Os brasileiros que pretendem estudar, trabalhar ou morar nos Estados Unidos em 2027 precisam ficar atentos às mudanças nas regras de imigração. Ao longo de 2026, o governo americano ampliou a análise de redes sociais de solicitantes, alterou os critérios de seleção para vistos de trabalho e estabeleceu mudanças que podem impactar os custos dos processos migratórios.
As medidas afetam estudantes, profissionais e investidores de maneiras diferentes. Enquanto algumas regras já estão em vigor, outras ainda dependem de decisões judiciais ou de definições regulatórias. Por isso, conhecer as exigências de cada modalidade é importante para evitar imprevistos e planejar uma possível mudança de país.
Segundo Mila de Olano, vice-presidente para mercados da América Latina da EB5AN, o planejamento migratório também está relacionado aos projetos familiares de longo prazo, especialmente quando envolve a educação dos filhos. “O perfil que mais nos procura é de famílias que já têm uma situação financeira consolidada no Brasil e que enxergam o Green Card como uma decisão de planejamento para os próximos anos, principalmente pensando nos filhos”, afirma.
A seguir, confira 5 pontos de atenção para brasileiros que planejam viver nos Estados Unidos em 2027!
1. Análise de redes sociais fica mais rigorosa
Desde 1º de outubro de 2026, o Departamento de Estado americano ampliou a verificação da presença digital de solicitantes de determinadas categorias de visto. A medida passou a incluir representantes da imprensa estrangeira, profissionais do Canadá e do México enquadrados no visto TN e seus dependentes.
Essas categorias se somam a outras que já estavam submetidas ao procedimento, como F-1, M-1, J-1 e H-1B. Os candidatos abrangidos são orientados a manter seus perfis em redes sociais públicos ou abertos para permitir a análise consular.
Outra orientação importante diz respeito ao local da entrevista. Desde a atualização de 15 de julho de 2026, as entrevistas para vistos de não imigrante devem ser agendadas no país de nacionalidade ou residência do solicitante. Quem optar por realizar o procedimento em outro país poderá enfrentar dificuldades adicionais para demonstrar elegibilidade e períodos de espera mais longos.
2. Visto de trabalho H-1B passa a considerar níveis salariais
Profissionais brasileiros que desejam trabalhar nos Estados Unidos também precisam observar as mudanças no H-1B, destinado a ocupações especializadas.
Desde 27 de fevereiro de 2026, os pedidos sujeitos ao limite anual passaram a utilizar um sistema de seleção ponderado por níveis salariais. Na prática, o modelo favorece vagas com remunerações mais elevadas, embora profissionais enquadrados nos demais níveis continuem podendo participar.
Outra mudança em discussão envolve os custos de contratação. Uma proposta publicada em 25 de agosto prevê uma cobrança adicional de US$ 103.265, a ser paga pelo empregador no protocolo de petições H-1B sujeitas ao limite anual, incluindo as destinadas a profissionais com formação avançada.
Dependendo do perfil do profissional, outras modalidades podem ser consideradas. O L-1 permite a transferência de executivos, gerentes e profissionais com conhecimento especializado entre empresas qualificadas do mesmo grupo. Já o O-1 é destinado a pessoas que comprovem habilidade extraordinária em sua área de atuação.
Essas categorias não dependem da seleção anual do H-1B, mas possuem requisitos próprios de elegibilidade.

3. Estudantes devem acompanhar mudanças na permanência e nos custos
Brasileiros que pretendem estudar nos Estados Unidos também precisam acompanhar as discussões relacionadas ao Optional Practical Training (OPT), programa que permite a estudantes com visto F-1 trabalhar temporariamente em atividades relacionadas à sua área de formação.
Em outubro de 2026, o governo americano propôs elevar de aproximadamente US$ 500 para US$ 70 mil o custo do primeiro período do programa. A proposta representa um ponto de atenção para estudantes internacionais que pretendem adquirir experiência profissional no país após ou durante a formação.
Outra discussão envolve a permanência dos estudantes em território americano. O governo propôs substituir o sistema conhecido como duration of status, no qual a permanência está vinculada à manutenção regular do status migratório, por períodos fixos de admissão.
A mudança estava prevista para setembro, mas foi suspensa judicialmente. Dessa forma, as regras anteriores continuam aplicáveis enquanto a disputa prossegue.
