégia e expansão, o modelo de gestão normalmente já demonstra sinais de esgotamento.

“Muitas empresas procuram governança quando a crise já apareceu. O ideal é fazer esse movimento antes. O conselho é uma ferramenta de prevenção, não apenas de correção”, diz Farias Souza.

Como começar sem transformar a gestão em burocracia

Um dos equívocos mais comuns entre empresários é associar governança ao excesso de regras. Na prática, a implementação pode começar de forma simples e adaptada ao estágio de maturidade da empresa.

O primeiro passo é definir qual problema o conselho ajudará a resolver. Dependendo do momento do negócio, o foco pode estar na expansão, sucessão, profissionalização da gestão, melhoria dos resultados financeiros ou preparação para novos ciclos de crescimento.

A escolha dos conselheiros também é decisiva. O ideal é reunir profissionais com experiências complementares em áreas como finanças, estratégia, mercado, operações e gestão empresarial.

Outro ponto importante é estabelecer uma rotina de reuniões, com pautas objetivas, indicadores claros e acompanhamento das decisões tomadas. Também é fundamental separar governança da operação. Enquanto os executivos conduzem a gestão do dia a dia, o conselho atua como instância de orientação estratégica, análise crítica e acompanhamento dos resultados.

“O conselho não existe para administrar a empresa. Ele existe para melhorar a qualidade das decisões. Quando isso acontece, os ganhos aparecem em eficiência, previsibilidade e capacidade de crescimento sustentável”, afirma Farias Souza.

A criação de um conselho deixou de ser uma etapa reservada às grandes corporações ou às empresas que pretendem receber investimentos. Para negócios em crescimento, a governança vem sendo utilizada como uma ferramenta para organizar decisões, reduzir riscos e preparar a empresa para novos ciclos de expansão.

Segundo Farias Souza, o mais importante é não esperar que os problemas apareçam para estruturar esse processo. “Governança não serve para resolver crises, mas para evitá-las. Quanto antes a empresa amadurece sua forma de decidir, maiores são as chances de crescer de maneira consistente e sustentável”, conclui.

Por Carolina Lara

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