4. Green Card por investimento terá mudanças nos valores e nas taxas
Para famílias que desejam obter residência permanente nos Estados Unidos, uma das alternativas é o EB-5, programa que permite solicitar o Green Card por meio de investimento e geração de empregos.
Atualmente, o capital mínimo exigido é de US$ 800 mil em áreas de emprego-alvo ou projetos de infraestrutura e de US$ 1,05 milhão nos demais casos. O investimento também deve atender aos requisitos do programa, incluindo a criação de pelo menos dez empregos em tempo integral para trabalhadores qualificados nos Estados Unidos.
O ano de 2026 trouxe mudanças importantes. Em 30 de setembro, terminou o prazo da proteção conhecida como grandfathering para novos pedidos. Esse mecanismo buscava preservar o processamento das petições apresentadas até aquela data, caso o Programa de Centros Regionais fosse interrompido ou deixasse de ser autorizado posteriormente.
O encerramento desse prazo não significa o fim do EB-5. O Programa de Centros Regionais continua autorizado até 30 de setembro de 2027. Entretanto, quem iniciou o processo após setembro de 2026 já não conta com a mesma proteção prevista para pedidos anteriores.
Outra mudança está prevista para 1º de janeiro de 2027, quando os valores mínimos de investimento deverão ser atualizados pela inflação. Os novos montantes ainda precisam ser oficialmente definidos.
Além disso, uma regra final publicada em 30 de setembro estabelece novas taxas administrativas do EB-5, com vigência a partir de 30 de novembro de 2026. Essas cobranças são diferentes do capital mínimo investido no projeto.
Dados internos da EB5AN apontam quase 600 consultas agendadas pela empresa durante nove semanas do segundo trimestre de 2026. Entre os brasileiros atendidos, predominam famílias com patrimônio líquido superior a R$ 10 milhões, embora também existam interessados com patrimônio a partir de R$ 5 milhões.
5. Escolha do visto deve considerar os objetivos de cada pessoa
Além de acompanhar as mudanças, é importante entender que cada categoria de visto atende a uma finalidade diferente. Modalidades como F-1, H-1B, L-1 e O-1 permitem a permanência temporária nos Estados Unidos, desde que determinadas condições sejam cumpridas. Já categorias como EB-1A, EB-2 NIW e EB-5 têm como finalidade a residência permanente, com requisitos específicos de elegibilidade.
Por isso, a escolha precisa considerar fatores como formação acadêmica, experiência profissional, estrutura empresarial, composição familiar, recursos financeiros disponíveis e prazo desejado para a mudança.
Também é importante lembrar que abrir uma empresa, comprar um imóvel ou transferir dinheiro para os Estados Unidos não garante, por si só, a concessão de um visto ou do Green Card. Para a advogada de imigração Fabiana V. Guerra, fundadora e líder de Mobilidade Global da Astra Global Advisors, a análise deve considerar diferentes aspectos da trajetória do solicitante.
“O processo está mais rigoroso e detalhado. Histórico migratório, informações fornecidas no pedido, presença digital e compatibilidade entre o visto solicitado e a atividade que a pessoa pretende exercer nos Estados Unidos passaram a exigir ainda mais atenção. Qualquer inconsistência pode aumentar o risco de questionamentos, atrasos ou até de uma negativa”, explica a advogada, que acrescenta: “Uma estratégia migratória precisa responder pelo menos três perguntas: como entrar, como permanecer e qual é o objetivo final daquela pessoa ou família nos Estados Unidos”.
Para Mila de Olano, vice-presidente para mercados da América Latina da EB5AN, empresa autorizada pelo U.S. Citizenship and Immigration Services (USCIS) e especializada na estruturação e gestão de investimentos voltados ao programa de visto EB-5 dos Estados Unidos, o país continua sendo um dos destinos mais atraentes para investidores internacionais.
“Os Estados Unidos seguem como a economia mais sólida e segura do mundo para investidores, com estabilidade institucional, profundidade de mercado e oportunidades de longo prazo. Mesmo em momentos de maior tensão geopolítica ou de discursos mais duros sobre imigração, o interesse por viver e investir no país permanece forte”, finaliza a especialista.
Por Caio Olliveira
